quinta-feira, 3 de junho de 2010

Ainda o Facebook


Com todas as perigosidades, limitações e frivolidades de que possa, eventualmente, padecer esta rede social e outras tantas que por aí proliferam, continuo a ser diariamente surpreendida por história curiosas algumas, ternurentas outras, verdadeiramente deliciosas outras tantas.
Ora vejam, através do FB reencontrei e estou a par do que se passa com uma grande parte da família que por motivos bem diversos estava até agora ausente.
Foi no Fb que fui visitada por colegas que não via há tantos anos, nem sei quantos! Colegas do meu início de carreira, que me marcaram e a quem não fui indiferente.
Por aqui me entraram “Olás”, “Lembra-se de mim?”, “Quero ser seu amigo/a”, “Veja lá se ainda sabe quem sou…”, “Que bom tê-la encontrado aqui”, que me fizeram sempre sorrir, abrir a boca de espanto , comparar fotos e memórias e me fizeram sempre dizer que valeu a pena!
No FB descobri grupos sociais interessantes, aderi a causas que me tocam e com as quais me identifico, troquei experiências, descobri leituras e exposições.
Descobrimos netos e sobrinhos dos nossos amigos e colegas, uma novíssima geração que mostra quase tudo nesta rede e que não conhecíamos.
Também, no FB tenho podido partilhar muitas músicas, êxitos recentes ou recordando melodias e baladas que cantarolei na minha infância e juventude! Tenho partilhado e dado a conhecer, lá no meu cantinho, pequenos vídeos e trabalhos do Youtube, essa inesgotável fonte de imagens e sucessos do mundo social e artístico, nacional e internacional.
Ainda ontem, numa reunião de amigas, lá veio à baila o assunto incontornável do Facebook. E todas, ou quase todas, tínhamos histórias de encontros, descobertas, assuntos antigos desenterrados através do FB, tanta coisa para exemplificar as vantagens desta rede. Dos perigos constatámos que todas nos sabíamos defender e que só realmente publicamos o que em nada nos possa afectar.
De entre as muitas histórias que partilhámos, a do grupo de antigas alunas do Maria Amália, hoje na casa dos cinquenta, que já tem agendado um almoço com a professora de Português do 6º e 7º ano, que tanto admiravam e que descobriram, com muita alegria, ainda estar viva e bem viva, a trabalhar numa Universidade da terceira idade, encantou-nos.
Do longe se faz perto, não se perdem laços, revivem-se tempos passados e… tudo à distância de um clic. Com a liberdade de escolha, só aceitamos quem queremos ter por perto, quando e como.
Então, não é giro?

quarta-feira, 2 de junho de 2010

Manhã cinzenta, memória de tempo.

Hoje está um dia húmido e quente, parece que vai desabar sobre a cidade uma grande trovoada. Daqueles dias em que a preguiça nos invade e parece que tudo pára.
Há pouco fui até à papelaria da esquina buscar umas revistas e passei pelo mini mercado da praça para fazer umas pequenas compras. Não havia qualquer movimento de pessoas, parecia o meu Alentejo na hora da sesta. A senhora da papelaria dormitava e o casal do mini mercado abria a boca com vontade de uma soneca. Há momentos em que por qualquer circunstância, (cheiro, atmosfera ou cor) nos transportamos para as memórias de outros tempos. Foi o que aconteceu nesta tarde…lembrei-me do verão no Alentejo.
Tardes que duravam uma eternidade nas férias grandes e em que o suor e a cal se misturavam no ar. Noites em que brincava na rua e via os vizinhos sentados nos degraus das portadas, cavaqueando até tarde. Só se regressava ao interior das casas quando um ventinho mais fresco nos devolvia alguma energia perdida.
Nessa época, a que recordo agora, as casas ainda não tinham água canalizada e nem todos tinham electricidade. Portanto, aproveitávamos o longo serão para ir à fonte que, por acaso, se chamava “fonte das bicas” e tinha realmente várias bicas.
Ainda lá está a fonte, só que já esgotou a sua nascente! As bilhas modeladas naquele barro vermelho da região cheiravam a terra molhada e mantinham a água sempre fresca. Quando voltávamos da fonte, tínhamos espaço de tempo para cantar, numas rodas de miúdos, as cantigas da época e fazíamos os jogos tradicionais correndo atrás de lenços, fazendo pontes com os braços ou casando alguém no centro da roda( “quem anda no meio é bem bonitinho…e para casar tem certo jeitinho!!.....”).
O tempo passou muito rápido, isto são só memórias… que bom hoje haver ventoinhas, ar condicionado, televisão, computadores, água com abundância nas torneiras … só lamento as cantigas de roda, essas músicas e letras tradicionais que nos faziam rir, pular e ser muito felizes!

segunda-feira, 31 de maio de 2010

Pequenas fugas …

Uma ida rápida a Óbidos, menos de uma hora por estas estradas do séc.XXI.
Já lá não íamos há muito tempo e por razões inesperadas pouco nos demorámos.
Almoço, percorrer de ruas num e noutro sentido, uma volta ao Castelo para matar saudades sabe-se lá de quê ( deve ser de qualquer coisa que ficou por aí nos genes), um olhar ávido para todas as janelas, ruas e jardins cheios de rosas e trepadeiras floridas, um sobe e desce fugindo da rua principal e … dos casamentos! Tantos convidados vestidos a rigor ! Quantas damas de sapatos na mão ou aproveitando a “passadeira” lisa da calçada para melhor trotar nos saltos altos!
Apetecia “limpar” a paisagem e ficar só com o essencial, mas não é possível e, se calhar, ficaríamos sem os bombons de ginja que são tão bons!

domingo, 30 de maio de 2010

Histórias Boas do Mundo 19


Que o Mourinho é o “melhor treinador do mundo” ? Que uma menina que canta uma canção que é suposto representar Portugal conseguiu, sabe-se lá porquê, chegar à final da Eurovisão? Que … NADA DISSO, escolhemos :

“ O primeiro ninho de flamingos confirmado em Portugal”
Foi na Lagoa dos Salgados, um local importante do Algarve para a conservação das aves, que se observaram flamingos a nidificar. Os ovos já estão a ser incubados. É a primeira vez em Portugal.

Quem os vê no estuário do Tejo e em várias outras zonas húmidas do litoral até ao Algarve, poderia imaginar que estão ali também para ter filhotes como muitas outras espécies. Mas não. A verdade é que só uma vez, em 1980 se tinha observado uma tentativa de nidificação em Castro Marim – sem sucesso.

Os “nossos” flamingos , os do estuário do Tejo, são a concentração mais importante, mas varia de ano para ano. Em tempos fizeram-se censos mensais e em Janeiro de 1993 encontraram-se 2 781 aves, o maior número encontrado até 1998 – a partir daí não há registos !

Mas não é só no estuário do Tejo que os flamingos-rosa passam parte do ano.
Encontram-se em todo o litoral, na foz de rios, em lagoas costeiras, nos arrozais encharcados e nas aquaculturas. Alimentam-se em águas pouco profundas ou lodos e até podem nadar ( nas zonas de aquacultura, quando a água é mais profunda). A cor da plumagem resulta da alimentação e o tom rosado resulta de alimentação rica em carotenos.

De onde vêm? Para onde vão? Parece que os nossos flamingos vêm e vão para as “colónias” espanholas ( Laguna de Fuente de Piedra-Málaga e Doñana –Huelva) e francesas da Camarga.

E são lindos!!

Nota : as duas primeiras fotos são de flamingos da Lagoa dos Salgados; a 3ª são os do Tejo.

sexta-feira, 28 de maio de 2010

“Conceber bebés da forma tradicional poderá cair em desuso” … !!!

Leiam … ( é da “Ciência Hoje”)

“Segundo um novo relatório publicado na revista Reproductive Biomedicina Online, os avanços na tecnologia de Fertilização ‘in vitro’ (FIV) significam que será possível produzir embriões com uma taxa de êxito de praticamente cem por cento e cultivá-los em instalações controlados por computador. O avanço irá aliviar a pressão sobre os casais que adiam a decisão de ter filhos até aos seus trinta ou quarenta anos, para seguir uma carreira.
A técnica poderá tornar-se rotineira, ou seja, em vez de recorrer ao sexo para se reproduzirem, as pessoas poderão ter a possibilidade de conceber através da fertilização. E isso com vantagens já que em adultos jovens só há uma em quatro hipóteses por mês para fazê-lo naturalmente e, entre aqueles que têm mais de 35 anos, a possibilidade de conceberem cai até dez por cento.
Assim, as técnicas modernas significam para casais saudáveis uma excelente oportunidade. Segundo os autores do relatório, isto é apenas o começo. Os investigadores apontam que os avanços na reprodução artificial de animais, têm uma taxa de sucesso de quase cem por cento e alegam que a tecnologia poderia ser facilmente adaptada aos seres humanos.
John Yovich, co-autor do estudo, diz que ainda não chegamos a este ponto, mas a reprodução humana como processo tem sido ineficiente e, por isso, dentro de cinco a dez anos, os casais a chegar à quarentena terão acesso à primeira indústria de FIV.”

Já não é ficção. Que futuro mais sem graça !! Com que então o processo tradicional “tem sido ineficiente” ??
Nota: li a notícia e mais indignado fiquei com o que me fizeram. Então agora que podia ter filhotes sem ter de aturar uma gatinha e partilhar os mimos da dona … malvada “mulherzinha de bata branca” ! É melhor esquecer e deixar-me hipnotizar pela vizinha do 1º andar.

quarta-feira, 26 de maio de 2010

Ainda o “dia dos vizinhos” mais distantes

Também é bom lembrar os vizinhos do bairro, aqueles que sendo vizinhos não são amigos mas são conhecidos respeitados e de quem gostamos pelo que SÃO, pelo que fazem. Foi assim que nos lembrámos da pintora Graça Morais que encontramos muitas vezes tomando café no mesmo cafezinho de bairro e com quem por vezes conversamos sobre variados assuntos.
Apesar de grande artista com mérito, a Graça é uma pessoa simples e cidadã preocupada. Gosta de conhecer as pessoas e os seus problemas e sempre que pode vai junto de quem tem autoridade insistindo e denunciando o que está mal na nossa cidade e na sua terra natal.
Da sua obra, nem sempre compreendida, seguem uns vídeos para quem conhece mal a sua expressão artística.

Mas, se quiserem saber mais, a Graça tem um blog
(http://gracamorais.blogspot.com/) e mais vídeos no youtube – sobretudo os da última entrevista concedida à TVI 24 .

terça-feira, 25 de maio de 2010

NO DIA MUNDIAL DOS VIZINHOS

Sempre que temos entre nós a nossa amiga e vizinha madeirense, temos novidades da nossa cidade. A Irene gosta de Lisboa com paixão e dá sempre umas escapadelas, sozinha, deambulando, à descoberta de novos sítios ou apenas a rever locais que muito aprecia. Ficamos, portanto, enriquecidas com os seus relatos e, muitas vezes, motivadas para umas próximas saídas. São outros os olhos, outras as formas de ver!
Acontece que, ontem lá andou ela por ruas e vielas de Alfama. Mandou-nos umas fotos pelo telemóvel (ainda bem que já se rendeu a estas modernices!) e, ao serão, trouxe-nos, um belo poema de António Botto, inscrito na lápide colocada junto da Fonte do Poeta, próximo do Terreiro do Trigo. A ideia era que o poema pudesse ser publicado, enriquecendo o Blog das vizinhas.
Conversa puxa conversa, pesquisa aqui e acolá, ficámos a saber que este Terreiro fica situado na confluência das freguesias de Santo Estêvão, São Miguel e Sé. Que o nome daquele largo se deve à existência, outrora, de um celeiro, destinado ao abastecimento de cereais aos moradores de Lisboa, mandado construir em 1766, por D. José e ocupado actualmente pela Direcção Geral das Alfândegas e Impostos especiais sobre o consumo.
Aqui ficam o poema, as explicações e o convite para que por lá passem, agora que as festas da cidade vão enfeitar ainda mais os bairros típicos de Lisboa.
A boa vizinhança também se constrói com esta partilha de gostos, saberes e descobertas! Dá mais colorido e alegria aos nossos dias. Dá mais sabor e sal às nossas vidas. Mas, acima de tudo, dá-nos um forte sentimento de pertença e de segurança pouco comum entre habitantes da cidade grande!
Bem hajam as vizinhas por tudo isto!

Fonte do Poeta

Nesta fonte que fala na surdina
De qualquer coisa que eu não sei ouvir
Matei agora mesmo a minha sede
E sentei-me ao pé dela a descansar

Não havia no ar mais do que a luz
finíssima da tarde num adeus.
Uma luz moribunda e solitária
A despedir-se frágil pelos céus.

E à medida que a luz se diluía
Nas sombras que nasciam lentamente
a fonte no silêncio mais se ouvia
Mais límpida, mais pura e mais presente...

Anoiteceu. Ninguém. Só a voz dela
Só essa voz ao longe num desmaio
o timbre vivo e pálido de um grito.
Levantei-me. Deixei-a. Tristemente
acendeu-se uma estrela no infinito.

António Botto