domingo, 12 de outubro de 2008

BOAS NOTÍCIAS 11

- A Faculdade de Economia da Universidade do Porto iniciou na 6ª feira a 2ª edição do Curso de pós-graduação em Gestão de Fraude.
(salientamos a oportunidade do curso …)
(Global)

- O Museu do Oriente promove um curso de introdução ao estudo da língua e cultura chinesas, com início a 11 de Outubro e termo a 4 de Julho.
(Global) - A pianista Mª João Pires foi solista em três concertos na Berliner Phillarmonie
com a orquestra residente, uma das melhores do mundo.
Tocou exclusivamente obras de Mozart.
( Expresso)- A Eduardo Lourenço foi atribuída esta semana a Medalha de Mérito Cultural como “agradecimento e homenagem” do Governo. A medalha foi entregue na abertura do Congresso Internacional Eduardo Lourenço – 85 anos”, organizado pelo Centro Nacional de Cultura.
(Expresso)- Uma cientista portuguesa, Diana Prata, a trabalhar no Instituto de Psiquiatria do King’s College de Londres, descobriu que o gene DISC1 é responsável pela diminuição de capacidades cognitivas nos doentes com esquizofrenia e doença bipolar. A descoberta abre possibilidades no estudo de medicamentos.
Para simplificar, diz “ ter esta variante do gene pode estar para a esquizofrenia como a tensão alta está para as doenças cardíacas”.
(Expresso) - Reabriu, depois de remodelado, o Museu do Fado, no Largo do Chafariz de Dentro, nº1, aberto de 3ª a domingo, entre as 10h00 e as 18.h00, com entrada a 3€.
O museu disponibiliza aos seus visitantes vários serviços como: audioguias, postos de consulta com uma base de dados, imagens e fados para serem ouvidos, uma sala de exposições temporárias, um estúdio de rádio, cedido pelos arquivos da RDP, uma cafetaria, um restaurante e a realização de espectáculos todas as noites.
(Time Out)
- No Atrium Saldanha e para comemorar os 10 anos de existência do Centro Comercial, está patente uma exposição «Praça Duque de Saldanha 1900-2008: viagem no tempo em 30 fotografias», no piso 0, até 31 de Outubro. Para quem conhece ou vive na zona, vale a pena a viagem!
(Time Out)



- E já que falamos de saídas, a Carris disponibiliza gratuitamente, desde 19 de Setembro, um «night bus» para que os noctívagos possam passear, beber, com alguma moderação, claro, e regressar a casa, bastante tarde sem ter de levar o carro para as zonas de maior confusão. O serviço funciona todas as sextas, sábados e vésperas de feriado, entre as 22h e as 5h da manhã. Há, por agora dois percursos, um entre o Marquês de Pombal e Belém e o percurso ribeirinho, entre o Cais do Sodré e Alcântara Mar, com passagem pela Av. Brasília e a 24 de Julho. Há sempre dois polícias a bordo para evitar as confusões. Quem já experimentou o autocarro preto, com linhas coloridas, diz que o serviço é bom, passa com bastante frequência e evita muito stress.
- Siza Vieira foi distinguido com o prémio Royal Gold Medal , um prémio britânico de grande prestígio que já foi ganho por Le Corbusier e Frank Gehry.

sábado, 11 de outubro de 2008

BALADA DO OUTONO

Não há dúvida, hoje cheira a Outono!
Arrumam-se as roupas de Verão até à próxima Primavera; regressa o conforto das lãs, o cheiro das lareiras e das queimadas, o pôr do sol alaranjado, perdendo-se rapidamente na linha do horizonte. Já se vêem as castanhas, as romãs e os marmelos nos seus tons outonais, harmonizando com os dourados das folhas das árvores.
O Outono traz sempre alguma nostalgia, lembranças, saudades…
Hoje lembramos Zeca Afonso e a canção Balada de Outono:

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Uma coisa boa …

“Mangos” de uma mangueira que cresce como Deus quer, na “fazenda” de uma amiga, no Funchal. Chegaram ontem. Comi logo três, com casca, como quando era pequena e os apanhava das árvores , em Luanda. Só que hoje lavei-os e em criança limpava-os ao bibe, tal como fazia com as goiabas … Depois também limpava ao bibe as mãos lambuzadas e ficava com marcas amarelas na cara e fios do fruto enfiados nos dentes . Quase sempre aparecia o “homem do saco”(1) e eu lá ia a correr para casa ouvir reprimendas da minha mãe.
Os “mangos” ou “manguitos” foram uma coisa boa deste dia.

(1) era o cozinheiro que se disfarçava para me assustar …

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

ANIMAÇÃO

Um dos objectivos deste blog é o partilhar aspectos interessantes da vida, criticas reflectidas do que vai acontecendo no País e no Mundo e deixar um pouco de tudo: fotografias, pintura, poesia. Chegou o momento de postar alguns vídeos, escolhemos temáticas que do nosso ponto de vista são interessantes. Hoje vamos fazer uma viagem cósmica.


quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Ambientalistas e Ecocolonialismo


Vivemos um tempo de estranhas opções mesmo que, muitas vezes, bem intencionadas. Veja-se o seguinte:
Em “sites” de algumas ONG’s ou fundações propõe-se que sejam salvos certos locais do Mundo, comprando por alguns cêntimos, uns quantos centímetros quadrados de solo. Por ex: “ Dez centímetros quadrados de floresta tropical por 20 cêntimos “ ; “um metro quadrado do atol de Palmira por …”. Mas também se vendem “ 4 046 m2 de um corredor para elefantes indianos por 61 euros”, “ 2000 m2 do Pantanal do Chaço (Brasil), por 30,5 euros”.
Mas não é só nestas paragens exóticas que se compram terras para preservar a Natureza. No Reino Unido, a Fundação Woodland promoveu a compra de 1100 bosques por 200 mil apoiantes! Nos Estados Unidos, o Governo vende terrenos públicos para que os privados os preservem de maus usos e aí os ambientalistas abastados são bem vindos.

Mas, se nos países ricos esta estratégia parece ser eficaz, nos países pobres teme-se por uma nova forma de colonialismo ecológico – o ecocolonialismo. Já foi por esta via que muitas populações foram deslocadas das suas terras (das quais, naturalmente, não têm título de propriedade), impedidas de cultivar, caçar ou pescar, para os novos donos criarem parques e reservas naturais …
Investigadores do Programa Povos Florestais descrevem “expulsões forçadas, violações dos direitos humanos e destruição dos seus modos de vida, como resultado directo da acção ecologista na região”.
É em África, na Índia e nas Filipinas que esta prática ambientalista tem feito mais estragos junto das populações indefesas: os bosquimanes do Bostsuana, os nómadas Gujjar da Índia, os naturais da ilha de Palawan nas Filipinas (1), os pigmeus do Congo (expulsos das suas terras para se criar um parque nacional para gorilas e a viver agora na miséria e em situações de quase escravatura).
Receia-se também que o “chapéu” ambientalista fomente o ecocolonialismo como mais uma excentricidade dos muito ricos. É assim que, na Patagónia, cerca de 300 americanos ricos compraram milhões de metros quadrados de locais selvagens que incluem lagos, rios, montanhas. Criam-se neles parques
privados que pretendem preservar a Natureza, fomentando o turismo e o lucro privado … Estão entre eles “os patrões da moda Luciano e Carlo Benetton, e os actores Sharon Stone e Christopher Lambert” e também Ted Turner, fundador da CNN. Acontece que parte destas terras cobrem um dos maiores reservatórios de água do mundo e a imprensa argentina “ sugere que Turner pretende apoderar-se dos recursos aquáticos e conduzir os agricultores argentinos à falência”.

Um empresário sueco (John Eliasch), conselheiro florestal de Gordon Brown, através de uma ONG que lidera, comprou 1619 km2 de floresta amazónica por 9,86 milhões de euros e quer comprar outras partes do Equador e do Brasil - o governo brasileiro já lhe disse que o “Brasil não está à venda” e acusou-o de estar a atacar a soberania nacional.

Estas vendas pela Internet, sobretudo as que são feitas em campanhas ambientalistas, que parecem bem intencionadas, levantam problemas jurídicos sérios: quem dá dinheiro para que uma floresta não seja abatida por madeireiros, é ou não o dono das árvores? É que o comércio do carbono está aí … ter árvores dá créditos em emissões de carbono e os países pobres podem vender esses créditos aos países ricos que continuam a poluir.

Admite-se que “o ambientalismo poderá crescer ainda mais, assumindo maior controlo sobre as comunidades locais do que os colonialistas do passado”
Mundo complicado e perverso este!

(1) A última fotografia é do parque nacional da ilha de Palawan. Os naturais da ilha perderam as suas terras, emigraram ou são assalariados e vivem agora das receitas do turismo. Isto é “preservação” e progresso?

Nota: informações e fotos do artigo “ Comprar a Terra aos bocadinhos” de John Vidal, publicado pelo “The Guardian” e transcrito no “Courrier internacional” de Outubro 2008.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

“INVESTIGAÇÕES QUE VÃO MUDAR O MUNDO”

Diz-se que 2012 é o fim de um ciclo de vida na Terra, sobretudo porque o calendário Maya termina em 2012. Muitas profecias interpretaram esse sinal como “o fim dos tempos”, com catástrofes, guerras e destruição da Terra e dos seres que nela vivem.
De há uns tempos para cá, outras profecias consideram que 2012 é apenas o fim de um ciclo de materialismo bruto sendo que, para além dele, estará uma época em que os avanços tecnológicos e mentais nos farão viver de outro modo, com uma maior unificação e desenvolvimento espiritual e com novos paradigmas materiais.

Foi nisso que pensei quando li, neste fim de semana, uma “ antecipação às investigações que vão revolucionar as nossas vidas nos próximos anos”, pedida pelo “Expresso” a oito cientistas portugueses. Aí vão algumas:
- Os veículos eléctricos, dentro de 20 anos, serão a norma nas nossas estradas – veículos “plug-in” (de ligar á corrente). Para daqui a 2 ou 3 anos poderá esperar-se que as frotas de transportes urbanos sejam eléctricas. O alargamento a outros veículos só depende do desenvolvimento de baterias de grande autonomia. (informação de João Peças Lopes, coordenador da Unidade de Sistemas de Energia do INESC - Porto);
- Os robôs humanóides irão auxiliar-nos “ nas tarefas domésticas, a brincar com os nossos filhos ou a fazer companhia a idosos”(!!) - que grande inovação para descartar consciências … Poder-se-á comunicar com as máquinas da mesma forma que o faremos com as pessoas. Serão mesmo inteligentes: quando colocados perante uma tarefa, ou a executam ou sugerem alternativas! (isto diz Norberto Pais, presidente da Sociedade Portuguesa de Robótica);

- A medicina regenerativa vai permitir-nos, primeiro, receber transplantes de órgãos produzidos com as nossas próprias células e, mais tarde, tal como os lagartos e as salamandras, irá permitir que se faça crescer um dedo ou um membro perdido … “ Depois da revolução industrial e da revolução das tecnologias, chegou a era da revolução biotecnológica” – diz Rui Reis, director do Instituto Europeu de Excelência em Engenharia de Tecidos e medicina Regenerativa”;
- Vamos poder guiar e ser guiados pela mente, diz António Damásio. Essa é a aplicação prática mais importante da neurociência. Será possível usar, por exemplo, sinais cerebrais para mover próteses robóticas, usar o pensamento (a actividade electromagnética do cérebro) para controlar objectos … e talvez transmitir telepaticamente (digo eu);
- Com a electrónica molecular poderão ser criadas coisas tão fantásticas como:
“mapas interactivos em papel para guias turísticos, garrafas de água que reduzem a sua dimensão à medida que o líquido é consumido, janelas que são ecrãs de computador, mesas de madeira com tampos virtuais, “t-shirts” em que poderá mostrar ou esconder o seu número de telemóvel “ …
É nesta área que trabalha Elvira Fortunato que foi notícia por ter criado um transístor de papel. A “electrónica molecular” utiliza os componentes básicos da matéria (átomos e moléculas) para realizar num circuito eléctrico, as mesmas funções que hoje se criam com o silício. Isto vai conduzir a uma miniaturização de todos os circuitos e produzirá uma revolução na indústria informática e electrónica.
(informações de António Câmara, fundador da YDreams e docente da FCT-UNL) São respostas de alguns cientistas portugueses, que estão naturalmente, inseridos na investigação mundial, mas, se outros fossem questionados, teríamos um “filme de ficção” ou um “Admirável Mundo Novo” que nos faria sentir na Idade Média (sendo que esta não foi uma época obscura como a têm “pintado”). Nesta ou noutra reencarnação, cá estaremos para ver …

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

Abertura do Ano lectivo … há muitos anos!

Há muitos anos, o dia 6 ou 7 de Outubro era o 1º dia de aulas e o ano lectivo terminava a 10 de Junho. E havia “férias grandes”! Chamar “férias grandes” ao que são hoje é mesmo só porque são maiores do que as outras …
O rendimento escolar não era muito diferente do actual, pelo menos depois da democratização do acesso à escola.

Quando andava no Colégio este era o dia de regresso ao internato. Procurava-se o novo alojamento (a partir do 3º ano, hoje 7º, as camaratas davam lugar a uma sucessão de pequenos quartos), desfaziam-se as malas, contavam-se peripécias das férias, respirávamos de alívio ou suspirávamos de preocupação ao saber da nova vigilante. Se “ela merecia”, começávamos logo a imaginar estratégias de desobediência e formas de a fazer passar um “mau bocado”. Claro que o feitiço se virava quase sempre contra o feiticeiro e os castigos eram certos.
Detestava as rotinas do colégio e tudo o que lá se passava. Recorria ao que podia para desobedecer: descer as escadas de escorrega pelo corrimão, fingir que tomava banho deixando o chuveiro a correr (às vezes, a água era fria), esconder os livros em vários locais só para não os forrar no início do ano, não comer a sopa quando via algum “mosquito” das couves, tirar as peles do bacalhau (era proibido …), comer o pão com a manteiga na côdea, “roubar” livros proibidos na Biblioteca; esconder chocolates e outras coisas trazidas no fim de semana, em bolsos falsos que a minha avó me fazia e usava por baixo dos uniformes, colaborar em todas as maroteiras que se organizavam.
Também me distraía em algumas aulas chatas e “passava-me” para um mundo de histórias inventadas. Recusava responder quando me chamavam “ 270” e dizia que tinha nome - talvez por isso nunca soube o número de nenhum dos meus alunos e sempre aprendi os seus nomes nas primeiras aulas.
Claro que o resultado de tudo isto nunca me foi muito favorável … mas seria igual se as aulas começassem a 15 de Setembro!
Podíamos passar um fim de semana em casa de 15 em 15 dias e, quando já estava no 3º ou 4º anos (7º/8º), passou a ser possível sair nos domingos intercalares. Desejava e detestava aquelas saídas sempre a prazo e por vezes ficava de castigo.
Nunca “chumbei” mas não gostei nada do que vivi naqueles 7 anos. Nunca mais voltei ao Colégio e só uma vez me encontrei com ex-alunas que todos os anos se reúnem para almoçar.
O 6 de Outubro faz-me lembrar esses tempos mas também outros enquanto docente. Sentíamos que havia tempo para fazer na escola as tarefas necessárias à abertura do ano lectivo e sobrava muito tempo para pôr em ordem o que o ano de trabalho deixara em desordem, ter um mês de praia ou mais, descansar. Houve mesmo uma época em que, porque estava destacada noutras escolas, não tinha tarefas atribuídas nem numa, nem noutra. Bem mas, depois … com ano lectivo a começar em Outubro ou em Setembro, durante muitos anos, as férias não foram mais de 15 dias …
Acho que, para os professores, 22 dias de férias é pouco porque não podem ser exclusivamente para descansar e ter uma actividade diferente. Precisam de reflectir sobre o ano que passou e pensar na preparação do seguinte. Nunca, com os 22 dias, recomecei um ano com a sensação de “precisar” de o fazer mas, com aquelas “férias grandes”, acabava com saudades e ansiosa por ver os novos alunos.

Agora, os pais vivem no pânico dos filhos terem férias e vive-se um frenesim de organizar a ocupação desses tempos em que não há aulas. Compreendo, mas acho que faz falta a cada um, em qualquer idade, aprender a ocupar o seu tempo, “entreter-se” com os seus próprios recursos (materiais e, sobretudo, pessoais).
Mas isto é conversa de quem tem uma certa idade …