quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dêem-lhes Cultura!


Hoje tinha encontro marcado com uma amiga, na Gulbenkian, mais precisamente no hall do Museu. Cheguei um pouco mais cedo, ela teve um pequeno atraso. Aproveitei o tempo de espera para ir até à loja do Museu, ver a habitual feira de livros com algumas boas oportunidades e fazer umas compritas na loja, onde sempre se encontra qualquer coisa original ou de bom gosto.
Depois, de volta ao hall, sentei-me e, enquanto esperava, vi chegar dois grupos de alunos com as respectivas professoras, para visitas guiadas. Um grupo grande, de jovens de 16/17 anos e outro, relativamente pequeno, de miúdos pequeninos de 5/6 anos. De imediato, me pus a observá-los com o olhar de quem ainda tem bem presente saídas daquelas com alunos.
De um lado, tinha os adolescentes, ensonados, mal-dispostos, pendurados nas mensagens de telemóvel ou fazendo poses tontas para mais tarde recordar que, à chamada das professoras, resmungaram, levantaram-se muito a custo e lá foram arrastando calças, blusões e bonés à banda. Do outro, os miúdos de bibe, olhos postos na professora e na monitora do Museu, seguiam as indicações com imensa atenção, risos alegres e saudáveis e algumas perguntas engraçadas. E lá partiram todos, à descoberta das riquezas do museu.
Entretanto, eu pensava em como é gratificante encontrar aulas ao vivo, porque é disso que se trata quando se levam alunos a ver obras de arte, nos nossos museus, coisa comum lá fora, noutros países…
Pouco depois, para meu espanto veio um, depois outro, mais dois, três, quatro e mais dos jovens alunos com a mesma postura de tédio. De novo as mensagens e as fotos nos telemóveis. Agora, já só falavam das pizzas, do MacDonald´s, do Colombo, enfim, tinham abandonado ou teriam sido convidados a sair do interior do museu, não sei. Não eram propriamente mal-educados nem sequer barulhentos mas a falta de respeito pela arte e pelo trabalho e empenho de quem os acompanhava chocou-me imenso. E lá me pus a recordar os tempos em que, como aluna, primeiro, como professora, mais tarde, eu ia a visitas de estudo, sempre com imenso entusiasmo e das quais sempre vinha mais rica e com tanto para contar!
Chegada a minha amiga, também eu saí do hall e afastei-me daquele quadro e daqueles pensamentos. No meu caminho, acabei por encontrar o outro grupo, o dos miúdos, que, acabada a visita, todos muito juntinhos, respondiam com muita propriedade à monitora que queria saber de que é que tinham gostado mais, se queriam voltar, se iam fazer trabalhos sobre a visita, se queriam trazer os pais ao museu. Uma delícia! Nem davam pela nossa presença, tal a concentração.
Mais tarde, no caminho de regresso a casa, voltei a pensar em tudo o que tinha presenciado na Gulbenkian e cheguei, mais uma vez, à seguinte conclusão – é urgente, muito urgente mesmo que se tempere a tendência para o uso e abuso das novas tecnologias com muita arte, muita leitura, muita pintura e escultura. É urgente que se ensine a ver e a saber ver e apreciar as obras de arte, essas que não morrem, que não são para usar, gozar e deitar fora. É urgente que se invista nos pequenos, pequeninos. Nesses ainda vale a pena investir.

2 comentários:

goiaba disse...

Interessante o que observaste. Mais comum do que gostariamos!
À curiosidade dos primeiros anos por tudo o que nos rodeia segue-se o interesse quase exclusivo em si próprio e no "grupo". Felizmente há excepções mas ... haverá um estímulo suficientemente forte e continuado para que os jovens se "descentrem?" Vejam-se os "modelos" das telenovelas, a programação da TV generalista, ...
Estamos "velhotas". Será?
bjinho

Anónimo disse...

Gostei imenso,apesar de ser triste,do
q.contaste!
Infelizmente é isso mesmo!
Beijoo.
isa.