segunda-feira, 10 de outubro de 2011

Pôr do sol em La Valetta

Se eu fizesse uma viagem e não trouxesse imagens de um pôr de sol e imagens de um mercado… não era eu!

Hoje, deixo-vos as imagens quentes e luminosas de La Valetta, num momento único, urgente, captado à pressa …tinha mesmo de ser! E umas palavras de Miguel Torga, o meu Nobel da poesia.

Um destes dias…vão as fotos do mercado, à Siciliana. Pois claro!!

 
                                                   POEMA AO SOL


Espremo o sol num poema, e bebo o sumo.

Pode muito esta humana fantasia!

Navegava a direito, no meu rumo,

Quando nisto,

A monção

Desvia-me das velas a ilusão

E atolo-me num mar de calmaria!



Mas resisto,

Embebedo-me assim na solidão,

E aguardo que renasça a ventania...



MIGUEL TORGA

domingo, 9 de outubro de 2011

Boas Notícias de Novo 48

Nas últimas notícias da “Ciência Hoje” lê-se o seguinte :

-“Passados seis meses de ter sido divulgada a invenção de uma folha artificial que imita a fotossíntese, a revista «Science» publica o estudo do autor desta descoberta, o químico Daniel Nocera, MIT – Massachusetts Institute of Technology”

A “folha” é fabricada com silício e embebida numa solução de cobalto e fosfato. Depositada num cubo de água, reage quimicamente perante a luz solar quebrando as moléculas da água nos seus dois elementos: oxigénio e hidrogénio. Estes elementos são posteriormente transformados em energia eléctrica. Parece simples … !!

Este inovador dispositivo é fabricado com materiais abundantes e de baixo custo. É totalmente portátil e não precisa de cabos. Além disso, é mais eficaz do que as células de energia solar actuais – dizem.


Podemos ter esperança de que seja uma Boa Notícia e de que o invento não será boicotado á nascença pelos lóbis da energia porque, o investigador vai comercializar o invento através da sua própria empresa (Sun Catalytix) com o apoio de um empresário indiano que quer começar por testar o dispositivo no seu país.

A principal vantagem desta “folha” é ser uma fonte de energia renovável de baixo preço, estando assim indicada para países em vias de desenvolvimento. Uma folha de um metro quadrado embebida em água é suficiente para abastecer uma casa de tamanho médio. Também os custos de montagem e operação são mais reduzidos do que os das actuais placas fotovoltaicas.



- No Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores Investigação e Desenvolvimento, em Lisboa, um aluno do curso de doutoramento, Wang Ling, está a desenvolver um jogo de tradução competitiva onde o utilizador pode aprender mais facilmente uma segunda língua.

“O jogo engloba uma combinação de várias tecnologias como a tradução automática, ensino da língua, agentes e interfaces”.

“O desenvolvimento do jogo em si foi essencialmente feito por mim, no entanto, fui orientado pela professora Isabel Trancoso, no que toca respeito à linguística, e pelo professor Rui Prada para assuntos relacionados com o agente”, explica Wang Ling.

Já foi feita uma avaliação do jogo com os 20 alunos portugueses que estudam mandarim e a maioria dos alunos sentiu que o sistema ajudou a aprender melhor .

O jogo pode “ser adaptado a qualquer par de línguas” para as quais existam textos paralelos em quantidades suficientes para o treino de sistemas de tradução automática.

Ficamos à espera de o ver comercializado.

sexta-feira, 7 de outubro de 2011

Prémio Nobel da Paz

O Prémio Nobel da Paz 2011 foi atribuído a três mulheres: a presidente da Libéria Ellen Johnson Sirleaf, a activista também liberiana Leymah Gbowee e a iemenita Tawakul Karman - «pela luta pacífica em defesa da segurança das mulheres e dos direitos das mulheres na participação total no trabalho de construção da paz».

Ao justificar a atribuição foi lembrado que, em 2000, o Conselho de Segurança da ONU adoptou uma resolução que tornava, pela primeira vez, a violência contra mulheres em conflitos armados um assunto de segurança internacional.
Ellen Johnson Sirleaf, de 72 anos, é economista formada em Harvard e a primeira mulher presidente de África ( eleita democraticamente em 2005 Presidente da Libéria). Apresentou-se na campanha de 2005 como reformista e pacifista e volta a candidatar-se a novo mandato na próxima terça-feira.


Leymah Gbowee também é liberiana e destacou-se quando organizou um grupo de mulheres cristãs e muçulmanas a para desafiar os senhores da guerra na Libéria. Contribuiu para o termo da guerra civil ( em 2oo3) e para a participação feminina nas eleições. Considera que o prémio é para todas as mulheres, sobretudo as africanas.

Pode parecer estranha a atribuição do prémio a duas mulheres do mesmo país não fosse a Libéria ( liberdade) uma nação africana muito especial, fundada e colonizada por escravos americanos libertados e transportados para aquele pedacinho de terra com a ajuda de uma organização privada – American Colonization Society ( entre 1821 e 1822) !! … ( não havia petróleo na zona …). A estes ex-escravos foram-se juntando todos os libertos dos navios negreiros que eram repatriados para a Libéria e não para os seus países de origem. Desta amálgama construiu-se uma nação com nome de capital ( Monróvia) inspirado no quinto presidente dos Estados Unidos …

Parece justificado o esforço e o mérito de conseguir alguma PAZ entre Homens tão sem raízes.



Tawakul Karman, a outra premiada, tem 32 anos e liderou a organização “Mulheres Jornalistas sem Correntes”, um grupo de defesa dos direitos humanos. Tem desempenhado um papel fundamental na organização dos protestos no Iémen contra o governo do Presidente Ali Abdullah Saleh ( desde Janeiro), apesar do seu pai, jornalista, ter sido ministro dos assuntos legais no governo de Saleh Karman.

Em 110 anos de história, o prêmio Nobel da Paz tinha sido atribuído a somente 12 mulheres. A última homenageada foi a ecologista queniana Wangari Maathai, que morreu no dia 25 de Setembro passado. Era bióloga, foi vice-ministra do Meio Ambiente do Quénia e responsável pelo projecto de reflorestação no país. Descreveu num livro a história da sua luta e determinação : “Indomável – uma luta pela liberdade” ( falamos dele aqui em Setembro de 2008)

quinta-feira, 6 de outubro de 2011

Homem que revolucionou a comunicação no Planeta

As frases de Steve Jobs


"Nós não cultivamos a maior parte da comida que ingerimos. Usamos roupas que outras pessoas fazem. Falamos uma língua que outras pessoas desenvolveram. Usamos uma matemática que outras pessoas fizeram evoluir…Quero dizer, estamos constantemente a apropriar-nos de coisas. É uma sensação maravilhosa e delirante sentir que criámos algo que devolvemos ao conjunto da experiencia e do conhecimento humano. "
"O nosso tempo é limitado, por isso não o percamos nas vidas dos outros. Não fiquemos encurralados em dogmas, isso é viver com os resultados do pensamento de outras pessoas. Não deixem que o ruído das opiniões dos outros torne a nossa voz interior inaudível. E acima de tudo, tenham a coragem para seguir o vosso coração e a vossa intuição. De alguma forma, eles sabem aquilo em que verdadeiramente nos queremos tornar. Tudo o resto é secundário. "

 

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Pelo Vale dos Templos

De acordo com o plano da viagem chegámos a Agrigento, ao fim da tarde, a tempo de um reconfortante duche e de um sempre saboroso jantar italiano, em que a pasta é sempre rainha.

A noite estava óptima e o programa prometia – saída para visita, em autocarro, para ver o Vale dos Templos iluminado. O entusiasmo era muito. Apenas sabíamos que esta visita nocturna é recente, desde 2009 e que todos os turistas a fazem.

Procurei logo lugar junto a uma janela grane para não perder pitada. Nunca me lembro de ter integrado uma tão longa coluna de autocarros, em silêncio, às escuras, a uma velocidade muito reduzida… depois… o deslumbramento dos templos espalhados pelas diversas colinas, sobressaindo do vale, dourados, lindos, intocáveis. O entusiasmo, a emoção, o peso da história era tão forte que… nem fotos tirei. Apenas queria gravar na minha mente as imagens e a beleza daquele momento tão profundo. E foram umas três voltas ao circuito completo e todos desejávamos continuar por ali, noite fora.

Fica este vídeo que dá uma pálida imagem do que vimos e sentimos.



O Vale dos Templos constitui um riquíssimo testemunho do que terá sido um complexo urbanístico dos IV-III séculos a.C. ao longo de um vale e num cenário natural riquíssimo encontram-se algumas e bem conservadas construções – habitações, templos, túmulos, termas que nos ajudam a imaginar a vida nesses tempos tão longínquos.

Estava patente uma interessante exposição de gigantescas esculturas do polaco Igor Mitoraj que muito bem se enquadravam no ambiente e de que vos deixo também um elucidativo vídeo.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Colher nozes

Nunca tinha colhido nozes, melhor, não reconhecia uma nogueira. No Alentejo, quando eu ainda era miúda corria pelas veredas dos caminhos que me levavam ao monte onde moravam os meus avós e sempre fui atraída pelas árvores. Fui aprendendo a reconhecer um sobreiro, uma azinheira, uma oliveira e todas as árvores de fruto.
Mas naquela época havia poucas nogueiras no Alentejo, daí a minha ignorância.
No sábado estive a visitar a família e o meu tio levou-me ao seu terreno para colhermos nozes das suas nogueiras, plantadas por ele há já alguns anos. Raramente vou nesta época ao Alentejo, por isso este contacto directo com as nogueiras e a colheita das nozes foi uma experiência nova.

Nogueiras e oliveiras lado a lado

Espreitando o fruto
Colhendo as que estão prontas para descascar
O tio plantador de nozes em terreno alentejano

domingo, 2 de outubro de 2011

Boas Notícias de Novo 47

A forma como actualmente se aprecia e divulga a gastronomia portuguesa e internacional é, por si só, uma boa notícia. E é também bom que haja mais gente jovem curiosa e entusiasmada com a confecção do que come.
Vem isto a propósito de uma notícia que encontrei há dias : “ a gastronomia amazónica é considerada pelos grandes chefes mundiais como aquela que vai marcar o século XXI “. Dizem também que, para o ser, falta-lhe “ciência” e projecção internacional.
Acontece que, em Portugal, se está a trabalhar para isso através do investigador brasileiro Álvaro Espírito Santo que faz na Universidade de Coimbra um doutoramento “com um estudo sobre viagens e sabores da Amazónia, focada nos territórios do turismo gastronómico em Belém do Pará”.
Na opinião do investigador, esta gastronomia tem “todo o potencial” para se expandir, nomeadamente graças aos ingredientes que são exclusivos da região e cuja diversidade ainda não é totalmente conhecida da gastronomia internacional. Mas,” os chefes de cozinha da região são mais instintivos do que científicos e não dominam a técnica da alta gastronomia ; Portugal poderia dar-lhes acesso ao conhecimento relacionado com a tecnologia envolvida” .
O investigador acredita que a divulgação da culinária da Amazónia poderia ser um motor de desenvolvimento da região sem pôr em causa a sua “integridade física” uma vez que o cultivo dos produtos necessários é feito por pequenos agricultores que não vão destruir a floresta.
Também será interessante explorar a grande quantidade de produtos da região com efeitos medicinais já usados na confecção de pratos mas ainda de forma não estruturada.
Belém do Pará, onde se centra a investigação de Álvaro Espírito Santo, foi fundada em 1616 por portugueses.” A colonização e a convivência provocou o intercâmbio de duas culturas distintas, às quais se juntou a africana”. Um exemplo disso é a maniçoba, um prato inspirado na sopa de pedra portuguesa.
Agrada-nos a ideia. Parece ser uma Boa Notícia enquanto não achamos outras mais imediatas e úteis para aveludar a crise em que estamos. E aconselhamos ouvir o investigador sobre o seu trabalho.