terça-feira, 12 de abril de 2011

Miradouro de S. Pedro de Alcântara

Lisboa está mais bonita! Sou eu que o digo e… pronto! Será da luz da Primavera, intensa e quente, que invadiu a cidade, pondo fim a um prolongado e, por vezes deprimente, Inverno? Serei eu que ando mais bem disposta, que mais não seja para contrariar a onda pessimista que nos persegue afincadamente? Será que, após um longo, longo período de recuperação urbana, se retiraram os tapumes e muitas belezas se mostram à luz do dia? Será porque a cidade está quase na Páscoa e há uma invasão de espanhóis, bem mais efusivos e extrovertidos? Será pelo efeito, em tons de verde, que as minhas queridas árvores de Lisboa espalham pelas ruas e jardins? Será…?

De certo que é um pouco por tudo isto.

Hoje, deixo aqui um apontamento sobre o recuperado jardim e miradouro de S. Pedro de Alcântara, por onde passei há poucos dias e cuja visita recomendo vivamente! Está bonito, cuidado, muito vivo e colorido.

A requalificação do Jardim, que foi inaugurado no início do ano de 2008, teve como finalidade dignificar os elementos notáveis daquele espaço – os lagos, as estátuas, o pavimento, as zonas verdes, o mobiliário urbano, a iluminação e zonas de lazer, mantendo o carácter romântico de jardim/miradouro, um dos mais emblemáticos da cidade por oferecer um dos mais belos panoramas sobre a cidade. O Jardim foi construído no século XIX e o seu nome vem do padroeiro do convento dos Arrábidos que lhe fica em frente. Aqui se encontra um painel de azulejos, bastante antigo, da autoria de Fred Kradolfer, que apresenta alguns dos principais pontos que se podem avistar a partir do miradouro e também a estátua do fundador do jornal Diário de Notícias, Eduardo Coelho.

Depois de recuperado, como disse, o espaço está muito convidativo – tem algumas esplanadas, um tradicional e muitos bancos, na parte superior e na parte inferior, onde se pode descansar, ler, conversar.

Já agora, mais uma “dica” – quem vem do Jardim de Alcântara, a pé, em direcção ao Príncipe Real, do lado direito da rua, vai encontrar um pequeno café/bar muito original. Estava fechado mas deu para espreitar e para espicaçar a vontade de o visitar. Chama-se Lost in Esplanada! Promete-se um post para depois da visita.

Assim sendo, por favor, saiam para redescobrir a cidade que está mesmo mais bonita!


segunda-feira, 11 de abril de 2011

A PÁSCOA JÁ CÁ CHEGOU



Como hoje fomos mimadas com as primeiras “amêndoas” da vizinha Goiaba, não podíamos deixar de postar as iguarias.

Tudo muito bom, tudo para a dieta e para a crise, como sabiamente afirmou a mestra da culinária cá do sítio.

Um folar caseiro, fofinho, tostado, saboroso…. A que não falta o ovo da tradição. Receita? Bem, não estou autorizada a divulgar. Cada chefe lá tem os seus segredos, sabem como é…

Depois, como este ano andamos todas a evitar as amêndoas, os chocolates e outras guloseimas… a solução apareceu logo em forma de ovos… mas de gelatina! Não faz mal, não estraga tanto a linha e até fortalece as unhas e os cabelos!

Fiz rapidamente as fotos, rabisquei estas linhas e a Lis vai postar no Blog. Cada uma na sua arte, pois então!!

Se houver mais novidades de Páscoa, elas cá aparecerão! Prometido!!

domingo, 10 de abril de 2011

Boas Notícias de Novo 22

Com o título “ Com oito garrafas se faz uma camisola”, li que muitas camisolas da Nike, da Adidas e de outras empresas são de poliéster obtido a partir do plástico das garrafas de litro e meio que é primeiro triturado e depois transformado em fibra. Estas camisolas vestem, por exemplo, os jogadores do Futebol Clube do Porto e os da Selecção Nacional.


Aliás para os alemães da Adidas o objectivo é que 100% do calçado e 20% do resto do vestuário sejam, até 2012, sustentáveis.

O Expresso e o Millennium BCP lançaram o concurso “Movimento do Milénio” que” procura soluções para o futuro com impacto na vida dos portugueses”. Na categoria DEMOCRACIA foi escolhido esta semana o projecto vencedor : VOTO SIMPLEX.

Este projecto, da autoria de Stéphanie de Matos e André Cabrita, visa “equipar as caixas Multibanco com tecnologia que permita votar em qualquer local com o cartão de cidadão, eliminando a necessidade dos eleitores se deslocarem às respectivas mesas de voto”.

Parece uma boa ideia que facilita a vida a quem está consciente do dever cívico de votar e pode ser que motive outros a não se absterem …E já agora aproveitava-se o facto de Portugal ter uma das maiores redes per capita de caixas Multibanco - os nossos banqueiros não se pouparam a esforços para tornar fácil o acesso ao dinheiro!!

Levanta-se a questão de se poderem falsificar votações sendo o cartão usado por outro …mas há solução já desenvolvida na Polónia : leitura biométrica que identifica o utilizador.

Nesta semana em que não nos apeteceu nada procurar Boas Notícias, aproveitamos estas!!

Nota: o referido concurso continua aberto para outras categorias ( Negócios, Cidades, Consumo)

quarta-feira, 6 de abril de 2011

Uma péssima notícia …

Há tempo recebi um mail com informação sobre a Guiné Equatorial e o seu líder : Teodoro Obiang Nguema. Presidente corrupto desde 1979 depois de um golpe de Estado contra o seu tio, igualmente corrupto, tem mantido o povo na miséria e enriquecido a família e os amigos com as riquezas do país – a Guiné Equatorial é o terceiro produtor de petróleo da África subsariana e Obiang foi eleito pela revista Forbes o oitavo governante mais rico do mundo.

A Guiné Equatorial é uma antiga possessão espanhola, por isso a língua oficial é o castelhano. Mas … tem uma segunda língua oficial : o português ( a ilha de Fernando Pó faz parte do país e a zona esteve sob influência portuguesa até 1778) ). A razão principal é o desejo de vir a integrar como membro permanente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) de que é, desde há tempo, membro “observador” ( como o Senegal e a República de Maurícia). Esteve quase a consegui-lo mas o projecto foi adiado.

Para além da situação miserável dos habitantes deste país já ser uma má notícia, li agora que, a 30 de Janeiro último, na cimeira da União Africana, Teodoro Obiang Nguema FOI ELEITO PRESIDENTE dessa união de Estados africanos !! O mesmo que rouba o país e massacra o seu povo, o mesmo que defende no poder do Zimbabwé Robert Mugabe … O mesmo que, na tomada de posse diz que “ o seu mandato será consagrado ao desenvolvimento económico, à unidade e à paz” e que “ os conceitos de democracia, dos direitos humanos e da boa governação não são temas novos para África mas têm de ser adaptados à cultura africana” … O contrário do que pratica!!

Veja-se o vídeo que, no Youtube, só encontrei em espanhol.

segunda-feira, 4 de abril de 2011

Gene Sharp

É, ao que parece, o “guru” dos novos movimentos mais ou menos pacifistas que têm reagido contra ditadores e autocratas.

Tem 83 anos, vive a maior parte do tempo no seu pequeno apartamento em East Boston, entre livros, cães e o cultivo de orquídeas. Admirou e estudou profundamente a vida e obra de Ghandi, a luta pelos direitos civis de Luther King e na de outros pacifistas e nelas se inspirou para escrever, em 1973,“The Politic of Non Violent Action” ; em 1983 funda uma ONG que divulga métodos de acção não violenta e em 1992 escreve “a bíblia dos revolucionários não violentos”: “Da Ditadura à Democracia”. A seguir escreve “ 198 Métodos de Acção Não Violenta” cujo conteúdo foi testado durante uma estadia na Birmânia. São estes os manuais de revoluções pacíficas usados na Tailândia e na Indonésia contra as ditaduras . Diz-se que foram inspiradores das organizações responsáveis pela queda de Milosevic (Sérvia, 2000) e , em 2009, inspiraram o “movimento verde” do Irão. São conhecidos por todos os movimentos pró democracia da Geórgia, Ucrânia, Quirguizistão e Bielorússia e hoje são usados pelos revolucionárias árabes.

Deve-se a Sharp “a ideia de atribuir uma cor imediatamente reconhecível às revoluções – verdes, laranjas, rosas,etc”
Segundo Sharp “ as ditaduras têm fraquezas e uma acção pacífica bem planeada pode fazê-las cair”. “O sucesso de uma revolução assenta na capacidade que os seus organizadores terão para enfraquecer a aliança entre funcionários públicos, polícias e soldados que normalmente suportam os autocratas. O seu sistema de recompensas e punições deve ser desestabilizado”.

Para saber mais, nada como aceder ao site seguinte e fazer download do livro “Da Ditadura à Democracia”, traduzido para português ( brasileiro)

Os ditadores que se cuidem !!! ( SERÁ??)

domingo, 3 de abril de 2011

Boas Notícias de Novo 21

Numa semana em que só temos presente más notícias, foi fácil encontrar pelo menos, três Boas Notícias :


- A que distingue a fadista portuguesa Mísia com o grau de Oficial da Ordem das Artes e Letras, atribuída pelo Governo francês. É a terceira distinção em muito pouco tempo : em 2004 tinha-lhe sido atribuído o grau de Cavaleiro dessa mesma ordem e, em 2005, recebeu do Presidente da Câmara de Paris a Grande Medalha de Vermeil da Cidade, a maior distinção da capital francesa.

As justificações apontam para o seu percurso de 20 anos de fadista e para que o “seu estilo, único e peculiar, revolucionou a interpretação tradicional do fado”.
Ao que se sabe o seu último álbum é constituído por fados tradicionais com letras escritas por mulheres.



-Ao arquitecto Eduardo Souto Moura foi atribuído o prémio Pritzker 2011, o maior prémio mundial na área da arquitectura. O facto de ser a segunda vez que este prémio é atribuído a um arquitecto português ( 1992,Siza Vieira) é motivo de orgulho e responsabilidade futura.

Este prémio foi atribuído a a arquitectos que nos habituamos a considerar extraordinários como Oscar Niemeyer (1988), Frank Gehry (1989), Norman Foster (1999) e Zaha Hadid (2004).






 - Em Évora decorre, desde Abril de 2010, uma experiência-piloto na área do consumo e controlo de energia : projecto InovCity, que, no dizer do eng. Sócrates coloca Portugal “ na linha da frente da inovação em matéria de redes inteligentes de energia”.Numa conferência realizada agora sobre a implementação do projecto constata-se os bons resultados e o interesse de vários países na importação do conceito - estiveram presentes delegações da China, Marrocos e alguns países da América Latina, “ entre outros que estão associados ao projecto”. É um projecto caro … mas parece que há empresas interessadas!



sexta-feira, 1 de abril de 2011

Revisitar a Faculdade de Letras

Na quinta feira, dia 31, a nossa aula de Italiano foi, mais uma vez uma oportunidade diferente de ouvir a língua, desta vez assistindo a uma conferência do Prof. Luca Serianni, catedrático de História da língua italiana, na Universidade de Roma , La Sapienza, e autor de uma das mais famosas gramáticas da língua.

“La lingua italiana centocinquant’anni dopo l’Unità” era a conferência que se insere no programa bastante diversificado que o Instituto Italiano de Cultura de Lisboa tem promovido para festejar os 150 anos da república italiana, em colaboração com o Departamento de Linguística da Faculdade de Letras.

Isto para dizer da dupla satisfação com que fui assistir a esta aula. É sempre bom voltar à escola onde estudámos, onde vivemos bons e também menos bons momentos, em que, de uma forma bastante saudável, vivi a minha fase académica. Fiz excelentes amizades, que ainda hoje mantenho e de que muito me orgulho. Pertenci a um grupo de alunos bastante bom e que deu muito bons profissionais. Tive extraordinários professores que recordo com muita saudade e emoção. Tive outros menos bons mas que, felizmente, esqueci há muito. Tenho tantas e tão boas recordações daqueles corredores, anfiteatros, escadarias e bar por onde deixei, certamente muitos risos, muitas ânsias, muitas alegrias e muitos apertos na hora dos exames.

Tudo isto passou hoje pela máquina da minha memória e soube muito bem. Gostei de ver os anfiteatros e as mesmas salas dos Departamentos aonde íamos com frequência encontrar os professores, entregar trabalhos, esclarecer dúvidas. Reconheci tudo com pormenor. Depois gostei das novidades, dos novos espaços, das novas salas e anfiteatros. Tudo com um ar arejado, modero e bem enquadrado. Não sei bem o que pensam os novos estudantes mas, para uma velha aluna foi muito agradável constatar o alargamento das instalações, com muita luz e espaço.

Quanto à conferência em si foi bastante interessante, apesar da instalação sonora não ser exemplar. É bom ver um anfiteatro cheio de pessoas para ouvir um linguista, nos tempos de hoje. Jovens e menos jovens, alunos e professores todos a reflectir sobre a língua italiana que, ao contrário do que se poderia pensar, é recente de 150 anos. Antes da unificação, em 1861, diferentes “dialectos” eram falados pela península, dependendo da vizinhança com outros povos, dos diferentes invasores, das fronteiras. Acabou por vingar o florentino, consagrado por três grandes nomes da literatura – Dante, Petrarca e Boccaccio e mais tarde por Alessandro Manzoni, autor do que é considerado o primeiro romance italiano I Promessi Sposi. Também foi gratificante poder seguir uma conferência com temática específica em italiano e … perceber tudo com alguma facilidade. Sentimos que, assim, vale a pena o esforço e o trabalho. E não menos feliz fiquei quando ouvi uma autoridade linguística, como o professor Serianni, confidenciar-nos que o verdadeiro italiano, segundo ele, não é o da literatura, o dos romances, mas o italiano utilizado nos jornais sérios. E os italianos têm jornalistas de mão cheia!!
Para acabar o apontamento aqui fica uma nota dissonante. Um pequeno grupo de jovens que entravam e saiam do anfiteatro, sem respeito pelo conferencista, perturbando a atenção dos presentes e a quem uma colega minha, a dada altura, teve mesmo de chamar à realidade. Isto não acontecia no nosso tempo. Não nos atrevíamos, nem os nossos professores o permitiam. Podíamos entrar ou sair, é certo, mas sem incomodar.