sexta-feira, 18 de setembro de 2009

Zimbabué, um novo Ano Lectivo

É o regresso às aulas em vários países – novos livros, nova mochila, cadernos novos, … Até ”um computador para cada aluno”. Escolas novinhas em folha com modernos equipamentos, escolas menos novas e ainda com o equipamento tradicional mas … em África não é tanto assim.

Veja-se a imagem de uma escola no Zimbabué, publicada na Visão desta semana e leia-se a legenda :
“ No martirizado Zimbabué, terra de justiça adiada onde o ditador Robert Mugabe utiliza todos os truques para se agarrar obstinadamente ao poder, a rentrée escolar ocorreu anteontem ( 15/9) sob o signo da penúria : no ensino básico, dez alunos têm de partilhar o mesmo manual e há escolas que não possuem um só livro. Como vem longe o futuro! “

E outras há onde as aulas ainda decorrem debaixo das árvores, com um quadro improvisado – mesmo sem Robert Mugabe, milhares de crianças africanas têm o futuro comprometido deixando aos privilegiados filhos das elites a educação e o ensino que todos merecem. Não é de estranhar por isso que os filhos sejam os sucessores dos pais nas diversas lideranças.
Globalização direitos? Quando?

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

“VAMIZI, a ilha esmeralda das Quirimbas”

O Verão está no fim mas só aqui … no hemisfério sul o calorzito continua e as águas quentinhas não arrefecem. E era já já que eu correria para as Quirimbas se um lote de razões não existisse!

Este sonhozito de fuga veio a propósito de uma reportagem da última revista “Focus”. E sabe-se lá se há quem sonhe como eu e como Carlos Queirós (esse mesmo, o seleccionador nacional, que investe na ilha e em vários projectos de apoio a Moçambique) !!

O arquipélago das Quirimbas fica a Norte de Moçambique,na província de Cabo Delgado - são ilhas coralinas, mais de 50 em linha norte-sul, entre a foz do Rovuma e a baía da Quissanga ( a 20 km de Pemba – ex-Porto Amélia). Vamizi é só uma delas.
Toda a intervenção na ilha é feita tendo em conta a conservação da Natureza, a garantia de continuar a ser local de desova das tartarugas e maternidade para as baleias corcundas. Os bancos de corais são cuidados e preservados, as praias são diariamente limpas (os barcos que navegam ao largo são grandes poluidores e tudo vem ter à praia). E as populações são respeitadas e integradas, vai ser construída uma escola e um centro de saúde, há uma Associação de Mulheres para que se desenvolvam as actividades tradicionais e, muito importante, criou-se um sentido de comunidade. E essas preocupações podem coexistir com um “resort”, um pequeno aeroporto e algumas casas – muita da construção feita com aproveitamento de matéria prima local ( casuarinas, por exemplo, que não são naturais da ilha e prejudicam o ecosistema).

Dez quilómetros de praia de areia fina, água azul-esmeralda a 33º, corais vivos, peixes tropicais, várias espécies de pássaros, macacos, mangais , um rio de água salgada (!!) . Entre Julho e Dezembro as baleias corcundas chegam para dar à luz, entre Janeiro e Agosto desovam as tartarugas verdes e de bico!

O que é preciso mais para irmos lá?? … (Será que posso levar o gato?)

terça-feira, 15 de setembro de 2009

Ela voltou !!

É verdade, a minha dona voltou mas eu não esqueci que se foi e que, durante uma semana nem um “olá”. Bem a vi entrar com os outros três que me apoiaram toda a semana , com muitos sorrisos e até queria fazer-me uma festa. Zás! Virei-lhe a cara com o rabo bem tufado para ela perceber que ir e vir não é assim tão fácil. E foi assim até à noite : dentadelas, olhos maus, sapatadas … Para os outros, denguices …
Só que não resisti e à noite lá fui deitar-me no sítio habitual e fingi que estava a dormir e deixei fazer festinhas. Ouvi umas explicações que não sei se entendi bem mas resolvi esquecer. Afinal eu gosto muito dela! E não é que deixei de ter a fome desvairada da semana anterior?

domingo, 13 de setembro de 2009

VIVA A VIDA 20


O neurocientista Rui Costa - investigador principal no Programa de Neurociências da Fundação Champalimaud, no Instituto Gulbenkian de Ciência - recebeu uma bolsa de 1,6 milhões de euros para tentar descobrir, nos próximos cinco anos, as diferenças a nível cerebral entre as acções novas e as praticadas por rotina ou compulsividade.A bolsa foi atribuída pelo European Research Council (ERC), o mais importante organismo europeu de apoio à ciência e à investigação.
Este neurocientista português é um dos 219 bolseiros do prestigioso European Council Starting – selecção feita entre 2503 candidatos.
Na sua perspectiva, o trabalho poderá contribuir para compreender melhor não só o funcionamento do cérebro, a interacção com o mundo ou como se praticam determinadas acções e não outras, mas também as doenças do foro neurológico e psiquiátrico, em que as pessoas não conseguem criar rotinas, ou as criam em demasia, como nos comportamentos obsessivo-compulsivos ou aditivos e até relativamente á criação de vícios.
Rui Costa tem 37 anos, é licenciado em Ciências Veterinárias (Universidade Técnica de Lisboa), doutorado em Ciências Biomédicas pela Universidade do Porto e pela Universidade da Califórnia em Los Angeles, e fez o pós-doutoramento em Neurobiologia na Uiversidade de Duke, também nos EUA.
Viva a Vida também é celebrar, com muita emoção e alegria, o regresso da Goiaba ao nosso convívio, após a cirurgia. Boa e rápida recuperação, vizinha!

domingo, 6 de setembro de 2009

VIVA A VIDA 19

Ali para os lados de Santiago do Cacém, em Vila Nova de Santo André, fica o Badocas Safari Park, um lugar onde quase se pode ter um cheirinho de África e onde há animais “selvagens” em liberdade. Uma boa alternativa aos Zoos - se houver muito, muito espaço.
Amigos que lá foram deixaram-me com vontade de colocar esta visita na lista e proponho-a aqui a partir de 3 vídeos, o último dedicado à vizinha do 2º andar – ela saberá porquê.

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

“ Os inesperados benefícios do fracasso” !!

É este o nome de uma conferência proferida por J.K.Rowling, autora dos livros do Harry Potter, em Junho de 2008, numa cerimónia de atribuição de diplomas aos alunos da Universidade de Harvard ( Estados-Unidos).

Conta a autora que, depois de chegar a Edimburgo, vinda de Portugal e de um divórcio, se viu sem emprego, com uma filha para criar, com necessidade de pedir um subsídio estatal para se sustentarem e carregada de culpa por achar que tinha fracassado e desiludido os pais. Sentindo que falhara, sofreu uma depressão e chegou a pensar em suicídio. Mas, foi esse sentir “bater no fundo” que a ajudou “ a despojar-se de tudo o que não era essencial …. e começar a canalizar as suas energias para a única actividade que realmente lhe interessava : escrever”. De repente sentiu-se livre para fazer o que gostava “ uma vez que todos os seus maiores medos ( pobreza, solidão, expectativas goradas) já se tinham materializado”.
Ao fazer a apologia do fracasso lembrou que aqueles jovens habituados a ser sempre bem sucedidos podem estar mal preparados para o erro , o fracasso e a recuperação. O mesmo dizem muitos psicólogos modernos: “ é preciso desenvolver uma atitude de tolerância em relação à frustração para perder o medo de que as nossas expectativas não se concretizem”.

Pareceu-me oportuno repescar esta noção dos “benefícios do fracasso” numa época em que os pais se esforçam por não deixar obstáculos na vida dos filhos, no início de mais um ano escolar em que tudo se dá às crianças para que tenham êxito, numa sociedade de consumo onde se olha demais para o supérfluo, num momento de crise económica onde muitos sentem que tudo se desmorona … e quando se julga que a “saúde é de ferro” e afinal não é!!

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Desabafos de Amon

Meus amigos ando muito desconfiado nestes últimos dias. Oiço a minha dona falar com as amigas sobre coisas que não me agradam e agora a Lis vem muitas vezes a casa da minha dona para aprender a tratar de mim. Hoje até limpou a minha casota, espreitou a minha comida, colocou água limpa para eu beber e andou para ali a falar com a minha dona sobre os meus hábitos alimentares e outros… Mostrou-lhe a minha escova de escovar o pelo, comprou outra tela, enfim, desconfio que vou ter que aturar a Lis e que a minha dona vai passar uns tempos a qualquer lado.
Mas compreendo o esforço da Lis, ela que nunca lidou com gatos e muito menos gatos como eu que gosto de arranhar e mordiscar. Mas vou portar-me bem, ela merece.
Hoje fiz-lhe uns arranhões, mas foi tudo a brincar, a culpa é da minha dona que já me devia ter cortado as unhas! Depois a Liz tem aquela pele delicada que mal lhe toco fica logo com sanguinho à mostra. Farta-se de gastar pensos rápidos, tenho que lhe oferecer uma caixa para a semana.
Hoje escutei por detrás da porta o segredo delas e fiquei ansioso. A minha dona vai ser operada, terá que ficar uns dias num hospital e eu não a poderei visitar. Agora que até tenho uma trela nova!...
Vou ter que ficar a tomar conta da casa, com a chata da Lis e da Mar a virem espreitar-me, a fazerem palhaçadas para eu me distrair e sempre atentas às minhas asneiras.
Desejo muito que a minha dona se cure e venha o mais depressa possível, vou pedir muito “aos meus auxiliares” que ajudem e ELES ouvem-me sempre.
Por isso minhas vizinhas amigas não se preocupem eu aprendi com a minha dona a ser corajoso e a enfrentar os problemas com serenidade. Dormirei as minhas sonecas, caçarei as mosquitas que se atravessarem no meu caminho e só não vos mando um e-mail porque tenho umas patas muito pesadas para tantas teclas. Jinhos!