terça-feira, 5 de outubro de 2010

Temos graça … ou não?!


Li uma notícia que parece traduzir bem a forma como cuidamos dos bens comuns : a Embaixada de Portugal em Angola “descobriu” em 2009 que um seu motorista se apropriara de um luxuoso apartamento da Embaixada na baía de Luanda … na década de 90 do século passado !!
O apartamento fora doado pelo Governo angolano e destinava-se a acolher os diplomatas que se deslocassem a Luanda.
O esforçado motorista queria estar “sempre à mão” para servir a Embaixada, coisa que não podia fazer morando longe. Propôs ao Embaixador da época ( não referido na notícia mas que deve ser fácil identificar ) pernoitar no apartamento. Foi autorizado … por 15 dias.
Os anos passaram, o homem casou, teve filhos, divorciou-se e saiu do apartamento deixando lá a ex-mulher. Em 2009 teve a gentileza de informar a Embaixada que a ex-mulher tinha registado o apartamento em seu nome …
“Prontamente” a Embaixada instaurou um processo disciplinar, acusou o motorista de desvio de documentos e abuso de confiança e despediu-o. Não se pode ser honesto … se o homem não tivesse falado !!

A questão está em tribunal e a Embaixada paga as despesas … Tal como pagou em 1994 mais de 5 000 euros de arranjos , cerca de 20 000 dólares
na instalação de um depósito de água e de um gerador de emergência e, em 2003 ,o arranjo dos elevadores … Que generosidade!!
E já agora, durante os anitos da ocupação, não houve diplomatas a pernoitar em Luanda ou foi mais cómodo e barato alojá-los em hotel de cinco estrelas?

Connosco, dinheiro não é problema !! E como somos bons a zelar pelo que não nos pertence …
E não há, nestas medidas de recuperação financeira, forma de imputar os custos decorrentes destas situações a quem as permite? … NÃO HÁ, “ é irrelevante” !!

3 comentários:

Isa disse...

Somos únicos!
E se tivermos atenção mt mais se descobrirá...
Beijo.
isa.

MM - Lisboa disse...

Num mundo de cegos como o nosso, quem tem olho é rei! E os que vêem fazem a festa e não dizem nada aos outros desgraçadinhos!

Verídico disse...

Na década de 80 eram dois os apartamentos na marginal de Luanda, habitados por diplomatas. Um, cedeu o seu a outro colega; o outro, resolveu desfazer-se dele, e por isso o colega seguinte deu com o nariz na porta. Tudo isso é do conhecimento do MNE, ID, etc