sábado, 1 de agosto de 2009

NARGUILÉ

Eu gosto de cachimbos – talvez por influência do meu pai que os coleccionava.
De entre muitos, encantam-me os cachimbos d’água - narguilés, no Médio Oriente e na Turquia.

Vem este apontamento a propósito de uma pequena notícia que li há dias :na Turquia, passou a ser proibido fumar narguilé nos cafés, bares e restaurantes - € 32 de multa, 4 500 fiscais no terreno …
Este Mundo civilizado está a ficar sem graça!

Os cachimbos d’água terão sido inventados na Índia, por um médico do séc.XVII ( há quem diga do séc. XIV - ? ), como método para retirar as impurezas do fumo. Na China passou a ser usado para fumar ópio e, na Turquia, Pérsia e entre os árabes foi motivo de reunião em pequenos grupos, acompanhando café, conversa e silêncios partilhados. Os primeiros eram feitos de coco ,madeira e palha ; hoje são de metal ou vidro, dos mais simples aos mais sofisticados. Para os turcos são narguilés, para os árabes shisha ou sheesa, hookah na Índia, …
Um narguilé é composto por 4 ou 5 partes : um corpo/vaso que fica na parte inferior com a água que vai filtrar o fumo ; o fornilho onde se coloca a mistura de tabaco e por cima o carvão em brasa ; pode ter ou não um abafador que protege as brasas e evita o consumo rápido do carvão ; o tubo/mangueira por onde circula o fumo e na extremidade a piteira por onde se aspira o fumo ( nos lugares públicos é, era, descartável). Por vezes podem ter mais do que uma mangueira e ser fumados, à vez, por mais do que um fumador.
A água pode ser substituída por wisky ou afrodisíacos (!?) e a mistura de tabaco é constituída por folhas frescas de tabaco, polpa seca de frutos e essência de mel.

O que me incomoda é que a proibição parece justificar-se porque numa sessão de fumo com narguilé ( 20 a 60 minutos), a quantidade de nicotina inalada parece corresponder a cerca de 100 cigarros!
Mas parece tão bonito e calmo fumar narguilé!
Lembro a Lagarta Azul de “ Alice no País das Maravilhas” (Lewis Carrol) , fumando narguilé, sentada num cogumelo e conversando calmamente com Alice !!

E pronto. Os narguilés vão passar a enfeitar as montras da Turquia, acabaram as fotos de rua tiradas aos fumadores e eles, os fumadores? Será que vão reivindicar o direito, a liberdade de fumar e prosear sem tempo nos espaços públicos onde todos se encontravam? Eu não ia gostar nada se fosse um deles!
( Será que os homens vão perceber que certas proibições feitas às mulheres, obrigam a viver “às escondidas” ? )

sexta-feira, 31 de julho de 2009

Campo dei Fiori



Na Idade Média foi espaço de artesãos que ali desempenhavam vários trabalhos. Hoje continua a ser um dos mercados mais activos de Roma, quer para os turistas, quer para os habitantes da cidade. O mercado ocupa a praça que tem o mesmo nome e oferece quase tudo: legumes, frutas, enchidos, produtos lácteos, flores, daí o nome da praça, e muitas ervas, ervinhas e misturas de especiarias, tão utilizadas para perfumar as pastas e as pizzas típicas do país. As bancas de rua e o barulho de vendedores e compradores dão um toque bastante particular a esta praça, rodeada de belos edifícios. O Campo dei Fiori foi cenário terrível para execuções no tempo da Inquisição. No centro da praça está uma estátua de Giordano Bruno, um dos monges queimados na fogueira por, no ano de 1600, ter insistido na teoria de que a Terra girava à volta do sol. Essa “heresia” custou-lhe a vida, tendo sido executado nesse mesmo local. Por lá nos passeámos uma manhã, vimos tudo, perguntámos tudo e trouxemos, depois de elucidadas por um brasileiro, familiar de um dos vendedores, umas ervinhas e umas pastas para deliciarmos familiares e amigos. No caminho para o hotel ainda encontrámos uma curiosa lojinha de pastas, muito bem fornecida e decorada. Disso tudo ficam aqui as imagens….espero que, pelo menos, fiquem com água na boca!

segunda-feira, 27 de julho de 2009

Algumas Curiosidades

Basta sair de casa, andar alguns metros, passear por qualquer rua, atravessar uma praça para depararmos com uma, duas, três ou mais igrejas. A princípio, ainda nos atrevemos a contá-las mas depressa desistimos. Seria preciso registar o nome de cada uma e o movimento, as altas temperaturas e a vontade de tudo ver não se compadeciam com tal tarefa. Pense num Santo qualquer e… Roma tem uma igreja, importante com certeza, em homenagem a esse santo.
Das igrejas de que mais gostei falarei noutro dia. Para hoje trago algumas curiosidades que, por um motivo ou outro despertaram a nossa atenção, durante as longas caminhadas a pé pela cidade ou durante as visitas que fizemos.

Assim, esta imagem linda da Virgem, Ave Regina Pacis, de braço erguido, numa atitude pouco comum de incitamento, com um ar um tanto guerreiro, muito decidido, chama a atenção numa nave lateral da Igreja de Santa Maria Maggiore.

Na Escadaria Santa, ao lado da Basílica de S. João de Latrão, vários crentes cumprem promessas subindo a escadaria degrau a degrau, rezando durante cada paragem. Na verdade, são 28 degraus de mármore, cobertos de madeira que, segundo a lenda, pertenceram à casa de Pôncio Pilatos. A Scala Santa terá sido percorrida por Cristo no dia em que foi condenado à morte. Reza a lenda que foi trazida de Jerusalém para Roma por Sta Helena, mãe do Imperador Constantino, no ano 326.No interior do Pantéon encontrámos uma maqueta muito curiosa, da autoria do napolitano Vicenzo Pandolfi, projecto para a construção do “Templo do Cristo Rei”. A ideia do autor era a de reunir numa única igreja todas as religiões do mundo, preconizando a abolição das guerras religiosas, o diálogo entre todos os credos e a paz universal. Está feita numa escala de 1:200, com vários tipos de igrejas representados a toda a volta. No museu do Vaticano, numas salas anexas à famosíssima Capela Sistina, foi dado espaço a artistas contemporâneos para que, versando temáticas idênticas às de muitas obras antigas, pudessem dar largas à imaginação, interpretando à sua maneira, velhos temas. Dos que vi, e eram muitas e variadas as propostas, escolhi uma pintura e uma escultura: a pintura retrata, de forma bem mais actual, a cena do bebé Moisés, filho de um hebreu que, para não ser sacrificado é colocado numa cestinha e encontrado na margem do rio pela filha de um faraó. Quanto à escultura deixo aqui uma Onda, de 1971, autoria do escultor Sinisca, construída em ferro e bronze, muito sugestiva e elegante. Curiosa esta convivência entre as obras antigas e modernas, ficam todas a ganhar com esta aproximação. Para acabar esta mostra, uma interessante imagem que sobressai de uma das portas santas da Basílica de S. Paulo extra muros, tantos anos de história narrados em bronze, pedra, madeira…
Diz-se que a basílica foi erguida no local onde o apóstolo S. Paulo terá sido sepultado. As escavações realizadas em 2006 confirmaram essa informação já que o túmulo do apóstolo foi encontrado por baixo do altar-mor. A antiga cerimónia de abertura da Porta Santa, que passou de geração em geração desde 1499, é rica de símbolos e cheia de significados. Para abrir a porta não se usa a chave, mas um martelo. Nas pancadas, dadas directamente pelo Papa, há uma chamada de atenção para uma porta difícil de desmoronar. Também nas palavras pronunciadas pelo Papa enquanto o muro é derrubado e na resposta prevista para o povo presente na celebração, está o sentido deste acontecimento que abre solenemente a celebração do Jubileu: "Esta è a porta do Senhor" proclama o Papa e os fiéis respondem: "por ela entrarão os justos"

domingo, 26 de julho de 2009

VIVA A VIDA -13


Motivada pelas reportagens de Roma, lembrei-me de ter há tempo visto uma couve da família dos brócolos, lindíssima : a romanesca. Claro que não deve o nome a Roma mas por certo ao romance que inspira – formas romanescas, eu acho que tem … Mas também “é italiana” !
Fui procurar saber mais e descobri que há as variedade de brocolis mais conhecidas ,com flores verdes, roxas, amarelas ou brancas e há outra espécie, o Brocolis Romanesco, com múltiplas inflorescências que podem ser verde-limão, verdes ou roxas, agrupadas em magníficas espirais. As mais antigas são as de cor roxa, cultivadas na Calábria , introduzidas em França por Catharina de Medici (1569) e divulgadas por toda a Europa.
Mas as que eu vi, lindíssimas, eram da espécie Brássica Olerácea, verdes-limão.


Se a Romanesca não é um hino à VIDA, o que o será?!

sábado, 25 de julho de 2009

TIVOLI

Sair de Roma e procurar, nos arredores, umas sombras frescas foi o que decidimos fazer num dos dias desta estadia, para intervalar com os dias mais carregados das visitas na cidade e museus. Então, munidas de garrafinhas de água, de sandálias confortáveis e roupa fresca, lá nos pusemos a caminho das Vila d´Este, Villa Adriana e Villa Gregoriana, ao encontro da natureza. E se valeu a pena! Vegetação exuberante, água e fontes que nos surpreendem a cada canto, aves em constante desafio de canto e uma tranquilidade imensa. Das três Villas, destaco a Villa d´Este, um dos locais de recreio mais belos de toda a Roma. Começada a construir em 1550, quando o Cardeal Hipólito II d´Este decidiu fixar aqui a sua residência, (sempre souberam escolher locais belos e privilegiados, estes senhores!), os jardins desta Villa oferecem aos visitantes extraordinários recantos, com chafarizes, canais e fontes que, outrora, tinham a capacidade de emitir sons musicais. Verdadeiramente fabulosa esta visita que recomendo a todos que visitem Roma. De autocarro ou de metro chega-se lá com muita facilidade! E as imagens falam por si.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

O eclipse do ano




Já foi e tão espectacular quanto se esperava. Quem teve a sorte de ter 6 minutos e 39 segundos de total obscuridade não deve poder esquecer.
Vamo-nos preparar para 2010 – na ilha da Páscoa!!

O vídeo amador mostra um pouco do que poderíamos ter visto.

quinta-feira, 23 de julho de 2009

ROMA e o peso da História

Voltar a Roma ao fim de muitos anos foi o desafio para uma semaninha de férias! O plano era mesmo rever com calma os lugares que tinham feito as nossas delícias, descobrir aspectos novos de uma cidade cheia de história, ouvir e praticar os meus conhecimentos de italiano. E assim foi. Roma é uma cidade de fácil orientação, o hotel onde ficámos era super central e com acesso a pé para os principais locais do centro da cidade. Para quem goste e tenha o hábito de andar é, sem dúvida, a melhor forma de conhecer gentes e lugares. Depois, é essencial uma grande dose de imaginação, alguma bagagem de conhecimentos e uma vontade imensa de recrear, na nossa mente, o que os nossos antepassados romanos inventaram, criaram, descobriram! E perante tanta perfeição, equilíbrio e funcionalidade, concluímos que tudo eles inventaram e que nós pouco ou nada evoluímos!
Hoje, para dar início a uns apontamentos de viagem, aqui ficam três aspectos muito importantes da Roma antiga, carregada de história(s). O sol escaldante, a luz intensa e os muitos turistas nem sempre proporcionaram as condições ideais para captar as melhores imagens…mas esforcei-me!
O Coliseu, mandado construir pelo imperador Vespasiano, destinava-se à realização de cerimónias religiosas, de festas memoráveis, de inúmeros combates de gladiadores, de exibições de animais e até de recriações de batalhas navais. Para estas últimas actividades, o espaço da arena era literalmente cheio de água. O Coliseu está parcialmente em ruínas mas consegue-se subir até ao último nível de arcadas e admirar o recinto por onde se deslocavam os gladiadores, os animais e os condenados à morte. Este anfiteatro comportava 87.000 espectadores e pela observação das maquetas e fotografias somos transportados para um ambiente ora festivo, ora sangrento mas sempre majestoso.


O Forum Trajano leva-nos até à Roma imperial, local onde eram tomadas as decisões mais importantes, era o verdadeiro centro da vida da cidade e aí se podiam encontrar homens e mulheres de todas as condições sociais. Tudo o que acontecia em Roma tinha lugar no Forum ou era objecto de troca de impressões entre os concidadãos. Durante a Idade Média e o Renascimento, o Forum perdeu todo o seu prestígio. Hoje, através da observação das ruínas e dos trabalhos de reconstrução podemos imaginar tudo o que se desenrolava naquele complexo local.
A coluna de Trajano é uma coluna majestosa que no seu tempo guardava uma urna com as cinzas de Trajano e, no topo, uma estátua. Hoje, a estátua que aí se encontra é a de S. Pedro.
Do conjunto arquitectónico sobressaem as arcadas e galerias do que foram os Mercados de Trajano, sem qualquer dúvida os antepassados dos nossos centros comerciais… Facilmente conseguimos recriar a vida quotidiana daquela época, com mais de uma centena de lojas de todo o género, é só deixar a imaginação fazer o resto.