domingo, 7 de novembro de 2010

Boas Notícias de Novo – 2

Enquanto certas espécies de animais e plantas parecem correr o risco de se extinguir, outras são descobertas. Algumas, como os seres unicelulares descobertos nas águas ferventes dos Açores, viviam em condições tão adversas que parecia impensável a vida; outras, têm permanecido escondidas dos biólogos por habitarem zonas muito isoladas. Este é o caso de uma espécie de primata descoberto na Birmânia por uma equipa de primatólogos. Têm pelo negro, orelhas arrebitadas, longa cauda e cara virada para cima tal como o nariz – quando chove, para evitarem a entrada da chuva no nariz sentam-se com a cabeça nos joelhos. Os caçadores locais chamam-lhe “nwoah” ( “cara virada para cima”) e são cerca de 300 .
- O solo lunar é mais rico do que pensavam os geólogos – contém prata, mercúrio, água pura sob a forma de cristais de gelo, metano, amoníaco, sódio, … As descobertas foram feitas na cratera Cabeus, perto do Pólo Sul que é considerada “ um tesouro de elementos químicos”.
As descobertas aceleram-se : na Lua, em Marte, noutros sistemas solares.
É bom.

sábado, 6 de novembro de 2010

GENTE “superior” …

“ No aeroporto, conheço logo a bicha do avião que vem de Portugal : são os mais feios, mais pequenos, mais escuros “ – frase de António Lobo Antunes, citada na revista “Sábado” desta semana .

Desabafo “pequenino” de um “gigante louro” que se julga tão extraordinário …
Que pena!

Nota : sem foto, de propósito.

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

À Zamparina


Sempre que posso, sigo, com muita curiosidade, um apontamento matinal da Antena1, da responsabilidade da jornalista Mafalda Lopes da Cruz, sobre o significado de lugares comuns da nossa língua. São quase sempre muito interessantes as histórias que estão por detrás de cada uma dessas expressões. Hoje, ouvi esta que ainda não conhecia – à zamparina. Por isso, aqui estou a partilhá-la.
À zamparina quer dizer de forma atabalhoada, coisa mal feita, mal amanhada mas também correspondia, em tempos idos e em linguagem de moda, à forma de usar o chapéu ligeiramente inclinado para a frente, cobrindo um pouco a orelha direita, uma forma inusitada de usar chapéu, nos séc. XVIII e XIX. Mas, na origem desta expressão está uma famosíssima cantora de ópera do tempo do Marquês de Pombal – Anna Zamperini, veneziana e figura muito controversa, pelas modas e modos muito arrojados, para a época. Já era uma estrela famosa em Itália quando veio para Portugal, integrada numa companhia, com a intenção de revitalizar os palcos da ópera de capital.
Zamparini ficou famosa pelos seus dotes artísticos, pela sua irreverência e pelo seu poder de sedução que incluía o uso do chapéu inclinado. Mas parece que também se tomou de amores pelo filho do Marquês de Pombal. Este, temendo as consequências nefastas de romance tão escaldante, decidiu, rapidamente, mandar de volta para Itália a jovem cantora e interrompera contratação de mulheres, para cantar ou dançar nos palcos portugueses. Foi certamente uma medida gravosa para o desenvolvimento dos espectáculos de ópera no nosso país.
Assim, à zamparina ficou a designar a moda do uso particular e provocatória do chapéu ou uma coisa feita de forma atabalhoada, à pressa, como foi posta em prática a expulsão da cantora veneziana.
Não posso deixar de relacionar o sentido deste lugar-comum com a recente vitória de Dilma Rousseff e de me congratular com todo o caminho que muitas mulheres têm pacientemente percorrido para chegar aos mais altos cargos de vários países. Não posso deixar de pensar no que já se fez, sem esquecer também o tanto que falta ainda concretizar. Importante é não baixar os braços, nada fazer à zamparina.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Fim de semana invernoso

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Queixaram-se os humanos da chuva e do vento … Eu gostei muito do último fim de semana : com dona em casa, de preguiça, manta e muita calma.
O mar estava bravo? Era longe.
O vento soprava forte? Era só fugir da casa de banho onde ele uivava furioso.
Podem voltar a levar-me quando o Inverno apertar …




quarta-feira, 3 de novembro de 2010

O Futuro pelo “buraco” da fechadura

Podíamos pensar que, com o aumento do preço dos combustíveis e outros aumentos que se adivinham, os Humanos aprenderiam a viver de outra forma.
Parece que não. A evolução técnica é no sentido de manter os mesmos paradigmas …

Veja-se o que está em curso na China e se prevê ser realidade até ao final deste ano : o “Stradding bus”, um novo autocarro que não ocupa estrada e deixa espaço livre para os automóveis. Diz-se que na capital chinesa já estão em construção várias linhas de carris para testar o novo veículo - que é eléctrico, circula a dois metros do chão, terá 4,5 m , pode circular a 60 km/h e transportar entre 1200 a 1400 passageiros. Claro que as estações também serão construídas em altura.
Vejam :

terça-feira, 2 de novembro de 2010

San Michele – a ilha cemitério

Ainda guardo alguns apontamentos de Veneza para partilhar. Entre eles, a descoberta da ilha cemitério de Veneza, que se situa a curta distância, a norte da cidade, num recinto murado, ladeado de ciprestes.
Não a visitei mas, avistei-a de bem perto em algumas das minhas viagens de vaporetto.
Numa das vezes, tocou-me bastante. O vaporetto em que eu seguia abrandou para que um cortejo fúnebre, de barco, acostasse à ilha de S. Michele, a ilha dos mortos. Estava uma manhã cinzenta de nevoeiro e uma aragem fria causava-nos algum desconforto. Muitos passageiros, estrangeiros como eu, estranhavam o cenário que tínhamos à nossa frente. Lembrei-me logo do filme Morte em Veneza e de todo o mistério que a cidade enevoada empresta à trama desse filme. Assim, regressei a casa com imensa curiosidade de saber mais sobre a ilha cemitério. De saber como é que aquela gente que vive e convive o tempo todo com a água resolvia mais esse problema, o destino a dar aos que morrem.
Desde 1862 que a ilha San Michele passou a ser o cemitério da cidade de Veneza. Foi escolhida como cemitério aquando das invasões Francesas que decretaram a insalubridade de enterros na cidade. Por decreto de Napoleão, os mortos tinham de ser enterrados longe das casas dos vivos. A entrada para o cemitério faz-se por um portal gótico ornamentado por S. Miguel com um dragão e pelo claustro dos monges com colunatas. Neste dia de Finados, muitas pessoas acorrem à ilha para rezar pelos seus mortos. À excepção de personagens como o músico Stravinsky, a escritora Ezra Pound ou o fundador dos Ballets Russos, Dighilev, cujos corpos se encontram na ilha, os ossos dos falecidos são metidos em pequenas urnas. O cemitério ainda se encontra a uso, mas devido à falta de espaço torna-se necessária a exumação dos corpos passados alguns anos.

Neste dia de finados, dedicado ao culto dos nossos seres queridos que já partiram, as imagens daquela ilha veneziana provocam-me alguma emoção. Na verdade, a ideia de última viagem, as águas que balançam e embalam as embarcações, o nevoeiro, o mistério e o choro da sirene especial que se ouve nesses momentos compõem um cenário triste mas também muito belo e sentido que convida à meditação.
Deixo um pequeno vídeo com algumas belas imagens da ilha cemitério de Veneza.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

E as mulheres continuam …


Mais uma vez é eleita uma mulher Presidente da República e mais uma vez se depositam esperanças numa forma diferente de “fazer política”. Não fora a governação depender mais de interesses e grupos económicos do que de programas bem intencionados e esta podia ser mais uma Boa Notícia.

Dilma Rousseff foi eleita a 1ª Presidente da República no Brasil e porque se bateu por um mundo mais justo e equilibrado, vamos ter Esperança de que consegue atingir os objectivos que traçou e dos quais faz parte a valorização da mulher.
Na América do Sul outras mulheres foram e são Presidentes em regimes presidencialistas onde o Chefe de Estado é também chefe do Executivo ( Isabel Peron, Michelle Bachelet, Cristina Kirchner, Violeta Chamorro … ) – na Argentina, Chile, Nicarágua, Panamá, Costa Rica.

Na Europa, na Ásia, em África, a lista de presidentes e primeiro-ministro no feminino é muito grande e de muitas ficou memória : a primeira Presidente eleita foi no Sri Lanka , Sirimavo Bandaranike em 1960 ; Golda Meir, primeira-ministra de Israel em 1969 ; Maria de Lourdes Pintassilgo, primeira- ministra de Portugal em 1977 ; Indira Ganghi primeira-ministra da Índia, em 1966 e 1980; Corazon Aquino , presidente das Filipinas em 1986 ; Benazir Bhutto , primeira-ministra do Paquistão em 1988 e 1993; Mary Robinson, presidente da Irlanda em 1990 ; Gloria Arroyo , presidente das Filipinas em 2001 ; Mame Madior Boye, primeira- ministra do Senegal em 2001 ; … A lista é muito grande e de muitas não sei se alguém tem memória.
De 2005 a 2010, foram ou são mulheres as presidentes ou primeiro-ministros dos seguintes países : Alemanha, Ucrânia, Suiça, Libéria, Coreia do Sul, Jamaica, Índia, Argentina, Federação da Bósnia e Herzegovina, Moldávia, Lituânia, Costa Rica, Trinidad e Tobago e Austrália.

Em alguns países mais de uma vez foram eleitas mulheres para chefe de Estado ( Argentina, por exemplo), mas a Irlanda foi o primeiro e para já único país, a ter uma mulher sucedendo a outra para o cargo de Presidente – a Mary Robinson sucedeu Mary McAleese em 2004 .
A eleição de um novo Presidente não devia merecer atenção especial por ser mulher ou negro – mas ainda nos leva a escrever e a pensar que é um acto “extraordinário” !! … Que Dilma Rousseff não nos desiluda.