segunda-feira, 5 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

A TODAS AS MÃES

Hoje, de acordo com o calendário é dia da Mãe, o dia de todas as mães, em todo o mundo.
Hoje, muitas mulheres viverão um dia alegre, cheio de risos e flores, rodeadas de ternura, embaladas por sonhos e memórias, mas também haverá muitas que viverão mais um dia de abandono e de dor, submersas em perdas, ausências e pesadelos.

A Mãe é decerto a presença mais forte na nossa vida, ao longo dos anos, como âncora, modelo, fonte de inspiração, confidente, cúmplice e figura no nosso imaginário com uma paleta infindável de tons e meios-tons que se multiplicam indefinidamente.
Agradeço à vida a sorte de ter tido uma Mãe extraordinária, como pessoa e como educadora. E como foi ela a responsável pelo meu grande gosto pelos poetas e pela poesia, aqui fica, para relembrar ou descobrir o belo texto de Almada Negreiros, que dedico a todas as Mães, neste dia:

«Mãe!
Vem ouvir a minha cabeça a contar histórias ricas que ainda não viajei! Traz tinta encarnada para escrever estas coisas! Tinta cor de sangue, sangue verdadeiro, encarnado! Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Eu ainda não fiz viagens e a minha cabeça não se lembra senão de viagens! Eu vou viajar. Tenho sede! Eu prometo saber viajar.

Quando voltar é para subir os degraus da tua casa, um por um. Eu vou aprender de cor os degraus da nossa casa. Depois venho sentar-me a teu lado. Tu a coseres e eu a contar-te as minhas viagens, aquelas que eu viajei, tão parecidas com as que não viajei, escritas ambas com as mesmas palavras.

Mãe! Ata as tuas mãos às minhas e dá um nó cego muito apertado! Eu quero ser qualquer coisa da nossa casa. Como a mesa. Eu também quero ter um feitio que sirva exactamente para a nossa casa, como a mesa.

Mãe! Passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!»

sábado, 3 de maio de 2008

Mensagem de Bertold Brecht


É a segunda fita de finalista em que deixo a mesma mensagem – escrita no século passado, tão actual e tão esquecida. Tem sido um lema para mim e ocorre-me deixá-la aos mais novos :

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram os desempregados
Mas como tenho um emprego
Também não me importei

Agora estão-me levando
Mas já é tarde.
Como não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo “

(Bertold Brecht – 1890-1956 )

sexta-feira, 2 de maio de 2008

CRIANÇAS MAL EDUCADAS

Um professor do 1º ciclo tenta acalmar uma criança muito irrequieta ( malcriada?) “prendendo-a” à parede com fita cola – “ por brincadeira”, disse.
A mãe apresentou queixa porque o inocente terá sido humilhado.
A Presidente do agrupamento já investigou e admoestou o professor (!)
O professor não repetirá a brincadeira e vai deixar o menino portar-se na aula pior do que os outros – “ o que é injusto”, disse.

Um incidente esclarecedor de como os intervenientes na educação fazem o que podem para deseducar … à excepção do professor, claro ( um jovem professor que, espero, não se deixe amedrontar por pais que não são responsáveis pela educação dos filhos e por superiores hierárquicos que têm medo de tomar decisões firmes e responsáveis). Não estou a fazer a apologia do castigo mas não é possível dar a crianças o direito de fazer o que lhes apetece em qualquer lugar e com qualquer adulto. Uma criança que cresce sem conhecer os limites, hoje perturba as aulas, amanhã bate nos colegas e nos professores e depois bate nos pais … Só nessa altura esses pais se lamentam e dizem “não saber” porque é que os filhos são tão rebeldes.

Que tal estimular a feitura de vídeos para divulgação exaustiva pela comunicação social , para dinamização de debates sobre a autoridade dos professores, o poder sancionário das escolas, a intervenção dos pais? Será que só assim se analisam casos como o do professor que “prendeu” uma criança com fita-cola porque ela retirava aos colegas o direito de aprender ?

Só assim, sem “espectáculo”, este incidente não merece reparo e ficará só na memória do professor .

quinta-feira, 1 de maio de 2008

QUE ESPIGA!

Que maçada! Que contratempo! Que espiga!
Vem isto a propósito de hoje, dia da espiga, não ter conseguido arranjar o habitual raminho que assinala o dia e garante um ano inteiro de pão, de abundância, de paz, de alegria e de luz.
Coincidiu a data com a celebração do Dia do Trabalhador. Tudo esteve fechado na minha zona e não se vislumbraram as vendedeiras com cestas coloridas, cheias de raminhos. Nem sequer tive hipótese de fazer, eu própria, um ramo.
O campo, que se estendia à frente da minha casa e por onde se viam papoilas e espigas, rasgou-se numa ampla avenida com palmeiras e o matagal virou urbanização luxuosa em fase de acabamento.
Monsanto fica aqui tão perto mas não tem todos esses elementos – os malmequeres brancos, os amarelos, as papoilas, as espigas, os raminhos de oliveira, tudo o que tradicionalmente se junta, em número impar, soube-o há pouco, para compor o ramo que, segundo consta nasceu de um ritual cristão e representava a bênção aos primeiros frutos.
Desde que me recordo como gente que essa era uma das tradições da família e eu tenho conseguido mantê-la, graças a mão amiga que me traz o raminho ou, então, quando calha a mim, comprá-lo na 5ª feira da Ascensão, no mercado. Resta-me procurar encontrar algum amanhã…
Entretanto e, enquanto olho o ramo do ano passado, as cores já esmorecidas, vem-me à lembrança a velha cozinha da casa dos nossos pais onde, por detrás da porta, se pendurava o viçoso ramo da espiga junto a uma ferradura, símbolo de felicidade e sorte, que segundo a minha mãe já teria vindo da casa da rua da Palmeira. Aí se cumpriam todas ou quase todas as tradições familiares a que sempre fiquei muito ligada.
Um dia, e à medida que as ocasiões mas façam reavivar, contarei alguns desses costumes, sem saudosismos mas com a certeza de que foram momentos muito vividos s felizes!

Já agora, e para quem aprecie algum revivalismo e ainda não conheça, aqui fica a indicação da «Vida Portuguesa», loja situada na rua Anchieta, ao Chiado, onde desde 2004, com bastante saber e emoção, estão reunido muitos dos produtos e marcas portuguesas que fizeram as delícias das nossas mães e avós. Visitem-na! O próprio edifício merece a nossa atenção e leva-nos a uma agradável viagem pelo tempo.

O POVO SAIU À RUA…

Esta foto tem 34 anos e é inédita. Captei um momento do primeiro 1º de Maio, na AV. Almirante Reis, já que tive o privilégio de viver esta grandiosa manifestação, uma semana após o dia da Liberdade.
Foi um momento indescritível de união popular em que ainda não havia divisões partidárias e, com imensos sorrisos e abraços, nos cumprimentávamos nas ruas. Um sentimento único de unidade, fraternidade e igualdade.
O povo saiu à rua como diz a canção e foi um mar de esperança na realização dos nossos sonhos de jovens da época. Abriram-se as portas para uma nova era em que iríamos proporcionar às novas gerações a liberdade de se expressarem sem correntes e sem medos.
Provavelmente não voltarei a viver um momento tão alto na minha vida!

1974