Li uma notícia que parece traduzir bem a forma como cuidamos dos bens comuns : a Embaixada de Portugal em Angola “descobriu” em 2009 que um seu motorista se apropriara de um luxuoso apartamento da Embaixada na baía de Luanda … na década de 90 do século passado !! O apartamento fora doado pelo Governo angolano e destinava-se a acolher os diplomatas que se deslocassem a Luanda. O esforçado motorista queria estar “sempre à mão” para servir a Embaixada, coisa que não podia fazer morando longe. Propôs ao Embaixador da época ( não referido na notícia mas que deve ser fácil identificar ) pernoitar no apartamento. Foi autorizado … por 15 dias. Os anos passaram, o homem casou, teve filhos, divorciou-se e saiu do apartamento deixando lá a ex-mulher. Em 2009 teve a gentileza de informar a Embaixada que a ex-mulher tinha registado o apartamento em seu nome … “Prontamente” a Embaixada instaurou um processo disciplinar, acusou o motorista de desvio de documentos e abuso de confiança e despediu-o. Não se pode ser honesto … se o homem não tivesse falado !!
A questão está em tribunal e a Embaixada paga as despesas … Tal como pagou em 1994 mais de 5 000 euros de arranjos , cerca de 20 000 dólares na instalação de um depósito de água e de um gerador de emergência e, em 2003 ,o arranjo dos elevadores … Que generosidade!! E já agora, durante os anitos da ocupação, não houve diplomatas a pernoitar em Luanda ou foi mais cómodo e barato alojá-los em hotel de cinco estrelas?
Connosco, dinheiro não é problema !! E como somos bons a zelar pelo que não nos pertence … E não há, nestas medidas de recuperação financeira, forma de imputar os custos decorrentes destas situações a quem as permite? … NÃO HÁ, “ é irrelevante” !!
Dois alunos da Escola secundária de Odemira, Inês Marques e Kristoffer de Sá Hog, conquistaram o terceiro lugar na final Europeia para Jovens Cientistas, cuja 22ª edição terminou esta terça-feira, em Lisboa. Os dois estudantes levaram para casa um prémio no valor de 3500 euros pela investigação sobre estruturas geológicas costeiras.
O primeiro lugar na competição foi ex-aequo para participantes da Hungria, Polónia e República Checa e a entrega de prémios decorreu no Pequeno Auditório do CCB. Ao todo foram apresentados, em Lisboa, 85 projetos de investigadores de 39 países.
"Rochas do Sudoeste - os mistérios escritos na pedra", era o título do projeto de Inês e Kristoffer. Para os dois jovens tudo começou, conforme conta o Diário de Notícias, com uma saída de campo do Clube de Ciências da escola na costa entre a Zambujeira do Mar e o Carvalhal. Aí depararam-se com pequenas esferas de arenito perfeitas e intrigantes pela sua forma peculiar.
Com o apoio da professora que os acompanhava, os dois jovens decidiram pegar no mistério e, ao longo do ano letivo, desenvolveram a sua investigação. Recolheram amostras no terreno, analisaram-nas na escola e acabaram por fazer exames laboratoriais mais finos na Escola Superior Agrária de Beja, que os apoiou nesse trabalho. No final, conseguiram formular duas hipóteses para explicar a origem das estranhas esferas.
"Ou houve uma má distribuição do calcário naquela zona há milhões de anos, ou este calcário era de origem biológica e as esferas cresceram do centro da periferia", explicaram ao DN, repetindo as conclusões que explicaram ao júri durante a exposição dos trabalhos no Museu da Electricidade.
Inês é agora caloira na Universidade Nova de Lisboa, onde ingressou no curso de Engenharia Geológica, e Kristoffer prosseguirá os estudos na Dinamarca. A investigação não está concluída e os dois recém-unviversitários embora estejam agora separados pela distância irão continuar o trabalho.
Foi um mail que lembrou de novo o “Tocando em frente” de Maria Bethânia:
“ Ando devagar porque já tive pressa E levo esse sorriso porque já chorei demais Hoje me sinto mais forte, Mais feliz, quem sabe Eu só levo a certeza de que muito pouco eu sei … …….. É preciso amor pra poder pulsar É preciso paz pra poder sorrir É preciso chuva para florir
Penso que cumprir a vida seja simplesmente Compreender a marcha e ir tocando em frente … “
Como todos os visitantes de Veneza, também eu me deixei, de novo, encantar com os aspectos que, habitualmente, nos são apresentados como os ícones da cidade. A elegante e perfeita praça de S. Marcos que pude ver - misteriosa, por trás de um véu de neblina, fulgurante, sob um sol forte e quente, triste e nostálgica, no dia do violento temporal que abateu sobre a cidade, luminosa e soberba, à noite, barulhenta, quando apinhada de turistas, solitária e muito bela quando, de manhãzinha, a avistava do vaporetto. Incontornável é não se estabelecer um paralelo entre o nosso Terreiro do Paço e a Praça de S. Marcos. Não temos a monumentalidade dos edifícios, não temos o Palácio dos Doges, não temos o fervilhar da vida económica nem a Basílica San Marco… Mas temos o rio Tejo e o abraço da praça ao rio, único e natural. E não conseguimos, até agora, dar o brilho e a vivência àquela nossa praça tão bonita! Comparo e…espero poder ainda ver a nossa gente e a nossa cidade viver o nosso rio. Cidade com rio é outra coisa! E não podemos continuar de costas voltadas para o Tejo.
Depois, outro símbolo da cidade de Veneza – as gôndolas, lindas embarcações, que cruzam incessantemente as águas da laguna e os canais mais estreitos, revelando aos turistas os segredos desta cidade lacustre. Curiosidade, encontrei uma gondoleira, num universo até há pouco, só masculino. Habitualmente, o gondoleiro usa calça preta, camisola às riscas, preta e branca ou vermelha e branca, chapelinho de palha com fita negra. De pé, maneja artisticamente o remo, entoando canções típicas italianas, desafiando os colegas que passam, divertindo quem cruza com eles e regista a cena numa foto para mais tarde recordar.
E as pontes, inúmeras, de todos os feitios e construídas com recurso a tantos materiais – pedra, madeira, ferro, aço, metais diversos. Sempre com escadas, obrigando o visitante a parar, a observar o correr das águas e os diferentes tipos de embarcações que as sulcam.
Foi assim, nessas paragens obrigatórias, que fui descobrindo os diferentes vaporetos, as barcaças de transporte de mercadorias, as da recolha do lixo, os táxis, as lanchas funerárias, as dos casamentos, as ambulâncias, as da emergência médica, as da vigília dos fogos, um dos flagelos mais temidos por toda a população. Esse receio fez de cada veneziano uma sentinela sempre alerta, sempre pronta a intervir, evitando um incêndio. Soube mesmo que o uso de fornos e aquecimentos a lenha está proibido na cidade e sujeitos a pesadas multas os prevaricadores. Vi lanchas particulares, grandes iates, transatlânticos e grandes navios de cruzeiro que abrandam o andamento frente a S. Marcos para darem oportunidade a que, de terra e do mar, se tirem fotos. É uma festa de flashes e palmas que são, sem dúvida, uma ameaça muito poluente para o ambiente natural da laguna.
Para além das fotos deixo o pequeno filme que encontrei no Youtube e que ilustra o tal percurso que todo o turista faz em Veneza. Depois, o que cada um descobre, o que cada um grava, o que cada um sente, depende também do que cada um busca numa cidade tão especial como Veneza!
Estive em Veneza numa das melhores épocas do ano. Uma sorte. Explico porquê. - Estive duas semanas num curso de língua, no Instituto Venezia, integrada num grupo de pessoas de três faixas etárias, de múltiplas nacionalidades, convivendo todas como se tivessem a mesma idade. As motivações, essas, variavam um tanto mas o denominador comum era o mesmo – a paixão pela língua e cultura italianas. Os mais novos, precisam de dominar a língua para fazerem, em Veneza, estudos de arte e música; os da camada 30/40, por necessidades profissionais e os mais velhos realizam sonhos antigos, conhecendo e aprofundando a língua italiana. Fica a imagem do grupo bem-disposto e simpático da minha segunda semana de curso.
Apanhei a Bienal de Veneza, este ano dedicada à Arquitectura e cujas actividades se desenrolavam na zona do Arsenale e Giardini, bem vizinhas de Sant´Elena, onde me encontrava. Devido a um problema físico não pude ver tudo mas pude aperceber-me do valor e originalidade das participações internacionais, através de várias reportagens que passavam diariamente na TV.
Decorreu, enquanto estive em Veneza, a 67ª Mostra Internacional de Cinema. Os filmes eram apresentados no Lido e em duas salas de cinema em Veneza, sendo uma delas ao ar livre. Pude ver dois filmes, um japonês e um canadiano, legendados em italiano, salas enormes e cheias, rebuliço de paparazzi e imprensa agitadíssima atrás de actores, actrizes e realizadores. Filmes com direito a aplausos no final e a muita discussão nos jornais do dia seguinte. Pude festejar a vitória “da Coppola”, como lhe chamam os italianos com bastante simpatia.
Assisti à Regata Histórica e à corrida de barcos a remo, representando clubes de várias cidades da Laguna veneziana, num domingo de muito sol. Equipas masculinas e femininas, trajando t-shits coloridas a condizer com as cores dos barcos, num entusiasmo e rivalidade ferozes, sempre apoiados pelas diferentes claques.
No 1º domingo de Setembro, como todos os anos, logo pela manhã é suspenso o movimento dos vaporettos em grande parte da Laguna. Estranhei, mas logo soube o motivo - era o dia da manifestação da Liga do Norte. E vi, para meu espanto, chegarem famílias inteiras, barcos cheios de pessoas, de todas as camadas sociais e idades, usando o verde alface como cor emblemática, uma bandeira diferente da nacional e entoando o coro dos escravos da ópera Nabucodonosor. Aguerridas foram as palavras de ordem dos manifestantes, altamente separatistas as palavras do discurso do dirigente do movimento. Impressionou-me muito sentir tanta animosidade entre norte e sul, num país que eu pensava mais unido. Mas tive de esmiuçar e de registar em imagem. Curioso foi descobrir que aqueles que não defendem a separação se apressaram a exibir nas suas janelas a linda bandeira nacional.
Ainda apanhei um dia de temporal, forte chuvada e impressionante trovoada, no vaporetto, em pleno canal grande – imagem lindíssima que só registei na memória, infelizmente deixara a minha máquina a carregar em casa. Mas deu para imaginar o que são os dias rigorosos de inverno naquelas águas. E, subitamente, num sábado de sol, ao chegar à Piazza S. Marco deparei com uma pequena amostra do fenómeno acqua alta com princípio de inundação, logo aproveitada pelos turistas para as habituais brincadeiras.
Com tudo isto, construi a minha Veneza! Mas também tenho, para vos mostrar, a Veneza mais turística, aquela que aparece em belíssimos postais e vive no nosso imaginário. Essas imagens ficam para amanhã!
Duas “histórias Boas” de Portugal ( para variar…) :
- A Engenharia Química da Universidade do Porto está em vigésima posição entre as 100 melhores universidades europeias - é o que diz o ranking de Taiwan que mede a performance das universidades a nível europeu e mundial no que se refere à investigação científica. A nível mundial ocupa o 85º lugar em 500 universidades. Ainda nesta mesma área da ciência, a Universidade Técnica de Lisboa surge em 42º lugar nas universidades europeias. NADA MAU.
- O Centro de Investigação da Fundação Champalimaud, em Portugal, está a ser notícia nos jornais internacionais. O New York Times dedicou-lhe uma página, referindo-se especialmente ao novo laboratório (a inaugurar no próximo dia 5 de Outubro) e salienta-o como “pioneiro” na conjugação da investigação científica e prática clínica. O espaço será dotado nas áreas do Cancro e das Neurociências e conjugará a investigação científica e a prática clínica para avançar no diagnóstico e tratamento de doenças do foro oncológico e outras como Alzheimer ou Parkinson. Os futuros médicos contratados terão de passar 50 por cento do tempo a ver pacientes e a outra metade a fazer investigação. Vale a pena ver o vídeo de promoção.