sábado, 11 de abril de 2009

Novas oportunidades …

Num dia em que se ouvem lamentos de gente que, em Itália, perdeu todos os seus bens , num tempo onde se fala em Portugal de tantos que precisam de quase tudo, estragam-se, partem-se, deitam-se fora equipamentos … para comprar tudo novo !!
Essa foi a notícia que tivemos de pelo menos uma das escolas antigas ( EB2,3), em obras de recuperação, da responsabilidade do Ministério da Educação.
Foi com alegria que se soube, há cerca de um ano, das obras de remodelação e recuperação desejadas há muito. Constatou-se que seriam obras “revolucionárias” que se inserem com certeza numa visão de futuro para a educação, moderna e tecnologicamente avançada… Tudo bem.
Mas que dizer da forma como estão a ser tratados os equipamentos com mais de 50 anos, em bom estado mas desactualizados? Armários, mesas, cadeiras,…, mobiliário escolar que faz parte da história das escolas, são partidos e empilhados em contentores para o lixo! Não podiam ser dados ou vendidos? Guardados, esperando que pudessem ter alguma utilidade na “nova escola”? ( mesmo que fosse só “decorativa”, para lembrar…)
Diz-se que foram ordens do Ministério da Educação. Será? Não poderiam fazer diferente dirigentes escolares com alguma sensibilidade a estas velharias e que quisessem ter uma escola com memória ? DUVIDO.
Quando se aperceberam, duas pessoas, daquelas que ainda se importam, tentaram, numas férias que não tiveram, encontrar gente de outras escolas ou associações, que levassem algum mobiliário “salvo” da trituradora - uma corrida contra o tempo e já sem tempo para salvar o que podia ser salvo.

Nós guardamos memória de uma escola onde se modernizou e inovou muito, com pouca intervenção do Ministério da Educação e muito trabalho de professores e funcionários que se empenharam em projectos financiados, que realizaram diversas tarefas para angariar dinheiro ( artigos pagos em revistas de especialidade, organização de “bibliotecas” para os Palops, colaboração com Juntas de Freguesia, festas, …). Desses professores e funcionários restam poucos em funções e cai-lhes uma lágrima de tristeza e zanga quando vêm o que as fotos documentam. Claro que se animam : vão ter uma escola nova, com quadros interactivos, projectores em todas as salas, carteiras individuais de muita qualidade, laboratórios modernos, um Centro de Recursos espectacular, … Quando a escola nova for inaugurada ninguém vai lembrar o que vimos agora - ninguém ? …

Pessoalmente sinto uma grande fúria e vontade de gritar aos quatro ventos contra o desperdício, o novo – riquismos e os “negócios” que se geram com novos equipamentos. Mas como nada mais podemos fazer, resta o DESABAFO.
E depois, “ é preciso pensar grande” … Devem ter razão.


sexta-feira, 10 de abril de 2009

SE UMA CADEIRA FALASSE…

A nossa escola, uma escola oficial com grande prestígio nos anos 80 e 90, que considero “a minha escola” porque nela passei os meus últimos 18 anos de profissão pertence, por sorte ou talvez não, ao grupo de escolas que estão, neste momento, a sofrer uma extraordinária intervenção a nível de obras, de remodelação de espaços e de equipamentos.
Vai renascer em Setembro, se os prazos forem cumpridos e, como tem crescido a um ritmo alucinante é de crer que sim. Vai renascer como uma escola para o futuro, totalmente apetrechada para os desafios que se vão colocando ao ensino, nos diferentes domínios, do tecnológico ao desportivo, do científico ao artístico, do cultural ao social. Terá espaços mais amplos, um traçado moderno e funcional, mais espaços para os alunos e para todos quantos ali trabalham, pelo menos foi o que vislumbrei quando apreciei o projecto inicial das obras.
Tudo isto para chegar ao objecto que é o centro do meu post – esta cadeira, bem concebida, cómoda, de bom material, com excelente apoio para os pés e onde passei tantas horas da minha vida de professora, sobretudo durante o desenvolvimento de actividades ditas não lectivas.
Pois ontem, uma mão amiga, veio trazer à Lis uma destas cadeiras, (ela sempre mostrou gosto em ter uma) miraculosamente salva na voragem da destruição e substituição do equipamento escolar.
Foi com enorme alvoroço que subi ao andar da Lis para a admirar e tive oportunidade de me sentar e de, mais uma vez, comentar a qualidade, a excelente relação forma/função e o equilíbrio de tal objecto.
Depois, vieram as recordações – lembras-te, quando apoiava os alunos, todos sentados nestas cadeiras, à volta dos altos estiradores, e em que os mais novos iam medindo a sua altura pela capacidade, que já tinham ou ainda não tinham, de apoiar os pés no descanso? Quantos cartazes, quantas exposições temáticas, quantos trabalhos de Área – Escola, quantos TPC, quanta conferência de pautas, quantos exemplares do nosso Jornal saíram das mãos de miúdos e graúdos, sentados nestas cadeiras?
E depois, quantas Reuniões da equipa de trabalho a que pertencíamos se realizaram, bem empoleiradas nas ditas cadeiras? Quantas decisões foram tomadas, quantas Ordens de Trabalho cumpridas, quantas Listas de Tarefas planeadas, quantas Listas de Compras elaboradas, quanta papelada escrevinhada, quanta Acta redigida, quanto Plano de Actividades esboçado e concretizado, quantas gargalhadas, quanto sofrimento nos momentos de maior aperto, meu deus, quanto trabalho, quanta vida vivida a cem por cento… tudo, em cadeiras iguais a esta!
Por tudo isto passámos ontem, o resto da tarde, numa amena e saudável cavaqueira, bendizendo os belos momentos que nos fazem sempre bem recordar e que são, ainda hoje, a raiz e o alimento de um profundo respeito e da sólida amizade que nos une a todas quantas passámos por cadeiras iguais a estas.
Oxalá as novas e moderníssimas cadeiras venham a ter tanto para viver e contar!!

quinta-feira, 9 de abril de 2009

Lua Cheia

Hoje é dia de Lua Cheia e no Monte Everest também …

A foto é “ uma das melhores fotos de 2008”
( em http://tr.im/2hq8)

terça-feira, 7 de abril de 2009

Externato Educação Popular – Os medos e os silêncios

Temos relatado a situação da colega Ana que é vítima de uma gestão Pedagógica e Executiva com contornos estranhos, situação que relatámos a 31 de Março. Tal como prevíamos esta clausura forçada, cumprindo rigorosamente um horário de 28 horas, sentada numa secretária sem funções atribuídas, num espaço mínimo, tem agravado o estado físico e psicológico da colega. Hoje teve que pedir intervenção médica devido ao agravamento dos problemas da coluna e terá rapidamente que pedir também intervenção psicológica.
A esta situação desumana assistem todos os que trabalham neste Externato e que, medrosamente, vão comentando pelos cantos esta situação, mas nada podem fazer. O medo é superior a qualquer acto de solidariedade. Nos tempos que correm todos temem perder o seu lugar de trabalho e sabem que à Ana foi feito tudo isto para avisar que é preciso calar, não ver, nem ouvir.
Infelizmente a Direcção da Associação é composta por “dependentes” da prestação de serviços o que não lhes dá a liberdade de independência necessária. Assim, assiste-se a toda esta injustiça no silêncio… esperando talvez que outros de fora possam intervir e tornar público este caso.
Uma professora impecável, boa Directora de Turma, excelente colega, com uma assiduidade intocável, 6 faltas em seis anos de serviço, devidamente justificadas, é despedida por ter, alegadamente, uma falta injustificada. Claro que, mesmo com todos os recursos feitos pela Direcção, o tribunal não poderia considerar motivo válido de despedimento.
Estamos na Páscoa, momento de reflexão religiosa, católica, fazendo retiros de interioridade e relação amorosa com Deus. Pergunto-me, será que não existe, nestas almas, um pouco de consciência pesada pelos actos praticados?
Não me cabe julgar, mas acredito que, apesar de tudo, a LUZ é mais forte que a ESCURIDÃO e que um dia haverá um julgamento sério destas maldades. O poder corrompe o ser humano, torna-o frio, calculista e agressivo. O “poderzinho”, mesmo efémero, serve para vinganças pessoais, sem justificação plausível.
O que existe por detrás deste comportamento? Toda a gente comenta que é estranho mas não existe averiguação. Porquê?

segunda-feira, 6 de abril de 2009

“O Segredo de um Cuscuz”

É um filme de Abdellatif Kechiche com vários prémios : “Césares” , “Lumière” e “Étoiles d’or” para o melhor realizador e a melhor esperança feminina ; “Césares e “Étoiles d’or” para o melhor filme francês, o melhor argumento original ; vários prémios no Festival de Veneza.
Os actores são pessoas que se deixam filmar enquanto decorre o seu dia a dia - e isso é um dos aspectos mais interessantes do filme. Não representam, SÃO.

É a história de uma comunidade árabe/turca (?)emigrada em França, centrada em Slimane, homem de sessenta anos, despedido porque já não rende como quando era novo. Não desiste e agarra-se a um novo objectivo de vida : abrir um restaurante de cuscuz num velho barco que vai recuperar. E é uma história de trabalho, injustiças, solidariedade, afectos, persistência, coragem,dignidade. E também de como a irresponsabilidade de um pode afectar a vida de muitos, pode determinar a morte de sonhos ou mesmo o fim da vida de alguém.

Não tinha visto o filme quando esteve por aí. Ofereceram-me o DVD porque gosto muito de cuscuz … No filme o cuscuz é só um pretexto e para mim também foi : fiz um belo cuscuz de legumes para acompanhar umas almôndegas do IKEA que andavam perdidas no frigorífico.

Se puderem, vejam o filme.

domingo, 5 de abril de 2009

Boas Notícias 36

- O Google disponibiliza a partir de amanhã o Gmail Labs, em língua portuguesa, que permite aos utilizadores do serviço electrónico a personalização das suas caixas de correio, através de 50 novas funcionalidades.Além do português, o Gmail Labs, desde 2008 em inglês, está agora disponível em mais 48 idiomas, que abrangem os cinco continentes. Este serviço, disponibilizado no dia em que o Gmail comemora o quinto aniversário do seu lançamento, que ocorreu a 1 de Abril de 2004.
-Uma camisola que muda de cor, um papel onde surgem desenhos, são algumas das aplicações da tecnologia 'Eyeinvisible' desenvolvida pela empresa Ydreams.Este projecto foi uma iniciativa de investigação e desenvolvimento, liderada pela Ydreams em parceria com alguma indústria portuguesa e com equipas de investigação da Universidade Nova de Lisboa, de novos produtos interactivos não convencionais, como papel, têxteis e quadros.Segundo Inês Henriques, líder do projecto "invisible networks", "esses materiais tornam-se interactivos, há imagens que estão escondidas e que podem aparecer e desaparecer através da interacção com o utilizador".

-A ser verdade o que dizem os analistas sociais, com a crise económica que afecta o país, os portugueses estarão a sair menos de casa mas a comer melhor, com maiores preocupações ambientais e a investirem mais nos cuidados com a saúde e o bem-estar da família. Talvez se consigam refrear os hábitos excessivamente consumistas e os portugueses comecem a preocupar-se mais em Ser e não tanto em Ter. Utopias? Talvez não, há que pensar no lado positivo das crises.
(LUSA, 2/04)
- Uma caminhada pela Estação Arqueológica do Freixo, em Marco de Canaveses, a 18 de Abril, vai revelar segredos da antiga cidade de Tongobriga, a última a ser construída pelos romanos, no território que é actualmente Portugal. Lino Tavares Dias, responsável pela estação arqueológica, espera que através desse percurso de cerca de 50 hectares de zona classificada, e através dos elementos recolhidos durante as escavações, seja possível saber bastante acerca do estilo de vida, do vestuário e do uso que era dado à cerâmica pelos antigos, nesse local.
(LUSA, 2/04) - Se está farto de filas intermináveis de carros, de autocarros e carruagens de metro apinhados, então faça como um jovem antropólogo português, Ricardo Sobral que, diariamente roda Lisboa, de S. Bento ao Campo Pequeno, sem gastos de gasolina e com uma boa média de tempo. E mais, o Ricardo é instrutor certificado pelo Cyclists Touring Club, dá aulas a quem queira aprender a andar de bicicleta e a circular com segurança na cidade e tem um Blog onde dá todas as informações úteis. Aqui fica, para os interessadoshttp://bicicletanacidade.bolgspot.com/
(TimeOut 1/04)

quinta-feira, 2 de abril de 2009

EXTERNATO EDUCAÇÃO POPULAR – os espaços

Em Monsanto, entre o Bairro da Liberdade e o Bairro da Serafina, numa localização privilegiada, erguem-se os edifícios que constituem o Externato Educação Popular : no primeiro, mais velho e degradado, funciona o 1º ciclo;o 2º bloco, erguido com o esforço da irmã Ester, religiosa da Congregação “Amor de Deus” que, durante várias décadas, foi professora e dirigiu o Externato ( até há 8 ou 9 anos) . Este bloco foi, até há 4 anos, espaço para os 2º e 3º ciclo e creche .
Faltava um ginásio, laboratórios de Ciências e Físico-Química, espaço para ATL’s e mesmo melhores condições para as aulas relacionadas com disciplinas específicas como: Educação Visual (pois só havia um espaço) e Educação Musical .
A irmã Ester sonhou com um novo edifício, juntou dinheiro, fez-se o projecto.

O início da construção atrasou-se e, entretanto, foi reorganizada a Direcção do Colégio, com partilha de funções entre a Associação Educação Popular e a Congregação “Amor de Deus”.
A nova organização conduziu a uma Direcção Executiva que tem sido desastrosa e a quem coube a construção do novo edifício . Posto a concurso para ATL’s , depois de construído foi-lhe dado outro destino: o 2º e 3º Ciclo.
Sem consulta a pais, professores, funcionários ou Assembleia da Educação Popular. Desalojados do edifício antigo, professores e alunos do 2º e 3º ciclo passaram a trabalhar neste novo espaço, com escadas estreitas para o fluxo de alunos que têm que subir e descer dois pisos de 90 em 90 minutos, com salas estreitas com luz natural nas costas dos alunos e professores a trabalhar em contra luz . Acabado de construir e de habitar, logo apresentou deficiências tais como fendas e outras “mal-formações” …Neste Inverno, infiltrações no Ginásio fizeram levantar parte do pavimento. A responsabilidade da má construção é naturalmente do construtor mas … terá sido assumida?
O laboratório não foi activado nem nunca teve água canalizada, servindo, até aos dias de hoje, como sala de reuniões e exposições escolares ou outras actividades. A inspecção aprovou ?! Nunca se sabe…
Com a construção do novo edifício as condições de trabalho de alunos e professores não melhoraram e aspectos para uma boa funcionalidade geral não constituem preocupação para a Direcção Executiva e sobretudo Pedagógica.. As aulas de Ciências Naturais, Ciências da Natureza e Físico-química são leccionadas no edifício antigo, numa sala onde mal cabem as turmas normais de 30 alunos e o material de laboratório e o lavatório são partilhados com os professores de Educação Visual por utilizarem o mesmo espaço. A inspecção viu ? Aprovou ? Talvez …
As aulas de música continuam a ser leccionadas nas salas normais de aulas, sem equipamentos específicos .
A sala destinada ao Centro de Recursos nada mais é que uma sala com armários e livros , sendo que a maior parte dos livros não têm interesse para pesquisa ou leitura. Livros do “plano nacional de leitura”?!! . O material informático é obsoleto sem ligação à net nem manutenção. As aulas de TIC ,no edíficio antigo, decorrem numa sala pequena e arejada por uma ventoinha… Agora o problema deve estar resolvido porque os alunos podem usar os seus portáteis…

Quando chove os alunos não têm telheiro de resguardo, ficam nos corredores.
O Bar, se lhe pudemos chamar assim, fica no velho edifício, um espaço mínimo junto da creche onde os alunos se acotovelam. Não há sala de convívio para os alunos.
Para quem não conhece, existe um espaço grande entre um edifício e outro, o que obriga os alunos a fazerem esse percurso para irem ao bar ou até ao recreio onde podem brincar (jogar à bola, etc…) - o tempo de intervalo escoa-se e mal dá para respirar um pouco.
O sonho de melhorar condições físicas e pedagógicas com a construção do novo edifício, desabou.

Podia ser um Colégio onde alunos, professores e funcionários se sentissem inseridos num projecto comum. JÁ FOI . JÁ NÃO É.

O nosso desgosto é o de quem viu nascer o projecto e é solidário com a tristeza da Irmã Ester que nem sequer foi ainda homenageada como era de direito, por tudo o que fez em toda a sua vida ao serviço daquela instituição… e da Congregação “Amor de Deus”.