domingo, 13 de dezembro de 2009

VIVA A VIDA 33

Numa semana em que decorreu a Conferência de Copenhague deixamos uma pequena nota sobre GAIA, a mãe-Terra de natureza forte que se autoregenera num contínuo que, apesar disso, não dispensa a nossa protecção e cuidado.

quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

Dêem-lhes Cultura!


Hoje tinha encontro marcado com uma amiga, na Gulbenkian, mais precisamente no hall do Museu. Cheguei um pouco mais cedo, ela teve um pequeno atraso. Aproveitei o tempo de espera para ir até à loja do Museu, ver a habitual feira de livros com algumas boas oportunidades e fazer umas compritas na loja, onde sempre se encontra qualquer coisa original ou de bom gosto.
Depois, de volta ao hall, sentei-me e, enquanto esperava, vi chegar dois grupos de alunos com as respectivas professoras, para visitas guiadas. Um grupo grande, de jovens de 16/17 anos e outro, relativamente pequeno, de miúdos pequeninos de 5/6 anos. De imediato, me pus a observá-los com o olhar de quem ainda tem bem presente saídas daquelas com alunos.
De um lado, tinha os adolescentes, ensonados, mal-dispostos, pendurados nas mensagens de telemóvel ou fazendo poses tontas para mais tarde recordar que, à chamada das professoras, resmungaram, levantaram-se muito a custo e lá foram arrastando calças, blusões e bonés à banda. Do outro, os miúdos de bibe, olhos postos na professora e na monitora do Museu, seguiam as indicações com imensa atenção, risos alegres e saudáveis e algumas perguntas engraçadas. E lá partiram todos, à descoberta das riquezas do museu.
Entretanto, eu pensava em como é gratificante encontrar aulas ao vivo, porque é disso que se trata quando se levam alunos a ver obras de arte, nos nossos museus, coisa comum lá fora, noutros países…
Pouco depois, para meu espanto veio um, depois outro, mais dois, três, quatro e mais dos jovens alunos com a mesma postura de tédio. De novo as mensagens e as fotos nos telemóveis. Agora, já só falavam das pizzas, do MacDonald´s, do Colombo, enfim, tinham abandonado ou teriam sido convidados a sair do interior do museu, não sei. Não eram propriamente mal-educados nem sequer barulhentos mas a falta de respeito pela arte e pelo trabalho e empenho de quem os acompanhava chocou-me imenso. E lá me pus a recordar os tempos em que, como aluna, primeiro, como professora, mais tarde, eu ia a visitas de estudo, sempre com imenso entusiasmo e das quais sempre vinha mais rica e com tanto para contar!
Chegada a minha amiga, também eu saí do hall e afastei-me daquele quadro e daqueles pensamentos. No meu caminho, acabei por encontrar o outro grupo, o dos miúdos, que, acabada a visita, todos muito juntinhos, respondiam com muita propriedade à monitora que queria saber de que é que tinham gostado mais, se queriam voltar, se iam fazer trabalhos sobre a visita, se queriam trazer os pais ao museu. Uma delícia! Nem davam pela nossa presença, tal a concentração.
Mais tarde, no caminho de regresso a casa, voltei a pensar em tudo o que tinha presenciado na Gulbenkian e cheguei, mais uma vez, à seguinte conclusão – é urgente, muito urgente mesmo que se tempere a tendência para o uso e abuso das novas tecnologias com muita arte, muita leitura, muita pintura e escultura. É urgente que se ensine a ver e a saber ver e apreciar as obras de arte, essas que não morrem, que não são para usar, gozar e deitar fora. É urgente que se invista nos pequenos, pequeninos. Nesses ainda vale a pena investir.

segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

Dia de S. Nicolau

Ontem, 6 de Dezembro, foi Dia de S. Nicolau, e, em muitos países é o dia do Pai Natal sobretudo para as crianças. Os presentes tradicionais são de chocolate e há festa e muitos outros doces.
S. Nicolau nasceu em Patras, na Grécia. Quando os pais morreram doou todos os seus bens e optou pela vida religiosa. Foi ordenado sacerdote com 19 anos e tornou-se bispo de Myra, na Lícia , sudoeste da Ásia Menor ( hoje Demre, Turquia) onde morreu no ano 350 d.C. Ficou conhecido pela sua imensa generosidade e há sobre ele muitas lendas. Numa delas conta-se que terá deitado por três vezes, um saco de moedas de ouro pela chaminé da casa de três irmãs, filhas de um homem muito pobre que tinha decidido vendê-las conforme fossem atingindo a idade adulta. Com esse gesto permitiu que tivesse dote para o casamento. Por isso, um dos símbolos associados a S. Nicolau são três bolas de ouro.
Para as crianças é o Pai Natal dos presentes mas para os adultos tem sido visto como um salvador e protector contra os perigos do mar – em muitas cidades costeiras há igrejas com o seu nome ( em Inglaterra mais de 400, em Itália mais de 60). É padroeiro da Rússia, da Grécia, dos marinheiros e das crianças.
S.Nicolau era alto, magro, vestia uma espécie de batina branca e usava mitra – hábito comum aos bispos da época. Ao longo de muitos séculos virou gorducho e baixote, às vezes mesmo um duende … A transformação deu-se nos Estados Unidos para onde a tradição foi levada no séc.17 pelos holandeses. Em 1809 o escritor Washington Irving escreveu um livro sobre S. Nicolau e “ transformou-o num personagem bonacheirão e bondoso que montava um cavalo voador e deitava presentes pelas chaminés” .
Depois, em 1822, Clement Clark More escreveu um poema intitulado “Um relato da visita de S.Nicolau” dedicado às suas filhas, na véspera do Natal. More deixa no poema a imagem de um S.Nicolau velhinho, de barba branca que se transportava num trenó puxado por renas ( transporte muito usado na época, na Escandinávia). Como era ministro episcopal hesitou em publicar o poema por achar que dava uma imagem frívola do santo. Mas acabou por ser divulgado por um dos filhos e publicado num jornal de Nova Iorque em 1823. Continuou a ser publicado sem menção do autor até que, em 1844, More reclamou a autoria.
Mais tarde, em 1866, Thomas Nast fez um primeiro desenho ( seguido de muitos outros) que retrata o Pai Natal quase como hoje o conhecemos e publica-o num semanário, o “Harper’s Weekly”, no suplemento do Natal. Também faz desenhos da “oficina do Pólo Norte “ dos “ajudantes do Pai Natal” e da sua esposa, a “Mãe Natal”… Mas não era necessariamente a vermelho e branco. Era vestido com grande variedade de cores e até a fumar um cachimbo de barro ou a beber vinho!
Nos anos 30 a Coca-Cola contratou o artista Haddon Sundblom para compor a imagem de um Pai Natal com uma garrafa de refrigerante e Sundblom inspirou-se em Thomas Nast , escolheu o vermelho e branco e … fez o seu auto-retrato, diz-se.
Daí aos Pais Natais a distribuir presentes por todo o lado, foram poucos passos!
Esta apropriação abusiva de S.Nicolau tem vindo a ser combatida e, desde 1997, existe um movimento organizado pelo padre Eckhard Bieger que tenta evitar a confusão entre o santo patrono das crianças e distribuidor de presentes e o Natal , nascimento de Jesus. É por isso que a tradição de distribuir presentes no dia 6 prevalece em algumas comunidades, dissociando esse gesto das comemorações do Natal. Acontece na Bélgica, Alemanha, França, Áustria, Suiça, … e … em Guimarães (as “Festas Nicolinas” são festas de estudantes, celebradas em honra de
São Nicolau de Mira)
Mais comum tem sido associar S.Nicolau ao “Menino Jesus” e ser a 25 de Dezembro o momento de festejar um nascimento com oferta de presentes – apesar de, desde 1969, o Papa Paulo VI ter ordenado que a festa de S.Nicolau devia ser retirada do Calendário Oficial Católico Romano.
Fazer de S.Nicolau e oferecer presentes em nome do “Menino Jesus” ou para comemorar o seu nascimento é bonito e eu gosto .
( fotografias tiradas da Internet, do Santo, de Thomas Nast e de Sundblom)

domingo, 6 de dezembro de 2009

VIVA A VIDA 32


Já que “passámos a semana” na Madeira, deixamos hoje um sinal de VIDA das ilhas Selvagens – um pequeno arquipélago que pertence à Região Autónoma da Madeira e são uma Reserva Natural desde 1971.
As Selvagens são constituídas por duas ilhas principais e várias ilhotas, que, tal como quase todas as ilhas da
Macaronésia, têm origem vulcânica.
A Selvagem Grande tem apenas dois habitantes permanentes e na Selvagem Pequena há dois guardas que são periodicamente substituídos.
VIDA animal nas Selvagens é para as aves

De todas as espécies que aí nidificam o destaque vai para a numerosa colónia de Cagarras (cerca de 13600 casais). Mas há outras espécies como o Calcamar, a Alma Negra,o Pintainho e o raríssimo Garajau Rosado. ( as fotografias seguem esta ordem, precedidas pelas cangarras)

sábado, 5 de dezembro de 2009

A nossa comunidade


Para mim, a ideia de comunidade era campestre : um espaço rural, várias casinhas, horta comum … Era … porque agora é urbana : um prédio, vários andares habitados por pessoas que se inter ajudam, que vivem as alegrias e tristezas de cada uma, que fazem às vezes projectos em comum, que comemoram tudo e mais alguma coisa mas que vivem com a independência necessária à salvaguarda da intimidade e liberdade de cada núcleo familiar.
Foi bom o “valor acrescentado” trazido a esta comunidade pela nossa amiga madeirense : escritora, poeta, pintora … animada!!
Num jeito de BOAS VINDAS, deixo um pequeno poema citado numa compilação feita em sua homenagem (no Funchal) :

“ … não há palavra
que defina o mundo
há só os sons especiais do amor
activo e manso
quieto e vagabundo
e que só por ser nosso
é o melhor”

( Irene Lucília Andrade, em “Estrada de Um Dia Só”, Lisboa, Átrio, 1995)

quinta-feira, 3 de dezembro de 2009

O NATAL É UM ESTADO DE ESPIRITO


Aí está o mês de Dezembro, com um pouco mais de frio, com bastante chuva e vento e já com um cheirinho a Natal espalhado por todo o lado. Ontem, cá no nosso prédio, houve festa, festa rija, para celebrar como deve ser a entrada da quadra natalícia. A nossa vizinha madeirense, a passar pela primeira vez estas festas no continente, lançou o seguinte convite – no dia um de Dezembro, pelas dezoito e trinta, quero que apareçam lá em casa. Até lá, se me quiserem ver, batam à porta, apareço-vos mas nada de entrar. MISTÉRIO!!
E nós fomo-la vendo na rua, nas escadas, no elevador… e que bem que ela já se aventura por estas paragens! Conhece todos cantos, os fornecedores, vai e vem ao Corte Inglês num ápice, descobre os produtos típicos da Madeira no “Sá” e sente-se em casa, o que nos tem dado muita alegria.
Depois de bastante expectativa, chegou o dia 1 e lá fomos, as outras vizinhas, cheias de curiosidade, bater à porta do primeiro andar, ansiosas pela inauguração natalícia. E estava lá tudo!!
A anfitriã, com um gorro de Pai Natal, uma gravata alusiva à época, umas barbas, um bigode embranquecido e os óculos na ponta do nariz como convém, recebeu-nos com uns versos alusivos à quadra e uns belíssimos cantos de Natal.
Na janela principal, um vitral e um Anjo de braços abertos, pronto a receber-nos no calor da Amizade, muito bem iluminado por um foco, providencialmente colocado. Na esquina da sala, uma vistosa e elegante árvore de Natal, este ano com bolas douradas e lilases, para estar na moda. Aos pés da árvore, o presépio, as velas acesas e uns pacotinhos de presentes. Aqui e ali, nas paredes mais uns enfeites de Natal.
Depois, para espanto máximo, era a mesa cheia de coisas óptimas, doces e salgadas, em que não faltavam o vinho madeira e o bolo de mel, que a nossa amiga ajudou a bater e a enformar e que é muito, mas muito superior aos de compra. Fizemos, está bem de ver, barulho por um batalhão, rimos, conversámos, comemos, cantámos e recordámos hábitos e tradições de natais passados!
Mais tarde, a Goiaba foi buscar o Amon e lá conseguimos, a muito custo, enfiar-lhe o barrete do Pai Natal, como prova a foto. Tanta judiaria se faz ao pobre bichano!! Mas ele tem de se habituar que, para conviver connosco, tem de partilhar de todas as nossas loucuras. E é bem verdade, na casa da minha familia, de origem madeirense pelo lado paterno, começava-se a festejar o Natal neste mesmo dia, com a pintura do papel cenário com pinceladas largas de vieuxchaîne, com a montagem da estrutura do presépio e da sementeira das searinhas que, passadas duas semanas, germinavam e iam alegrar a lapinha, montada na marquise da nossa casa de jantar, para alegria de grandes e pequenos.
É bom termos a nossa amiga madeirense connosco para nos fazer reviver tudo isto e para nos levar a começar mais cedo, este ano, todas estas festividades. Afinal, o Natal é um estado de espírito e requer tempo e espaço para ser bem vivido

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

A Floresta Laurissilva

Ouvi há pouco que a 23 de Novembro se comemora o Dia da Floresta Autóctone. Lembrei-me da “floresta laurissilva” e de falar dela – também porque a nossa amiga e vizinha madeirense veio passar aqui o Natal e queremos agradecer-lhe a companhia inesperada.

Trata-se de uma floresta com características subtropicais, húmida, cuja origem remonta ao Terciário onde chegou a ocupar vastas extensões do Sul da Europa e da bacia do Mediterrâneo. As últimas glaciações levaram ao seu desaparecimento no continente europeu, sobrevivendo apenas nos arquipélagos atlânticos dos Açores, da Madeira , das Canárias e Cabo Verde ( a Macaronésia). É na ilha da Madeira que tem expressão significativa : ocupa 20% do total da ilha, nas encostas viradas a Norte, integrando o Parque Natural da Madeira – desde 1999 é Património Natural da Unesco.
A floresta Laurissilva apresenta um aspecto sempre verde ao longo de todo o ano, dado que a quase totalidade das árvores e dos arbustos que a compõem, nunca perdem a folha. Entre as árvores encontram-se o Til, o Vinhático, o Loureiro e o Barbusano, todas da família das Lauráceas. Mas a floresta integra outras plantas endémicas, arbustos e herbáceas, líquenes e fetos. A floresta cria condições ideais de condensação que alimentam pequenos cursos de água, essenciais para irrigação de campos agrícolas, abastecimento de água a centros urbanos e até para produção de energia hidroeléctrica - as “levadas” são também bilhete postal da ilha.
A floresta constitui-se num ecossistema rico não só na flora mas também na fauna. É o caso do Tentilhão da Madeira e vários moluscos e insectos endémicos.
“Laurissilva”, um nome que soa tão bem, deriva do
latim Laurus (loureiro, lauráceas) e Silva (floresta, bosque).
Procurámos um vídeo sobre a floresta e só este, sobre as “levadas” nos pareceu interessante.