sábado, 21 de Novembro de 2009

Um conto sufi

No livro “ amor em minúsculas” o autor recorda um conto sufi do mullá Nasrudin que viveu na Anatólia no século XIV, escreveu histórias divertidas e sábias onde ele mesmo era personagem. Foram histórias que integraram a chamada Tradição Sufi ou Sufismo, uma seita mais de sabedoria da vida do que religiosa onde o humor é uma nota importante.

“Nasrudin chega a uma pequena vila onde toda a gente o confunde com um grande sábio. Para não decepcionar a multidão que se tinha reunido na praça, abre as mãos e diz-lhes :
- Suponho que estais aqui porque já sabeis o que tenho para vos dizer
E as pessoas respondem:
- Não! O que tens para nos dizer? Não sabemos. Diz-nos
E Nasrudin respondeu :
Se viestes até aqui sem saber o que tenho para vos dizer, é porque não estais preparados para ouvir.
Dito isto, levanta-se e vai-se embora. O auditório fica assombrado com aquela saída. Estão quase a tomá-lo por louco quando alguém exclama :
- Que inteligente! Tem toda a razão! Como é que nos atrevemos a vir até aqui sem saber o que vimos ouvir? Que estúpidos! Perdemos uma oportunidade maravilhosa.
Que iluminação, que sabedoria! Vamos pedir a esse homem que dê uma segunda palestra.
Uns quantos habitantes partem à sua procura e rogam-lhe que regresse, alegando que o seu conhecimento é demasiado vasto para uma só conferência. Depois de muito insistirem, Nasrudin regressa à vila. Na praça, concentra-se o dobro do número de pessoas que tinham estado na primeira palestra. Volta a dizer-lhes :
- Suponho que sabeis o que vim dizer-vos.
Com a lição aprendida, um porta-voz do público responde:
- É claro que sabemos. Por isso é que viemos.
Ao ouvir isto, Nasrudin baixa a cabeça e diz:
- Bom, se já sabeis ao que vim, não vejo necessidade de o repetir
De seguida, abandona a praça e vai-se embora. O público fica estupefacto e um fanático começa a gritar :
- Brilhante! Maravilhoso! Queremos ouvir mais! Queremos que este homem nos dê mais sabedoria!
Uma delegação de notáveis vai a correr buscá-lo e pede-lhe de joelhos que dê uma terceira e última palestra. Nasrudin não quer, mas acaba por ceder. Quando chega à praça , é recebido pelo clamor da multidão. Dirige-se a ela novamente com a mesma declaração :
- Suponho que já sabeis o que vos vim dizer
Desta vez, as pessoas já tinham combinado tudo e o governador falou em nome de todos, dizendo:
- Uns sim e outros não
Fez-se um longo silêncio no auditório e todos os olhares se concentraram em Nasrudin, que conclui :
- Nesse caso, os que sabem que contem aos que não sabem”
E dito isto, vai-se embora “

Seria interessante discorrer sobre este conto …


quinta-feira, 19 de Novembro de 2009

“ amor em minúsculas”

Se tivesse que responder àquela pergunta vulgar ( e tola, na minha opinião), sobre qual o livro ( filme,…) da minha vida, teria de dizer que foram muitos.
O “ amor em minúsculas “ de Francesc Miralles é, de certeza, um deles.
Comprei-o porque tinha um gato “igual” ao Amon na capa … e acabou por ser um daqueles livros a reler.
Em resumo, é a história de como um acontecimento ( o aparecimento de um gato) pode mudar a vida de uma pessoa – mais um exemplo da famosa teoria do caos .

Samuel é um professor de Literatura na Universidade de Barcelona e vive muito só. Os seus dias são passados entre as aulas a estudantes desinteressados e o apartamento onde prepara aulas, lê, ouve música. Não tem amigos, não tem namorada, não tem hábitos sociais e sente que a sua vida é um tédio.
Um dia ouve um arranhar na porta da rua, abre e um gatinho enrosca-se nas pernas. Nunca pensou em gatos, nada sabe sobre os seus hábitos, não quer sequer pensar em ficar com aquele – põe anúncios em jornais, telefona a Sociedades Protectoras de animais. Entretanto começam a surgir coincidências ( há coincidências?...) que o levam a conhecer vários personagens interessantes e incomuns e o gato vai ficando. É o vizinho do andar de cima ( para onde o gato foge), um redactor e coleccionador de “sabedorias do mundo” ; é um misterioso escritor obcecado com uma viagem à Lua ; é a veterinária-psicóloga e …é Gabriela, o seu amor de infância.

Enquanto acompanhamos o seu dia a dia, agora muito preenchido, o Samuel-professor vai-nos dando lições de literatura, história de arte, cinema, música … de Vida. O gato é já quase só um pretexto mas não deixa de constatar que “um gato nunca faz aquilo que esperamos que faça”, que “só pertence a si próprio” e que “não tem donos, tem servos”. Acaba mesmo por ajudar o vizinho do andar de cima, que adoece, e escreve sobre a “vida espiritual e sensorial” dos gatos ! Depois de recolher informações conclui :” diz-se que os gatos são egoístas mas, na verdade, são simplesmente inteligentes. Não vêm ao dono se conseguirem que o dono vá até eles… a sua força reside na sua aparente indiferença … mantêm a sua dignidade e deslocam-se consoante os seus caprichos …” . Mais adiante invoca uma autora americana que dizia ter aprendido com os seus dois gatos “ a saltar sem cair e a ronronar quando se sente feliz” !

Por fim, explica o título : “ amor em minúsculas” fê-lo sentir que “ ao fazer uma boa acção esta dá origem a uma cadeia de acontecimentos que nos devolvem o amor multiplicado. No final, mesmo que queiramos voltar ao ponto de partida, já não é possível porque o amor em minúsculas apagou qualquer caminho de volta ao que havíamos sido antes”.

Nota : e como se chamava o gato ? Mishima, nome do autor do livro que estava a ler quando o gato o escolheu ( “ O Marinheiro que Perdeu as Graças do Mar”)

quarta-feira, 18 de Novembro de 2009

O ANO DO PENSAMENTO MÁGICO

Talvez porque o texto da peça a que assisti no domingo, no Teatro D. Maria, é realmente um texto altamente perturbador; talvez porque o tema das perdas, da morte, da doença, do sofrimento e da forma como cada um lida com essas realidades mexe muito comigo, ainda não tinha conseguido sentar-me e registar algumas impressões para o nosso Blog, coisa que geralmente faço ainda no calor da emoção que é sempre, para mim, uma ida ao teatro.
O texto “O Ano do pensamento mágico”, baseado numa história verídica vivida pela escritora americana Joan Didion, numa encenação de Diogo Infante, é denso e profundo. É um monólogo mas nem se sente que só há uma pessoa em palco. A Eunice consegue provocar um ambiente de cumplicidade com cada um de nós a quem se dirige, logo no início, olhos nos olhos – e como são expressivos os olhos da nossa querida actriz! Depois, durante a conversa que mantém connosco mais de uma hora, faz questão de nos lembrar que, se aquilo que está a contar ainda não nos aconteceu, um dia vai acontecer. Avisa-nos que “a vida se transforma rapidamente. Muda num instante”. E é com esta certeza que a acompanhamos numa trajectória de dor, solidão e saudade. Tudo perfeito – os tempos da narrativa, os silêncios, a expressão facial, o movimento do corpo, o aconchegar do casaco de malha que veste como uma segunda pele, os trejeitos da cabeça que todos já lhe conhecemos, a sensibilidade à flor da pele de alguém que abre o coração, numa intimidade inquietante. Até porque, pela primeira vez, ouvi alguém dizer o que tantas vezes eu já tinha pensado – o mais importante, depois de uma grande perda, seja ela qual for, é o primeiro ano, é o tempo que não queremos que passe, porque tudo está ainda tão vivo, tão presente. Parece mesmo que sentimos que, se o não agarrarmos, então, a dor e a saudade vão-se embora. Há, na verdade, um tempo para o luto que tem mesmo de ser feito, de outra forma corremos o risco de não sobreviver. É o ano do pensamento mágico.
Eu fico sempre “doente” depois de assistir a um desempenho da Eunice. E, desta vez, eu tinha lido muita coisa, tinha ouvido e lido muitas entrevistas, eu até estava bem avisada, eu tinha prevenido a minhas irmãs com quem vou muitas vezes a estes espectáculos mas, mesmo assim, fui surpreendida! Surpreendida e apanhada pela forma simples, directa e tão emotiva com que todo o texto, depois de interiorizado, foi compartilhado com os espectadores, uma imensa plateia rendida àquela figura frágil, sofrida mas tão cheia ainda de vida e de memórias bem frescas. E, de novo, o tema da morte e da passagem, vem associada a um rio, a um “barqueiro encapuzado que nos conduzirá ao outro lado do rio, com a certeza de que, desta vez, nos trará de volta”, como referiu Diogo Infante, que assina aqui mais um brilhante trabalho de encenação. E sente-se, numa simbiose perfeita entre actriz e encenador que também eles estão, a cada instante, a confrontar-se com as suas perdas, as suas dores, as suas memórias e saudades.
E, após uma hora e tal de espectáculo, quando a Eunice se ergue do cadeirão, termina a sua conversa e se retira do palco, enxugando uma sentida lágrima, o público fica, eu fiquei, esmagado pela silhueta daquela senhora de oitenta anos! Fiquei rendida a tanta força, a tanta sensibilidade, a tanta sabedoria da vida e das coisas do sentir. Quando a aplaudimos, as lágrimas corriam em muitos olhos e ela, emocionada mas sorridente e humilde, agradecia colocando as mãos unidas, junto do coração, um gesto a que já nos habituou e que feito por ela é tão bonito! Sozinha no palco, que grande lição de vida e de teatro!
“Amo-te mais do que apenas mais um dia.”, frase repetida ao longo do monólogo e que teimosamente aparece como verdade absoluta.
Parabéns, Eunice

segunda-feira, 16 de Novembro de 2009

Atenção baleias e focas!



O mundo já não é o que era, os oceanos muito menos e a vida tranquila dos animais marinhos em terras impróprias para os humanos tem os dias contados.
Aos humanos não bastam os animais comuns que lhes foram oferecidos para se alimentarem. Agora querem também o “krill”, aquele rico alimento marinho composto por minúsculos crustáceos, muito abundante nas águas frias do Pacífico e Atlântico sul, sustento fundamental de baleias e focas.
Cientistas abelhudos descobriram que é um “material” óptimo para a “composição de produtos lácteos, gorduras para barrar, molhos para saladas, cereais de pequeno almoço ou complementos alimentares para dietas de baixo índice calórico”. E rico em Ómega 3 e já existia em cápsulas mas produção em massa é outra coisa.
Os vegetarianos que se cuidem e os vegans que leiam com toda a atenção a composição dos alimentos. Nada é simples no mundo de hoje e nada escapa ao engenho dos Humanos. SERÁ? …

domingo, 15 de Novembro de 2009

VIVA A VIDA 29

Foi descoberta uma teia de aranha do Cretáceo ( há 145 milhões de anos!!!).
Cientistas da Universidade de Oxford tiveram a sorte de conseguir esta preciosidade encontrada por um grupo de “caçadores de fósseis” na zona de Sussex, onde há numerosos vestígios de dinossauros . O grupo deparou-se com um estranho âmbar que entregou ao investigador Martin Brasier e que continha, além dos fios da teia, excrementos de insectos, micróbios e matéria vegetal ( o estudo foi agora publicado “Journal of the Geological Society”)
A teia terá ficado presa em resina de árvores e, “provavelmente devido a danos causados por um incêndio o âmbar acabou por se afundar num grande lago. Só agora, depois de muitos anos de erosão e elevação do terreno, regressou à superfície.

No Cretáceo inferior o planeta era um lugar muito mais quente do que hoje e parece que os dinossauros coabitavam com aranhas que são familiares directas das actuais. Por isso, atenção : nada de destruir teias de aranha – quem sabe não se encontrarão vestígios de Humanos e teias de aranha daqui a milhares de anos e se diga que “os Humanos coabitavam com aranhas idênticas às actuais” …
(notícia e foto em “Ciência Hoje”)
.

sexta-feira, 13 de Novembro de 2009

EU NÃO QUERO TER GRIPE!!


Li esta semana que um gato do Iowa foi contagiado pelos donos com o vírus do H1N1 e até esteve internado – para estudo, é claro, pobre gato!
E também li que há aí um “sábio” português” ( Agostinho Antunes) que colaborou na sequenciação do genoma da minha espécie e que acha provável o contágio entre os humanos e os gatos ( e vice-versa).
E eu que me julgava imune!
Ando a cuidar-me : não saio à rua, apanho sol e descanso muito, como salmão e erva fresca, espalho o stress assumindo a liberdade de meter o nariz em tudo e vasculhar gavetas, passeio em ambiente resguardado, lavo as patas e a cara com frequência … Com todo este cuidado, espero que a minha dona se comporte como cidadã responsável e não me pegue essa tal gripe. Espero bem que se lembre como eu fico um gato feroz quando vou ao veterinário. E tomar remédios, nem pensar.
Gatos conhecidos, cuidem-se!

quinta-feira, 12 de Novembro de 2009

EARTH SONG by MICHAEL JACKSON

"EARTH SONG by MICHAEL JACKSON (CENSURADO NOS EUA)"
"O vídeo é do single de maior sucesso de Michael Jackson no Reino Unido, que não foi nem "Billie Jean", nem "Beat it", e sim a ecológica "Earth Song", de 1996.
A letra fala de desmatamento, sobrepesca e poluição, e, por um pequeno detalhe, talvez você nunca terá a oportunidade de assistir na televisão.
O Detalhe: "Earth Song" nunca foi lançada como single nos Estados Unidos, historicamente o maior poluidor do planeta. Por isso a maioria de nós nunca teve acesso ao clipe.
Veja, então, o que os americanos nunca mostraram de Michael Jackson.
Filmado na Africa, Amazonia, Croácia e New York.
Emocionante!"

Michael Jackson, um grito de dor, de alerta e de esperança!