quinta-feira, 7 de agosto de 2008

LIMPEZAS E…MAIS TRALHA!



As férias grandes são sinónimo e oportunidade para desenvolver inúmeras actividades que vão das férias aos passeios, das leituras adiadas aos filminhos amontoados junto ao televisor, do descanso às refeições leves e aos petiscos saborosos e…às limpezas de Verão!
Estas sempre foram uma canseira, uma dor de cabeça inevitável mas também uma oportunidade única para nos desfazermos de algumas inutilidades e de alguns monos que fomos juntando ao longo do ano. Depois, cada vez temos menos espaço para as nossas coisas, para aquelas de que não conseguimos separar-nos, para os livros, para os DVDs e CDs, para os recortes, para as revistas, para as fotos, para as roupas, para as recordações de viagens…
Então, inicia-se uma primeira fase de «limpeza», quer dizer, passa-se quase tudo em revista, mudam-se as prateleiras, as caixas e os arquivos e… sobra quase nada para dar (e a quem dar, hoje, muito do que guardámos com tanto carinho, empenho, profissionalismo?), para deitar fora (e como ter coragem para mandar para a reciclagem ou mesmo literalmente para o lixo, coisas que conviveram connosco, que são testemunhas do nosso dia a dia, da nossa profissão, sem as tecnologias de que hoje dispomos, que são como que um prolongamento da nossa essência?) ou, finalmente para voltar a guardar, alterando apenas o sítio onde vão ficar à espera de melhores ou piores dias…
Neste momento, lembro o quarto das arrumações que havia nas nossas casas antigas, nas casas dos nossos pais onde cabia sempre mais qualquer coisa. E vem-me à ideia que tudo pode vir a ser preciso, que a moda é cíclica, tudo voltará a usar-se mais tarde ou mais cedo, que nada substituirá o livro impresso, a foto em papel, que há os mais novos que podem vir a querer preservar algumas memórias, sei lá! Somos, afinal, neste momento a linha da frente, os guadiões do passado…
Neste momento, já adiei para o próximo Verão uma série de «coisas» que não consigo «resolver», penso, neste Verão.
Mesmo assim, passei os remédios todos à lupa para ver os prazos de validade e lá se foram umas pomadas, uns xaropes e uns pingos para a vista. Foram à vida jornais e revistas, papelada das aulas que já não interessam a ninguém, juntei umas tantas peças de roupa que já não uso há bastante tempo e poderão ser úteis a outras pessoas e… fico com a consciência mais aliviada.
Seguem-se as malfadadas limpezas, de aspirador e espanador em punho, com uma musiquinha de fundo a aligeirar a coisa, muitas lavagens com água fresquinha, que é o que nos vai valendo e, não tarda nada a casa fica mais cheirosa, limpinha, tudo a brilhar!
Quando der por terminada a tarefa, ficarei com umas dorzitas novas, talvez uns quilitos a menos, de tal forma este calor me faz transpirar e me retira o apetite e, certamente vou esticar-me na chaiselongue onde «me encontro comigo própria», depois de cada regresso à normalidade e sei que vou sonhar com a casa do futuro, daquelas comandadas por botões, que se autolimpam e que eu comandarei à distância para todas as tarefas domésticas!
Sonhar também é bom e…ainda não é proibido nem paga imposto!

quarta-feira, 6 de agosto de 2008

A REAL FÁBRICA DE GELO na Serra de Montejunto

O acesso fácil que hoje temos ao gelo e aos gelados, foi, desde meados do séc.XVI, obra de “muito engenho e arte” e coisa de ricos e frequentadores da corte. São reflexões e informações que se colhem depois de uma visita que fizemos ao que resta da REAL FÁBRICA DE GELO, na Serra de Montejunto - a 60 km de Lisboa, entre o Cadaval, Alcoentre, Alenquer e Vila Franca dos Francos.

A primeira utilização do gelo foi a partir de “gelo das neves”, “pouco higiénico” e de utilização muito limitada, recolhido nas Serras da Estrela e da Lousã depois de Filipe II, no séc.XVI, ter introduzido na corte o gosto pelas bebidas frescas e “gelados”. As informações que relacionam a produção de gelo à Serra de Montejunto são já do séc.XVIII, nos reinados de D.João V (1706-1750) e D. José (1750- 1777).
Consta que a REAL FÁBRICA DE GELO tenha sido construída por volta de 1741. Foi D.José que concedeu o 1º alvará de exploração a D.Catarina Ricard, a 18 de Setembro de 1750. Nesse alvará eram-lhe concedidos privilégios especiais relativamente ao transporte do gelo, desde o local de produção até ao seu destino. Mais tarde registou-se a compra e a reedificação da fábrica pelo “Neveiro de Sua Majestade”, Julião Pereira de Castro – registo que esteve afixado na porta principal do edifício dos silos.

Mas, como se produzia o gelo?
O “ complexo fabril” dividia-se em duas áreas distintas: uma para a produção do gelo e outra para a sua preparação, armazenamento e conservação.
A área destinada à produção era constituída por dois poços para captação de água, uma casa para as noras, um tanque principal para recepção de água que seguia em condutas para um conjunto de 44 tabuleiros calcários, amplos, com 10 cm de altura, destinados à congelação. Estes tanques eram cheios a partir do mês de Setembro, aguardando-se que, durante as noites muito frias, se formassem as desejadas placas de gelo.

A zona de preparação, armazenamento e conservação dispunha de 3 silos, os dois primeiros para preparação e conservação e o 3º para armazenamento. As placas de gelo eram transferidas, de madrugada, para os dois primeiros silos onde o gelo era compactado à força de maços e esforço humano. Havia todo um sistema de escoamento do gelo derretido de forma que os blocos pudessem ser transferidos em segurança para o 3º silo (o maior – com 9 metros de profundidade e 7 de diâmetro) onde, envoltos em palha, aguardavam o transporte. Todo este processo de produção e armazenamento era feito nos meses de Inverno para que, mal chegassem os primeiros calores, se procedesse ao transporte para a capital. Dessa logística e com essa responsabilidade, fora criado na corte o cargo de “Neveiro de Sua Majestade”, geralmente exercido por militares.

Uma vez retirados os blocos de gelo dos poços, eram envolvidos em fardos de palha e serapilheira e transportados no dorso de burros até ao sopé da Serra. Passavam depois para carros de bois que os transportavam até aos barcos – junto ao Carregado. Os “Barcos da Neve” tinham prioridade absoluta de circulação até Lisboa. As perdas eram muito elevadas mas o gelo que chegava era distribuído pela corte e pelos fidalgos que pudessem pagá-lo. A água gelada, servida em púcaros de barro, era muito apreciada nos salões dos fidalgos mas também se usava no tratamento de doentes e na produção de gelados para a corte.

A partir do sé.XIX, a actividade da fábrica decaiu e em 1850 fabricam-se os primeiros frigoríficos … é cómodo mas ficou tão fácil que já não tem graça… Deve ser esta falta de novidade que leva hoje à produção de gelados de sardinha, bacalhau, etc.

A Real Fábrica de Gelo foi classificada como “Monumento Nacional” em 1997 e é considerada “um caso único no mundo pela originalidade das suas estruturas e pelo razoável estado de conservação”.

Nestas férias, pode ser uma visita agradável.




terça-feira, 5 de agosto de 2008

GAIATO



De lata era
a bola
e a raiva,
nada mais existia
no momento em que explodia
aquela dor que gritava no rolar.

Rasgou a camisa
naquela briga
na esquina do pátio.

Rola a lata
nos sapatos cambados
novamente rotos, esfolados,
de tanta raiva contida…

Já cansado
mãos nos bolsos,
sorriso gaiato
do desabafo,
do amarrotado
de lata
que foi bola.

Lis

nota: fotografias pesquisadas em «olhares, fotografia on line»



segunda-feira, 4 de agosto de 2008

ADEUS “STRESS”


Não tenho tido motivos para grande stress mas quando os tiver, já sei o que fazer. Veja-se uma pequena notícia na revista “Sábado” desta semana:

“ Em Castellon (Navarra), foi organizada uma sessão de terapia anti-stress em que os participantes foram convidados para, literalmente, destruir á marretada televisões, máquinas de lavar, frigoríficos e carros”.

A não esquecer!

domingo, 3 de agosto de 2008

DOMINGO é dia de BOAS NOTÍCIAS


-“ Quando entrar em funcionamento, a fábrica de computadores a criar no Norte de Portugal por um consórcio que conta com a multinacional norte-americana INTEL, já terá quatro milhões de computadores encomendados”
( DN de 27/7)


-“ A brasileira EMBRAER anunciou a construção de duas fábricas de componentes e estruturas para aviões, em Évora. A EMBRAER é a 3ª maior fábrica de aviões do mundo “ ( DN 27/7)



- A recolha de resíduos plásticos aumentou 12% no 1º semestre de 2008, relativamente ao mesmo período do ano passado ( Expresso de 26/7)


- Elvira Fortunato da Universidade Nova de Lisboa, conquistou o 1º prémio de sempre dado a um investigador português, atribuído pela European Research Council ( ERC). O projecto vencedor, “Invisible”, “propõe-se fazer transístores e circuitos integrados transparentes usando óxidos semicondutores”. O ERC atribuiu ao projecto a nota máxima e inclui Elvira Fortunato no TOP5 mundial dos investigadores em electrónica transparente. É um prémio pessoal mas a investigadora também dirige o grupo do projecto de transístores com uma camada de papel como material isolante. ( Expresso 26/7)


- Boas notícias sobre energias alternativas : ( publicadas no jornal inglês “The Guardian” e reproduzidas no “Courrier internacional” de Agosto 2008)

. Estão a ser construídos 2520 painéis solares gigantes que tornam o Parque Solar da Amareleja o maior do mundo. A zona de construção é a que, na Europa, tem maior incidência de luz solar por metro quadrado. O parque estará instalado no final do
ano e vai fornecer energia suficiente a 30 mil habitações.

. No Norte está a ser instalado o maior Parque Eólico da Europa, com mais de 130 turbinas, ao longo da fronteira com Espanha.


. Perto da cidade do Porto está a ser montado o 1º Parque de energia das ondas do mundo com fins comerciais.





- O Governo português criou um Fundo para a divulgação e ensino da Língua Portuguesa, com as verbas que lhe cabem como parceiro minoritário em Cahora Bassa. A dotação inicial é de 30 milhões de euros. ( Mário Crespo, Expresso 26/7)



- Em Pequim há 4 universidades com cursos de Português e há outros cursos de Português em Xangai, Cantão e Chengdu. Um dos autores do dicionário Português-Chinês ( 1994) e decano dos professores chineses de português, diz que “ o português é uma língua de futuro na China”. Todos os estudantes “têm emprego garantido em empresas, no Ministério dos Negócios Estrangeiros e noutras instituições governamentais” . “ Angola é o primeiro destino dos nossos alunos, mas também o Brasil. ( Expresso, 26/7)

- A Ermida de Nª Senhora da Conceição, em Lisboa, entre os Jerónimos e Belém ( Travessa do Marta Pinto), construída em 1707, abriu esta semana como galeria de arte – com exposições temporárias e um núcleo fixo de Arte Contemporânea.



- “A equipa “Engenius-UA” da Universidade de Aveiro, participou pelo segundo ano consecutivo na competição “Fórmula Student” e ficou em 1º lugar. O objectivo principal do torneio é o de levar várias universidades, a nível internacional, a participar num desafio que envolve o fabrico de pequenos carros de corrida” ( Ciência Hoje)


E … uma QUASE BOA NOTÍCIA:

Um engenheiro informático português, Nuno Martins, concebeu um dicionário de bolso do tamanho de um cartão de crédito, com um custo de 2€.
Mas … só uma empresa chinesa se interessou no financiamento do projecto.
E … nenhuma editora portuguesa disponibilizou, até hoje, o “ dicionário”!


Para terminar esta 1ª edição de boas notícias, era preciso poder dizer que, nesta última semana a autoestima da alma lusitana tinha registado progressos … mas não tivemos notícia.








sábado, 2 de agosto de 2008

Fernão de Magalhães

A propósito do computador “Magalhães” que vai ser fabricado em Matosinhos, e será distribuído a todas as crianças do 1º ciclo , exportado para África, América Latina e Europa, lembrei-me do livro de Gonçalo Cadilhe, “Nos Passos de Magalhães”(que também foi série de televisão -RTP2).
Para o autor, o objectivo principal ao escrever o livro foi: recordar aos portugueses a importância de Fernão de Magalhães na História Universal … recordar o seu contributo para várias disciplinas do saber europeu, a sua responsabilidade na determinação da verdadeira dimensão do mundo, a sua figura pioneira no encontro de culturas e civilizações e, por fim, recordar a tremenda qualidade heróica e épica da sua figura …”. Mas o autor vai também escrevendo um livro de viagens ao seu estilo: “ a descrição das peripécias e contratempos, os encontros culturais que se dissimulam nas amizades efémeras das estradas de pó, os instantâneos que revelam o mundo”.

Só por curiosidade e para justificar a oportunidade do nome dado aos “novos” computadores, recordei alguns apontamentos do livro que mostram a universalidade de Magalhães:
- em 1989, a NASA enviou uma sonda para Vénus baptizada “Sonda Magellon”, em honra do navegador;
- uma das crateras da Lua chama-se “Magalhães”
- duas galáxias visíveis no hemisfério sul a olho nu, chamam-se “Nuvens de Magalhães”;
- ao “Estreito de Todos os Santos” veio a chamar-se “Estreito de Magalhães”, em sua homenagem;
- o nome científico dos pinguins do Atlântico Sul é “Spheniscus magellanicus”;
- Magalhães também é responsável pelo nome dado ao maior oceano da Terra, “Oceano Pacífico” (quando a sua “Armada das Molucas” o atravessou apanhou grande calmaria); também a ele se deve o nome dado à região da “Patagónia” e à cidade de Montevideu (ao avistar terra, terá gritado, “monte videm”).

Não sabia e aprendi no livro de Gonçalo Cadilhe que Fernão de Magalhães, antes de ser o navegador que ficou na História, serviu como militar Francisco de Almeida e Afonso de Albuquerque e participou em conquistas no Oceano Índico. Não me lembro de muito mais mas vou reler o livro e aguardar os novos computadores que vão ter instalado o sistema LINUX - um sistema operativo com licença livre (todos os interessados podem usá-lo e distribuí-lo).


sexta-feira, 1 de agosto de 2008

DIVINA!

Sempre que sei de qualquer «coisa» que possa interessar aos outros gosto de a dar conhecer…
Ontem, visitei pela mão da minha amiga, a quem carinhosamente, por vezes trato por Jôjô, a Exposição, patente no Museu da Electricidade em Belém, dedicada à cantora soprano Maria Callas, Não sou uma expert no canto lírico, embora já tenha assistido a várias Óperas famosas, tanto no meu país como no estrangeiro, com muito entusiasmo e agrado. Acima de tudo o que aprecio e me emociona são as vozes a que sou muito sensível, considero mesmo a voz como o mais perfeito instrumento musical. Ontem, desde que entrámos no recinto destinado à exposição até que saímos, fomos acompanhadas, como pano de fundo, por uma selecção muito cuidada de áreas de óperas, cantadas por Maria Callas! Espectacular!
Depois, a exposição em si está bastante bem organizada, com muito gosto e equilíbrio, divulgando um espólio de objectos pessoais, presentes recebidos ao longo da vida, trajes de cena e roupas pessoais, alguns cenários, uma vasta colecção de documentos originais, manuscritos (e que linda letra ela tinha, lembrou-me a da minha mãe e uma certa época). Há ainda duas apresentações em data show, uma sobre a vida e obra da diva e outra com excertos de espectáculos de Maria Callas.
Esta exposição é uma co produção do Teatro Nacional de São Carlos e da Fundação da EDP, assinalando os cinquenta anos da vinda da cantora a Lisboa, para interpretar o papel de «Violeta», na ópera «La Traviata» o que constituiu um acontecimento único para a época.
A secção destinada à apresentação das roupas de alta costura francesa que Maria Callas usou com bastante elegância está simples mas bastante bem concebida, mostrando como são sempre actuais as criações de Lanvin, Dior e Yves Saint Laurent.
Das muitas palavras da Diva, que se encontram em destaque no recinto da exposição, deixo aqui duas citações que deixam adivinhar como foi exigente, avassaladora e, ao mesmo tempo, solitária e efémera a vida desta grande figura do canto lírico:
«Vivi para a Arte e para o Amor!» e, por outro lado, «Na minha vida tive grandes sucessos; mas fui admirada, não amada!»
Saímos porque era hora de fechar, 18 horas, não porque estivesse esgotada a exposição…
Como está aberta até final de Setembro, ainda queria lá voltar…
Fica a sugestão e…boa notícia, é gratuita a entrada!