segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Veneza 4

Estive em Veneza numa das melhores épocas do ano. Uma sorte. Explico porquê.
- Estive duas semanas num curso de língua, no Instituto Venezia, integrada num grupo de pessoas de três faixas etárias, de múltiplas nacionalidades, convivendo todas como se tivessem a mesma idade. As motivações, essas, variavam um tanto mas o denominador comum era o mesmo – a paixão pela língua e cultura italianas. Os mais novos, precisam de dominar a língua para fazerem, em Veneza, estudos de arte e música; os da camada 30/40, por necessidades profissionais e os mais velhos realizam sonhos antigos, conhecendo e aprofundando a língua italiana. Fica a imagem do grupo bem-disposto e simpático da minha segunda semana de curso.

Apanhei a Bienal de Veneza, este ano dedicada à Arquitectura e cujas actividades se desenrolavam na zona do Arsenale e Giardini, bem vizinhas de Sant´Elena, onde me encontrava. Devido a um problema físico não pude ver tudo mas pude aperceber-me do valor e originalidade das participações internacionais, através de várias reportagens que passavam diariamente na TV.

Decorreu, enquanto estive em Veneza, a 67ª Mostra Internacional de Cinema. Os filmes eram apresentados no Lido e em duas salas de cinema em Veneza, sendo uma delas ao ar livre. Pude ver dois filmes, um japonês e um canadiano, legendados em italiano, salas enormes e cheias, rebuliço de paparazzi e imprensa agitadíssima atrás de actores, actrizes e realizadores. Filmes com direito a aplausos no final e a muita discussão nos jornais do dia seguinte. Pude festejar a vitória “da Coppola”, como lhe chamam os italianos com bastante simpatia.

Assisti à Regata Histórica e à corrida de barcos a remo, representando clubes de várias cidades da Laguna veneziana, num domingo de muito sol. Equipas masculinas e femininas, trajando t-shits coloridas a condizer com as cores dos barcos, num entusiasmo e rivalidade ferozes, sempre apoiados pelas diferentes claques.

No 1º domingo de Setembro, como todos os anos, logo pela manhã é suspenso o movimento dos vaporettos em grande parte da Laguna. Estranhei, mas logo soube o motivo - era o dia da manifestação da Liga do Norte. E vi, para meu espanto, chegarem famílias inteiras, barcos cheios de pessoas, de todas as camadas sociais e idades, usando o verde alface como cor emblemática, uma bandeira diferente da nacional e entoando o coro dos escravos da ópera Nabucodonosor. Aguerridas foram as palavras de ordem dos manifestantes, altamente separatistas as palavras do discurso do dirigente do movimento. Impressionou-me muito sentir tanta animosidade entre norte e sul, num país que eu pensava mais unido. Mas tive de esmiuçar e de registar em imagem. Curioso foi descobrir que aqueles que não defendem a separação se apressaram a exibir nas suas janelas a linda bandeira nacional.

Ainda apanhei um dia de temporal, forte chuvada e impressionante trovoada, no vaporetto, em pleno canal grande – imagem lindíssima que só registei na memória, infelizmente deixara a minha máquina a carregar em casa. Mas deu para imaginar o que são os dias rigorosos de inverno naquelas águas. E, subitamente, num sábado de sol, ao chegar à Piazza S. Marco deparei com uma pequena amostra do fenómeno acqua alta com princípio de inundação, logo aproveitada pelos turistas para as habituais brincadeiras.
Com tudo isto, construi a minha Veneza!
Mas também tenho, para vos mostrar, a Veneza mais turística, aquela que aparece em belíssimos postais e vive no nosso imaginário. Essas imagens ficam para amanhã!

4 comentários:

Isa disse...

E que linda é a tua Veneza!
Que grupo simpático com quem trabalhaste!
Beijo.
isa.

goiaba disse...

Uma Veneza tão vivida apesar do pé torcido e de tanta dificuldade em andar! É bom acompanhar a tua viagem e espero poder ajudar nas sequelas ... doutores, fisioterapia ... MAS VELEU A PENA!
bjinhos

ZIA disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
ZIA disse...

Desculpem lá, quando publiquei o meu comentário vi que tinha uma palavra misturada com outra e quis eliminar. O que eu queria era agradecer a quem tem publicado e acompanhado o meu relato.
Na verdade, até eu fico admirada como consegui, apesar do pé torcido, naquela cidade do sobe e desce, captar tantas imagens. Parece que o handicap me deu mais tempo, paciência e atenção redobrada. Mas a cidade merece, é tão especial.
Beijinhos
ZIA