terça-feira, 8 de julho de 2008

Ao longo do Tamisa


Um dos objectivos nesta visita a Londres era conhecer melhor a cidade, sentir como vivem hoje os londrinos, trinta anos após a primeira viagem por terras de sua majestade…
Desta vez, dispúnhamos de uma guia, a minha sobrinha S. que, apesar de só lá estar há três meses, já domina todos os cantinhos da cidade e os meios de transporte mais rápidos para chegar aos locais de interesse, para além de ser uma boa caminhante.
Aproveitámos muito bem esta oportunidade única e, numa das primeiras saídas, a proposta foi dar um longo e diversificado passeio por uma das margens do Tamisa, na zona de Southbank e, com tanta sorte, num raro dia de muito sol e calor!
Lá fomos, munidas do nosso Oyster Card- e aproveito para sugerir que o utilizem para as deslocações de autocarro e de metro, muito prático e acessível, já que é recarregável e tem a validade de dois anos. Connosco, o Guia «London A to Z», manual de sobrevivência indispensável a uma boa orientação na cidade.

E que descobrimos?
Um rio vivido à exaustão por um cem número de pessoas que por ali passam.
Umas a caminho dos respectivos empregos, outras em treino de corrida ou de footing, muitas em passeio turístico, de máquina em riste, como nós, nesse dia.


Outras, deitadas ao sol, na relva saborosa ou esticadas em cadeiras de lona, lendo, ouvindo música, mas sempre desfrutando do marulhar das águas do rio, atravessado por inúmeros barcos de recreio ou de mercadorias. Aqui e ali, algumas intervenções artísticas, desde excelentes músicos, tocando a solo ou em pequenos grupos até às mais variadas figuras/estátuas que interagem constantemente com quem passa, convidando à fotografia e, eventualmente, à moedinha, já que são artistas subsidiados pela Câmara da cidade. Muitas esplanadas cheias de turistas, grandes lojas de discos, livros e revistas, salas de espectáculos, uma sala de estar muito divertida, com sofás gigantes em relva sintética, tudo lado a lado com um espaço bastante grande para intervenção de graffitis onde voltejam, em perigosas acrobacias, alguns skaters.

Vimos várias exposições periódicas, de pintura e escultura- uma despertou particularmente a nossa atenção, no exterior da Tate Modern Gallery, relacionada com a Street Art, com obras muito curiosas.
Depois de um óptimo almoço num restaurante grego, regressámos ao centro da cidade, pensando na nossa Lisboa e nos nossos lisboetas que ainda continuam de costas voltadas para o Tejo, sem aproveitarem plenamente o clima e os espaços verdes que temos!
Tive tanta vontade de mudar esta mentalidade e esta forma de estar…


segunda-feira, 7 de julho de 2008

HELLO!

Olá, estou de volta!
Prometo alguns comentários e algumas imagens de Londres, produto da minha estadia em Londres.
Hoje, fica só uma amostra...

domingo, 6 de julho de 2008

Heróis desconhecidos


Há os que descobrem tesouros e há os que os escondem para não serem descobertos. Foi isto que aconteceu em Cabul ( Afeganistão) e em Nukus (Usbequistão).

Notícia recente anuncia a abertura em Washington de uma exposição “Afeganistão – Tesouros escondidos do Museu Nacional de Cabul”. As 228 peças agora expostas fazem parte de um espólio que só sobreviveu porque, no início dos anos 80, o director e alguns curadores do Museu de Cabul decidiram esconder as peças mais valiosas num cofre selado, por baixo do Palácio Presidencial. Foi assim que escaparam às tropas soviéticas, à guerra civil e aos talibãs. Dados como desaparecidos, foram salvos e encontrados em 2003. E não foi pequeno o achado: peças desde o paleolítico ao período budista, inventariadas durante 3 meses, permitem viajar por mais de 2000 anos ( 2200 a.C. a 200 d.C) e compreender uma riqueza cultural que reflecte a troca de saberes entre Oriente e Ocidente, ao longo da Rota da Seda.
Pena que o Estado afegão receba por esta exposição dez vezes menos que recebeu o Egipto pela exposição, no mesmo local, dos objectos do túmulo de Tuthakamon e nada pelas receitas geradas com a exposição … o Egipto recebeu 50% .

Outro caso extraordinário acontece em Nukus, no Usbequistão, uma cidade –fantasma, perdida entre as estepes e a desertificação provocada pelo abaixamento do nível de Mar Aral ( 16m), a salinização dos solos e a contaminação química resultante dos ensaios de armas químicas realizados pelo Exército Vermelho. Aí existe “ a mais bela colecção de arte de vanguarda russa, depois do museu do Ermitage de São Petesburgo” . Como?
A colecção foi conseguida por Igor Savitsky, um pintor, nascido em Moscovo que se deslocou para a região de Nukus por volta de 1950. Foi assistindo ao desprestígio das culturas tradicionais e foi recolhendo ou comprando tudo o que encontrou disponível (tecidos, selas, brincos de nariz, …). Depressa chegou às telas de pintores proibidos, todos os que não respeitavam o “realismo socialista” . Esta recolha estendeu-se à Ásia Central e aos poucos a toda a URSS, sem critério de escolha: tudo o que estava escondido pelos próprios, pelas viúvas, por conhecidos foi empilhado em contentores e levado para Nukus. Até 1984, quando morreu, ocupou-se da selecção das obras e organização do Museu. Deixou-o de “herança” a Marinika Babanazarova, então com 30 anos, a actual guardiã. Savitsky só confiava em mulheres porque “não bebem vodca e mantêm os compromissos”.
O Museu de Belas-Artes de Nukus é hoje uma referência onde há obras que representam todos os movimentos artísticos do início do séc.XX, de pintores que não puderam ou não quiseram fugir da URSS. Museus como o Ermitage e galerias de Moscovo cobiçam várias obras. O Guggenheim de N.York gostaria de ter alguns dos 285 quadros de Kudriachov e só tem 6 !
O edifício actual do Museu foi inaugurado em 2002 e parecia ser um triunfo. A verdade é que é hoje uma estrutura degradada pelo clima, sobrevive sem qualquer apoio, numa cidade de 200 mil habitantes com 80% de desempregados. Marika defende as “suas” obras, não vende, manda fazer cópias para os turistas – os poucos que lã vão. As molduras são feitas de madeira reciclada de caixotes, os quadros pendurados com fio plastificado vendido para atar feno. Porque é que esta mulher, que foi profª catedrática de Filologia Inglesa, não desiste? “ Prometi-o a Igor Savitsky e romper essa promessa seria, para mim, pior do que a morte”. O marido morreu, os filhos foram para longe e vive com medo de que todas as obras sejam dispersas depois da sua morte. Criou um atelier de pintura no museu mas ainda não sentiu nenhuma “vocação”. Quando desespera, diz como Savitsky que é um “corvo branco “, “ seres especiais que acreditam que só a beleza pode salvar o mundo”.

As obras os Museu de Belas-Artes de Nukus também mereciam uma exposição que desse a conhecer ao resto do Mundo os pintores e a coragem de quem lhes preservou a memória. Heróis desconhecidos e quase esquecidos.






sábado, 5 de julho de 2008

Distracções …


Em dois dias seguidos tive distracções que podiam ter sido dramáticas.

Da primeira acho que ainda me estou a recompor : entrei no elevador, piso2, com um saco de rodinhas ( as compras da Ericeira…), um saco de lixo e o AMON pela trela.
Quando carreguei no piso 0 e depois da porta começar a fechar, o AMON saiu do elevador e eu fiquei com a trela na mão – a porta é das que fecham lentamente mas voltam a abrir quando se intercala um obstáculo ( mais alto que um pequeno gato …). Foi um sufoco do 2º andar ao rés-do-chão. Larguei a trela para que esticasse o mais possível e “milagre” : a distância era exactamente os 5 metros da trela . Quando subi em aflição estava o gato encostado à porta do elevador, cheio de medo e com dois dedos de trela ! Ainda me arrepio ao pensar o que podia ter acontecido. O pobre apanhou um susto tão grande que se deixou ficar deitado no cesto e dormiu durante todo o caminho em vez de barafustar e arranhar. Claro que tem tido mais mimos …
A seguir fui assar maçãs ao mesmo tempo que fazia sopa e outras coisas, como é natural. Esqueci-me de baixar o lume e quando me cheirou a queimado, retirei o tabuleiro do forno. O cheiro persistia e havia fumo a sair do forno. Achei que tinha vertido açúcar ou vinho do Porto e os vapores precisavam sair. O fumito aumentava mas não lhe vislumbrei outra origem …
Para abrir janelas e porta da rua, fui levar o AMON à vizinha de cima que decidiu descer sozinha para averiguar a origem de tanto fumo e encontrou a casa numa névoa descobrindo a verdadeira razão : numa prateleira abaixo do fogão, por onde o AMON gosta de se enfiar, tinha colocado uma toalha de praia a tapar a entrada – até “melhor” solução … O calor excessivo do forno e a grande ventilação que proporcionei fizeram o resto. Valeu a rapidez da minha vizinha que com coragem arrastou a toalha para o chão e sobre ela verteu imensa água. Apanhámos um grande susto, mais uns minutos e teria sido um incêndio grave.

“Não há uma sem duas, nem duas sem três”. Queria lembrar-me de uma terceira que já tivesse acontecido mas, deste calibre, acho que não aconteceu.
Fico à espera …
Melhor, vou comprar um fogão novo , fechadinho até ao chão ! E como nada é por acaso, vou estar mais atenta e menos precipitada!

sexta-feira, 4 de julho de 2008

HÁBITOS …

Diz-se que somos “animais de hábitos”. Se calhar …
Durante anos mostrei estranheza porque a minha mãe comprava quase tudo o que precisava na Ericeira . E lá vinha cheia de sacos com peixe, carne, legumes, fruta … E tinha a “desculpa” de morar numa zona com pouco comércio.
Passaram anos e eu estou a fazer o mesmo. Pior, porque tenho um mercado em frente da porta e lojas com tudo o que é necessário. Mas lá vou todos os fins de semana comprar “ervas” saloias. Eram duas as minhas vendedoras : a senhora do burro que morreu e uma outra com quem fiz a 4ª classe. Esta é uma pessoa simpática, magrinha, bonita, nervosa e bem disposta. Ela e o marido não fazem agricultura biológica mas “ correm atrás das lagartas” e usam uns truques como rabos de bacalhau pendurados nas árvores de fruto.
Quem corre mais na horta é o marido que é para o cultivo que tem jeito. Para apanhar o que vende, só ela – “ ele não faz a mais pequena ideia do que é preciso”. E para fazer contas rápidas de papel e lápis … é um consolo ouvi-la :
“ 9 mais 8, 17 e vai um …” . Sai tudo direitinho.
Quando nos reencontrámos ela lembrava-se que eu era aquela que queria ser professora de Geografia. Começou por aí mas acabou noutra coisa. Também começou por uma belíssima razão : “ quero ser professora para ter muitas férias”. Bem, é que para além das férias que eu tinha como aluna e julgava que os professores também têm, a nossa professora da 4ª classe passava muito tempo na rua a namorar enquanto nós fazíamos “trabalhos”. Também me enganei.
Da Ericeira não vêm só as “ervas” . O Srº Zé tem laranjas e meloas “ 5 estrelas”, nozes francesas ( que ele recomenda…), umas tartes de maçã deliciosas, queijos “que não engordam” e são óptimos … Do talho do Srº.João vêm os frangos que “não são do campo nem de aviário”, o chouriço de sangue doce com pinhões feito pela sua mulher, a carne de bife especial que também é óptima para grelhar e para assar.
E é assim que venho, muitas vezes, com dois carrinhos de rodas para Lisboa.

Não somos só animais de hábitos, também assumimos por vezes aquilo que na juventude julgávamos caturrice. Eu acho que faço colecção !



quinta-feira, 3 de julho de 2008

GATOS COM SIDA

Fiquei surpreendida quando a veterinária do meu gato disse ser precisa uma vacina para prevenir a sida. Surpreendida porque não sabia que os animais também podiam desenvolver a doença e surpreendida por haver uma vacina para gatos e não para humanos.
Agora, numa notícia enviada a 22.6 pela “Ciência Hoje”, li que “os gatos com sida são bom modelo para estudar vírus nos humanos”. Fiquei também a saber que o “vírus da Imunodeficiência Felina (FIV)” é uma das doenças mais mortais nos gatos e que também aparece nos leões africanos e nos pumas.
O FIV foi descoberto em 1986 por uma equipa de investigadores norte-americanos e não é transmissível aos humanos. Uma vez que a doença se transmite por contaminação sanguínea e os gatos da rua vivem em lutas frequentes, estima-se que cerca de 70% tenham a doença.
Importante foi também a descoberta do genoma do gato – da responsabilidade de uma equipa de que faz parte o geneticista português Agostinho Antunes, da Universidade do Porto. De acordo com este cientista “não somos assim tão diferentes“ do gato (quanto ao genoma, claro). Mesmo tendo em atenção a elevada taxa de mutação do vírus da imunodeficiência, “existem vários paralelismos entre o FIV e o HIV” e espera-se que a análise das semelhanças na evolução da doença em uns e outros, traga benefícios para os portadores de HIV.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Lixo e Responsabilidade


Há dias a Lis chamou a atenção para a sujeira do bairro onde vivemos. É ostensiva a irresponsabilidade e negligência da Junta de Freguesia, da C.M. Lisboa e dos trabalhadores responsáveis pela limpeza e recolha de lixo, sobretudo daqueles que saem todos os dias com os seus carrinhos de limpeza do Centro de Recolha de Lixo que fica mesmo aqui ao lado e nem vêm a quantidade de detritos grandes e pequenos que se acumulam à sua porta . E claros, irresponsáveis também são os cidadãos moradores …

Diferente perspectiva tem os autarcas e os trabalhadores da Junta de Freguesia da Ericeira. Mesmo que a noite tenha sido de “folia” com lixo e garrafas partidas deixadas pelas ruas, de manhã cedo está tudo limpo. E ninguém deita papéis ou pontas de cigarro para o chão – há recipientes em abundância para uns e outros. E os cãezinhos também não deixam cocós – os donos apanham porque há muitos locais com sacos de lixo para o efeito. E mesmo assim, ao longo do dia, vêm-se funcionários com equipamentos mais modernos ou mais antigos para apanhar o que escapa.
Não é só a abundância dos equipamentos de recolha de lixo – eles contêm mensagens que chamam a atenção: “ Utiliza-me”, “Obrigada pelo gesto”, “Por si e pelo Ambiente”.

Paralelamente a esta preocupação de ambiente limpo, a Junta investe na recolha selectiva de lixos e na sua reciclagem: rolhas de cortiça , papel e cartões, óleos de cozinha, orgânicos, vidros e garrafas inteiras, plásticos transparentes e rolhas de plástico, pilhas e roupas. Há numerosos postos com este conjunto de recolhas para além de muitos outros com as recolhas tradicionais. Há ainda um sistema de recolha personalizada em restaurantes e hotéis o que obriga a um trabalho até às 2 da manhã.
Existe também um Centro para recolha de aparelhos eléctricos, “verdes de jardim”, móveis, sofás e colchões.
Engraçado saber que as garrafas inteiras recolhidas, depois de separadas por tamanhos e embaladas, seguem em camiões TIR para Bilbau onde, depois de tratadas, são vendidas para o mercado vinícola francês …

A propósito da recolha de óleos para transformação em biodiesel e da multa aplicada à Junta por não estar autorizada a fazê-lo, soube de um apoio curioso e que passo a relatar.
Uma equipa constituída por três japoneses veio do Canadá para dar apoio à iniciativa da Junta e realizar uma viagem pela Europa, com um jipe equipado com uma micro-unidade de transformação de óleos de fritar em biodiesel, com autonomia para 900 km! É claro que apoios destes dão alegria e estímulo para continuar a lutar por um “melhor ambiente”, por soluções alternativas aos combustíveis tradicionais e por formas de melhor gerir os dinheiros públicos (mesmo quando se é multado).
Não votei no presidente da Junta de Freguesia da Ericeira, mas aplaudo o seu espírito de iniciativa, a sua ousadia e o seu trabalho.
Quem sabe votarei nele numa próxima ocasião …

Nota: sobre a viagem dos japoneses, o jornal “O Ericeira” informa que se pode saber mais em
www.biodieseladventure.com