terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

“ A ilha debaixo do mar”

É o último livro de Isabel Allende, “ a ilha debaixo do mar”, lugar mítico da Guiné, sonho dos negros escravos, lugar “onde as árvores se dobravam de frutos, os vegetais cresciam sozinhos, os peixes saltavam da água e onde todos eram livres”.

É a história de Zarité, escrava em Saint-Domingue nos finais do séc.XVIII, a mulher forte deste romance – como sempre há uma em todos os romances da autora. Mas é também a história da colonização espanhola e francesa da ilha do Haiti ( La Española ), de como em 50 anos foram dizimados os pacíficos aruaques, da escravatura e dos colonos brancos e mestiços que passaram a povoar a ilha, da luta pela independência da parte ocidental ( Saint-Domingue), conseguida finalmente em 1803 com o nome de República Negra do Haiti - “Haiti”, “ terra das montanhas” como no tempo dos aruaques.
É ainda a história dos que emigraram para a Louisiana ( Nova Orleães), colónia espanhola, cedida em segredo a França, vendida por esta aos Americanos e integrada nos Estados-Unidos e da importação e venda de escravos que continuou no Haiti independente, alimentada por quem a tinha combatido …
E é o fascínio da sabedoria ancestral de Tante Rose, a escrava-curandeira e “mambo” vudu ( líder de rituais) - culto trazido de África pelos escravos e misturado com divindades e práticas católicas que se tornou religião oficial no Haiti independente.

Gostei muito deste livro, como de todos os outros de Isabel Allende.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Gaivotas



Fevereiro para mim é já Primavera, Inverno é de Novembro a Janeiro.
Sábado, especialmente, foi Primavera : sol quentinho sem vento, mar bravo, gaivotas em terra … mansas, expectantes, anunciadoras sabe-se lá de quê.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

HISTÓRIAS BOAS DO MUNDO – 1

Oitenta semanas depois de termos decidido fazer aos domingos um comentário positivo sobre o que se passa em Portugal ( BOAS NOTICIAS 1-40) ou homenagear a VIDA sob diversas formas ( VIVA A VIDA 1-40), vamos mudar o título e manter a intenção.
Queremos ao domingo deixar uma chamada de atenção para o que de bom exista ou se faça na Terra, para os “feitos” da Natureza ou do Homem, deixando as más práticas para os outros dias …

E a propósito :

Sabiam que “ se um camelo levar, na bossa, um painel solar, isso é … ajuda humanitária” ? Pois é, trata-se de um projecto –piloto, uma parceria entre as comunidades nómadas do Quénia, o Art Center College of Design ( Califórnia) e a Universidade de Princeton para fazer chegar às comunidades rurais de difícil acesso, minifrigoríficos com medicamentos e vacinas. A experiência está a ser feita no Quénia e na Etiópia. Se correr bem pode estender-se a outras zonas carenciadas.
No Coliseu dos Recreios realizou-se no dia 18 de Janeiro a Primeira Gala Mais Portugal - Cabo Verde ( ainda não transmitida pela RTP, apenas noticiada na RTP2 a um domingo de manhã… ) . Foi um espectáculo musical com a participação de cantores portugueses e cabo-verdianos que integrou a entrega dos prémios “Mais Portugal - Cabo Verde” para distinguir quem mais se destacou na aproximação dos dois povos. Reproduzimos os prémios, um quadro da autoria de Graça Morais.

Até domingo!

sábado, 6 de fevereiro de 2010

FIB – Felicidade Interna Bruta


Falámos há tempo deste indicador, usado no Butão para aferir o grau de satisfação da população. Orienta-se por quatro grandes finalidades : desenvolvimento sócio-económico equitativo; preservação e promoção da cultura; conservação do meio ambiente e boa governação. Depois de anos de uma prática empírica ( desde 1972), foi criado um questionário que os cidadãos respondem a cada dois anos, dividido em nove áreas : bem-estar psicológico, uso do tempo, vitalidade da comunidade, cultura, saúde, educação, ambiente, nível de vida e governação. A partir dos resultados obtidos definem-se estratégias.
Parece simples, inteligente e dizem que é eficaz. Mas o Butão é muito longe, é um país pequeno, a população deve ser pouco ambiciosa, a sociedade de consumo não os deve ter corrompido, …
Bem, a novidade é que há na Europa quem ande a estudar o FIB para tentar alterar a estrita interpretação do PIB – Produto Interno Bruto, indicador que mede a produtividade dos países deste lado do mundo.
Constatou-se que altos níveis de PIB não correspondem necessariamente a maior bem-estar e felicidades das populações. E é assim que em França foi criada uma comissão com gente famosa ( alguns prémios Nobel da Economia), que concluiu ser necessário introduzir novos indicadores num conceito mais alargado do PIB, tais como : bem –estar psicológico e saúde, cultura, nível de vida, desigualdades sociais, governação …
Assim seja.

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

CASPER, “ o gato do autocarro”


Desde 2005 apanhava todos os dias o autocarro nº3, na paragem frente à sua casa, em Plymouth. Esperava na fila a sua vez de entrar, sentava-se no mesmo banco de trás, percorria toda a cidade e regressava uma hora depois. Os motoristas ajudavam-no a sair na mesma paragem em que tinha entrado.

Morreu atropelado em Janeiro. Tinha 12 anos, vivia com a actual dona desde 2002 mas só em 2005 começou com o seu passeio diário.
À porta da “Plymouth Bus City” o porta-voz da empresa colocou o seguinte cartaz : “ O Casper fez parte do dia-a-dia de muita gente e teve uma vida fantástica. Suspeito que agora esteja a descobrir o céu e a contar aos outros gatos as muitas aventuras por que passou”.

O Amon ficou orgulhoso com a notícia e se não fossem os cães que julgam ser os donos da rua …

terça-feira, 2 de fevereiro de 2010

Lilypad, a cidades flutuante


Não é a terra imaginária habitada por pessoas de minúscula estatura ( liliputianos), como o nome me fez lembrar. São cidades para cerca de 50 000 humanos em cada uma delas, lá para o ano 2100, quando alterações climáticas anunciadas com a consequente subida das águas, obrigarem a encontrar novos refúgios para a nossa espécie.
Quanto aos animais o arquitecto Vicent Callebaut não se pronuncia.

Lilypad será uma cidade flutuante, uma ecopolis multicultural, auto-suficiente
( energias renováveis, fitopurificação da água, reciclagem de resíduos).
O conceito que suporta a sua forma baseia-se no nenúfar gigante muito comum na Amazónia ( Victoria régia) e é construída com fibras de poliéster cobertas por camadas de dióxido de titânio – matéria extremamente elástica e que permite a flutuação. A forma original do nenúfar foi ampliada cerca de 250 vezes com o “ objectivo de criar um sistema harmonioso baseado na dupla ser humano/natureza, bem como explorar novos modos de habitar no mar …” .
“Será centrada num lago a partir do qual se organizam três grandes áreas que correspondem às funções de trabalho, lazer e serviços. Cada uma dessas zonas será dotada de uma marina e uma montanha …; uma rede orgânica de infra-estruturas e vias une as montanhas e dará acesso a habitações e jardins suspensos … “

Interessante, fascinante mesmo … assustador! Numa próxima encarnação espero nascer num sítio bem acima do nível do mar e visitar um destes nenúfares em férias de Verão.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

A deusa Bastet e EU !

Uma notícia que a minha dona leu deixou-me cheio de orgulho nos meus antepassados, tão queridos e respeitados no antigo Egipto.

A notícia é a seguinte : foi descoberto em Alexandria restos do primeiro templo da era ptolemaica dedicado à deusa Bastet (século III a.C.) – será provavelmente da época da rainha Berenice.
O templo tem 60 metros largura e 15 de comprimento e pode ter sido destruído no último período da era ptolemaica, quando foi usado como pedreira . ( já se cometiam barbaridades nesse tempo !)

Gostei foi de saber que, entre os objectos encontrados, apareceu aquele da foto : a figura da deusa Bastet, deusa da protecção e da maternidade, com forma de gato.

Já sabia, mas gostei. Sempre é uma honra!
E deixo-vos uma foto minha do dia em que snifei muitos pacotes de variados chás e acho que me passei … Acordei no cesto do pão!