sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

O nosso BURACO NEGRO!


O Grande Telescópio Europeu localizado no Chile permitiu a astrónomos alemães descobrir um “buraco negro maciço”, bem no centro da nossa Galáxia, a Via Láctea. É a primeira prova directa de um buraco negro. Este, está a 27 anos-luz da Terra, tem o diâmetro do Sol e uma massa de 4 milhões de sóis!
“Um buraco negro é um objecto cuja gravidade é tão intensa que nem a luz consegue escapar do seu interior”.

A notícia foi publicada no Diário de Notícias do dia 11 . O que mais me chamou a atenção foi saber que os investigadores que fizeram a descoberta levaram 16 anos a concluir a observação – o tempo de uma determinada estrela completar uma órbita em torno de uma massa cuja gravidade a atraia e obrigava a orbitar: o buraco-negro.
Já se suspeitava da existência deste buraco-negro no Centro da Galáxia, através da extraordinária actividade gravitacional existente e confirmou-se. É o único na Via Láctea ( uma galáxia tem um ou nenhum, diz a notícia). É a primeira evidência directa da existência desses objectos no Universo.

Depois de 16 anos de suspeita e observação, temos “o nosso Buraco Negro”!
Queremos respostas rápidas para tudo. E é bom, de vez em quando, recebermos lições de persistência, determinação e paciência.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

DA ERICEIRA…MAIS UMA ÓPTIMA APOSTA


No último fim de semana, pela mão da Goiaba, chegaram-me às mãos uns deliciosos pãezinhos de mistura, vindos da Ericeira, nesta embalagem original.
Aparentemente, parece um jornal, desses que todos os dias circulam gratuitamente com as principais notícias nacionais ou internacionais e puseram definitivamente os portugueses a ler. Olhando mais atentamente, pareceu-me um pequeno saco de farinha ou de cimento, sei lá!
Retirados os pãezinhos, o saco quase ia parar ao lixo, na pressa de arrumar e de colocar tudo em ordem…felizmente, uma pontinha de curiosidade falou mais alto e o saco foi visto com a atenção devida. E que descobri?
Uma solução diferente para embalar, de forma ecológica e cultural, os saborosos pães, até porque há o apelo a que se recicle o saco protegendo o ambiente.
Assim, neste pacote, que é, por agora, actualizado quinzenalmente, há espaço para um anúncio de trabalho, a partir de casa, através da net, o convite à prática de Pilates, num ginásio, com desconto e tudo, um pintor que se oferece para todo o tipo de trabalho, o anúncio de uma engomadoria, com preços convidativos, outros pequenos anúncios, uma óptima receita culinária, um rectângulo com um passatempo Sudoku e, aproveitando o espaço do fole do saco ainda fica espaço, de um lado, para um Horóscopo, com previsões para todos os signos e do outro, o convite a todos os que queiram aproveitar este espaço para anunciar. E o saco, acreditem, ainda tem um largo espaço vago, à espera de novos anunciantes!
Esta é uma iniciativa da BagNews Portugal que, através de um contrato de licenciamento, concede a distribuidores o direito de exploração e uso da marca/produto em diferentes regiões do país.
Marquesices gostou particularmente desta ideia e pensa que ela deveria ser adoptada por muitas outras localidades, cumprindo uma tripla finalidade – ecológica, cultural e publicitária!
Para os interessados aqui fica o contacto
bagnews.portugal@gmail.com.


quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Viagem de cacilheiro

Preso ao cais
ele espera baloiçando-se…

E eles vêm
caminhando sem tempo
para a festa dos olhos
e do rio…

Amarras que se desapertam
e o marinheiro atento
sorri ao sol
às gentes
e com elas parte
com destino à outra margem.

Que festa para os olhos
o lago de espuma
a neblina
o Tejo que se espreguiça…

O Mestre ao leme
cortando o verde rio
atento ao desafio da maré.

E os distraídos da vida
sem tempo para ver
olham para dentro
e pensam…………………..
………………………………….

O rio escorrega
na neblina envolvente,
trazendo e levando
em braços, baloiçando,
gente, muita gente
que de margem a margem
marcam o seu tempo.

Espreita-se à janela
e já a chegada se avizinha,
outra cidade,
me vigia.

As gentes inquietam-se
apressam-se
ao encontro de outros destinos.

O cacilheiro
silencioso
encosta ao caís
abrindo os braços
para lançar os que transportaram sonhos
num tempo breve
sobre a superfície do rio…

LIS 1989
Nota: Imagem de pauloguerrinha , da net.

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

FLORBELA ESPANCA será sempre lembrada

Sei que hoje farias 114 anos.
Pasmo, como a tua presença se manteve todo este tempo, geração após geração, em novas edições de livros de poesia, fotobiografias, agendas perpétuas, postais, cartazes, discos.
Que energia tão forte deixou o teu espírito criador que ainda hoje te olhamos com veneração?
Que força é essa amiga?!
Desde sempre foste companheira.
Lembro o primeiro livro que me ofereceram, tinha apenas 14 anos. Como esse livro está amarelado, cheio de sublinhados, anotações e manchas de impressões digitais por ter sido tão folheado.
Quando tinha 20 anos continuavas a ser companheira, ias sempre nas malas de viagem. E quando me sentia mais perturbada pela insensibilidade do Mundo, ia conversar contigo a Vila Viçosa. Percorria aquela bela vila e dizia-te dos meus males de coração e de alma.
Prometi que um dia te faria uma homenagem, não sabia ainda como, mas teria que ser.
A 13 de Março de 2000 fiz uma exposição de pintura – “Pintar Forbela”. No mesmo ano fiz outra em Vila Viçosa, no dia do teu aniversário e depositei um ramo de flores junto à escultura que te representa.
Conclui a minha promessa. Serenei!...
Também serenei porque o amadurecimento da vida, tempo que não quiseste viver, nos dá um entendimento dos porquês de tanta mágoa e paixão nessas décadas de grande ansiedade.
Hoje, ao ler tua poesia, continuo a sentir a profundidade dos teus pensamentos, a riqueza do teu espírito que vivendo fora do “Teu tempo”, teve a ousadia de desafiar a sociedade, os preconceitos e de tentar ser livre numa época cinzenta de mentes provincianas.

LIBERTA!

Eu ponho-me a sonhar transmigrações
Impossíveis, longínquas, milagrosas.
Voos amplos, céus distantes, migrações
Longe…noutras esferas luminosas!

E pelo meu olhar passam visões:
Ilhas de bruma e nácar, d`oiro e rosas…
E eu penso que, liberta de grilhões,
Hei-de aportar às ilhas misteriosas!
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domingo, 7 de dezembro de 2008

BOAS NOTÍCIAS 19


- No próximo dia 9, um ano depois da cimeira EU-África, o governo anuncia a criação de um Centro de Arte Africana Contemporânea. “ O África.cont” ficará instalado num edifício do séc.XVIII, Tercenas do Marquês, próximo do Museu Nacional de Arte Antiga. A recuperação do edifício será entregue a um arquitecto africano – David Adjaye. O projecto já foi apresentado à entidade financiadora (Fundação Gulbenkian). Embora as obras só devam estar concluídas em 2011, as actividades começam em 2009, em espaços provisórios.
(Público, 2/12)

- Neste fim de semana pode ser visitada a XXII Feira Internacional de Minerais, Fósseis e Gemas, no Museu Nacional de História Natural, em Lisboa. A entrada é gratuita e ainda pode dar um saltinho ao Jardim Botânico, mesmo ao lado.
(D.Not. 5/12)


- Investigadores portugueses desenvolveram um método inovador para preservar as células estaminais do cordão umbilical. Trata-se de um processo diferente da criopreservação utilizada até agora. Pedro Cruz e Hélder Cruz, do laboratório ECBio, trabalham neste projecto há dois anos.
(D.Manhã, 5/12) - A Junta de Freguesia da Ericeira disponibilizou mais um recipiente para recolha selectiva de lixo: um depósito para a pastilha elástica. E também substituiu os recipientes para os sacos de plástico que os donos de cães devem usar … mais pequenos, mais práticos, menos sugestivos para quem não tem cão … (http://ericeiralocals.blogspot.com/)

- Para pessoas com mobilidade reduzida, a deslocação em Lisboa, vai ficar mais facilitada a partir desta semana, com o lançamento, na Internet, do «Portugal Acessível» que lista vários locais públicos com acessos especiais.
(Meia-Hora, 3/12)



- O livro «Jazz Covers», que reproduz cerca de 700 discos deste género musical, do português Joaquim Paulo, foi considerado o melhor livro de Jazz, em França, tendo-lhe sido atribuído pela Académie da modalidade o galardão «Prix du Livre de Jazz 2008».
(Global, 3/12)

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O conflito do DARFUR

Quis saber mais sobre a questão do Darfur, do genocídio dos africanos não árabes e da responsabilidade do Governo do Sudão. Encontrei um livro escrito por um natural do Darfur , Daoud Ibrahim Hari : “O Intérprete”.

Daoud é um “zaghawa”, tribo do sul (Darfur), não árabe, que cresceu entre agricultores ( o seu povo) e nómadas criadores de gado (árabes), em harmonia. Foi apanhado pela guerra e sobreviveu para contar.

“Dar” significa “terra” e “fur” é a designação dos povos tribais mais a sul que vivem essencialmente da agricultura. Um líder dos Fur foi rei, no séc.XVI, de uma vasta região ocupada hoje pelo Chade e pelo Sudão – era então o grande Darfur. O território foi depois dividido entre franceses (Chade) e ingleses (Sudão) e o Darfur passou a uma região dispersa por dois países.
A partir dos anos 80, a seca levou os nómadas a procurar melhores pastagens e água para o gado, deslocando-se para sul. Os primeiros confrontos com os agricultores zaghawas resolveram-se mas os zaghavas também foram pressionando os massalites e os fur, mais para sul … Houve pequenos conflitos, promessas de uma autonomia controlada para o Darfur e até a esperança de poderem beneficiar da exploração dos “suas” jazidas de petróleo.
Mas, a partir do golpe de estado que levou ao governo minoritário árabe de Umar al Bashir, a lei islâmica impôs-se a todo o país, a exploração do petróleo foi nacionalizada e cedida aos chineses, fizeram-se acordos com o Egipto para criação de grandes quintas agrícolas no sul geridas por árabes, criaram-se relações privilegiadas com os grupos fundamentalistas de Osama bin Laden. Ao mesmo tempo no sul começou a falar-se de independência. Armas não faltavam porque o coronel Khadafi, na década de 80 usou o Darfur como base para atacar o Chade. Foi o bom pretexto e a grande ocasião para o governo de Cartum implementar um plano de expulsão do território do Darfur das tribos africanas não árabes. Começou por dar apoio aos nómadas que queriam territórios mais férteis, depois armou as milícias “janjawid” e encorajou o ataque e a destruição das aldeias do sul , em simultâneo colocou o exército e todo o seu equipamento pesado e aéreo ao serviço dos janjawides. Começamos a ouvir falar de genocídio de um povo.
Os países vizinhos encheram-se de refugiados e Daoud, cuja aldeia foi atacada e destruída, foi um dos que passou para os campos de refugiados do Chade.
Porque dominava o inglês e precisava de trabalhar, tornou-se intérprete de jornalistas de todo o mundo que queriam testemunhar os ataques e comprovar o genocídio no Darfur.

Porque ainda está vivo, escreveu um livro para deixar um testemunho e um grito.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

Um Natal gelado

Para quem não esta “nem aí” para a crise financeira, é pensar num Natal diferente : consoada no Hotel do Gelo . Fica na Suécia, perto da aldeia de Kiruna (Lapónia), a 200 km do Círculo Polar Árctico.
A construção está a cargo de 27 artistas de diversos países que, a partir de 1 de Dezembro, constroem suites de vários estilos, sauna, dois restaurantes e um bar, uma igreja,… A construção vai sendo feita por fases, primeiro as suites simples e o bar, prontas a partir do dia 10 quando chegam os primeiros hóspedes ; a 25 de Dezembro estará pronta a Igreja e os restaurantes ; até 30 constroem-se as suites de luxo, preparadas para a passagem do ano. A construção só está concluída a 7 de Janeiro, para a festa dos Reis. A partir de Abril começa a derreter.
Diz quem experimentou que é muito confortável, embora a temperatura ambiente seja de 5º negativos. Nos quartos de gelo dorme-se bem, em sacos-cama quentinhos, com roupa adequada e, “imagine-se deitado/a numa cama azul-glaciar, num quarto esculpido no gelo,…, com clarabóias rasgadas que permitem ver as estrelas” . O hotel também tem quartos quentes(?) – mas não deve ter graça nenhuma.
E também é bom pensar nos passeios de trenó para ver “auroras boreais” ( se tiver sorte), fazer safaris na neve, “trekking” na floresta … e experimentar a gastronomia da Lapónia, servida em pratos de gelo e cocktails verdadeiramente “on the rocks” ( servidos em copos de gelo).

Deixe-se levar por este cheirinho a neve que tivemos, pense que “a vida são dois dias” e … vá à Lapónia. Quem sabe ainda pode ver o Pai Natal !