sábado, 3 de maio de 2008

Mensagem de Bertold Brecht


É a segunda fita de finalista em que deixo a mesma mensagem – escrita no século passado, tão actual e tão esquecida. Tem sido um lema para mim e ocorre-me deixá-la aos mais novos :

“Primeiro levaram os negros
Mas não me importei com isso
Eu não era negro.

Em seguida levaram alguns operários
Mas não me importei com isso
Eu também não era operário.

Depois prenderam os miseráveis
Mas não me importei com isso
Porque eu não sou miserável.

Depois agarraram os desempregados
Mas como tenho um emprego
Também não me importei

Agora estão-me levando
Mas já é tarde.
Como não me importei com ninguém
Ninguém se importa comigo “

(Bertold Brecht – 1890-1956 )

sexta-feira, 2 de maio de 2008

CRIANÇAS MAL EDUCADAS

Um professor do 1º ciclo tenta acalmar uma criança muito irrequieta ( malcriada?) “prendendo-a” à parede com fita cola – “ por brincadeira”, disse.
A mãe apresentou queixa porque o inocente terá sido humilhado.
A Presidente do agrupamento já investigou e admoestou o professor (!)
O professor não repetirá a brincadeira e vai deixar o menino portar-se na aula pior do que os outros – “ o que é injusto”, disse.

Um incidente esclarecedor de como os intervenientes na educação fazem o que podem para deseducar … à excepção do professor, claro ( um jovem professor que, espero, não se deixe amedrontar por pais que não são responsáveis pela educação dos filhos e por superiores hierárquicos que têm medo de tomar decisões firmes e responsáveis). Não estou a fazer a apologia do castigo mas não é possível dar a crianças o direito de fazer o que lhes apetece em qualquer lugar e com qualquer adulto. Uma criança que cresce sem conhecer os limites, hoje perturba as aulas, amanhã bate nos colegas e nos professores e depois bate nos pais … Só nessa altura esses pais se lamentam e dizem “não saber” porque é que os filhos são tão rebeldes.

Que tal estimular a feitura de vídeos para divulgação exaustiva pela comunicação social , para dinamização de debates sobre a autoridade dos professores, o poder sancionário das escolas, a intervenção dos pais? Será que só assim se analisam casos como o do professor que “prendeu” uma criança com fita-cola porque ela retirava aos colegas o direito de aprender ?

Só assim, sem “espectáculo”, este incidente não merece reparo e ficará só na memória do professor .

quinta-feira, 1 de maio de 2008

QUE ESPIGA!

Que maçada! Que contratempo! Que espiga!
Vem isto a propósito de hoje, dia da espiga, não ter conseguido arranjar o habitual raminho que assinala o dia e garante um ano inteiro de pão, de abundância, de paz, de alegria e de luz.
Coincidiu a data com a celebração do Dia do Trabalhador. Tudo esteve fechado na minha zona e não se vislumbraram as vendedeiras com cestas coloridas, cheias de raminhos. Nem sequer tive hipótese de fazer, eu própria, um ramo.
O campo, que se estendia à frente da minha casa e por onde se viam papoilas e espigas, rasgou-se numa ampla avenida com palmeiras e o matagal virou urbanização luxuosa em fase de acabamento.
Monsanto fica aqui tão perto mas não tem todos esses elementos – os malmequeres brancos, os amarelos, as papoilas, as espigas, os raminhos de oliveira, tudo o que tradicionalmente se junta, em número impar, soube-o há pouco, para compor o ramo que, segundo consta nasceu de um ritual cristão e representava a bênção aos primeiros frutos.
Desde que me recordo como gente que essa era uma das tradições da família e eu tenho conseguido mantê-la, graças a mão amiga que me traz o raminho ou, então, quando calha a mim, comprá-lo na 5ª feira da Ascensão, no mercado. Resta-me procurar encontrar algum amanhã…
Entretanto e, enquanto olho o ramo do ano passado, as cores já esmorecidas, vem-me à lembrança a velha cozinha da casa dos nossos pais onde, por detrás da porta, se pendurava o viçoso ramo da espiga junto a uma ferradura, símbolo de felicidade e sorte, que segundo a minha mãe já teria vindo da casa da rua da Palmeira. Aí se cumpriam todas ou quase todas as tradições familiares a que sempre fiquei muito ligada.
Um dia, e à medida que as ocasiões mas façam reavivar, contarei alguns desses costumes, sem saudosismos mas com a certeza de que foram momentos muito vividos s felizes!

Já agora, e para quem aprecie algum revivalismo e ainda não conheça, aqui fica a indicação da «Vida Portuguesa», loja situada na rua Anchieta, ao Chiado, onde desde 2004, com bastante saber e emoção, estão reunido muitos dos produtos e marcas portuguesas que fizeram as delícias das nossas mães e avós. Visitem-na! O próprio edifício merece a nossa atenção e leva-nos a uma agradável viagem pelo tempo.

O POVO SAIU À RUA…

Esta foto tem 34 anos e é inédita. Captei um momento do primeiro 1º de Maio, na AV. Almirante Reis, já que tive o privilégio de viver esta grandiosa manifestação, uma semana após o dia da Liberdade.
Foi um momento indescritível de união popular em que ainda não havia divisões partidárias e, com imensos sorrisos e abraços, nos cumprimentávamos nas ruas. Um sentimento único de unidade, fraternidade e igualdade.
O povo saiu à rua como diz a canção e foi um mar de esperança na realização dos nossos sonhos de jovens da época. Abriram-se as portas para uma nova era em que iríamos proporcionar às novas gerações a liberdade de se expressarem sem correntes e sem medos.
Provavelmente não voltarei a viver um momento tão alto na minha vida!

1974


quarta-feira, 30 de abril de 2008

A FALTA DE TEMPO

Não sou uma pessoa de “passados”. Por vezes deixo-me ir na onda e recordo uma música, um lugar, um momento. Mas logo afasto.
Sou muito pelo viver aqui e agora. Sem passado e sem futuro. Deixando a vida correr como um rio.
Quando recebo e-mails que falam da nostalgia do passado, repasso-os para os que gostam desse tipo de emoção.
Para mim, nesta Nova Era o presente é fundamental. O que faço hoje e como o faço. Às vezes, perco-me porque sou desorganizada: acumulo livros que não tenho tempo para ler, filmes que permanecem na estante à espera da minha disposição, papéis e jornais acumulados e montinhos silenciosos, à espera do dia da grande arrumação.
Vivo ao sabor da apetência do momento, estudando ou pintando, escrevendo ou lendo e reservo um curto espaço para meditar, o que é fundamental.
Não sei se dão atenção a um fenómeno dos nossos dias, o tempo voa! Mal começa a manhã e já são quase horas de ir dormir e logo aí está outro dia cheio de corridas, sem tempo para fazer tudo o que imaginávamos poder fazer.
Tive conhecimento, há tempos, de uma teoria sobre o «encurtamento do tempo», baseada em estudos feitos por um físico alemão muito conhecido – SCHUMANN
Pareceu-me interessante, embora nada disto esteja muito divulgado nem confirmado.

“Pela ressonância, Schumann procura dar uma explicação. O físico alemão W.O. Schumann constatou, em 1952, que a Terra é cercada por um campo eletromagnético poderoso que se forma entre o solo e a parte inferior da ionosfera, cerca de 100km acima de nós. Esse campo possui uma ressonância (daí chamar-se ressonância Schumann), mais ou menos constante, da ordem de 7, 83 pulsações por segundo.

Empiricamente fez-se a constatação de que não podemos ser saudáveis fora dessa frequência biológica natural. Sempre que os astronautas, durante as viagens espaciais, ficavam fora da ressonância Schumann, adoeciam. Mas submetidos à acção de um simulador, Schumann recuperavam o equilíbrio e a saúde. Por vários anos as batidas do coração da Terra tinham essa freqüência de pulsações e a vida desenrolava-se em relativo equilíbrio ecológico. Ocorre que a partir dos anos 80, e de forma mais acentuada, a partir dos anos 90, a freqüência passou de 7,83 para 11 e para 13 hertz.

O coração da Terra disparou. Concomitantemente, desequilíbrios ecológicos se fizeram sentir: perturbações climáticas, maior atividade dos vulcões, crescimento de tensões e conflitos no mundo e aumento geral de comportamentos desviantes nas pessoas, entre outros. Devido à aceleração geral, a jornada de 24 horas, na verdade, é somente de 16 horas. Portanto, a percepção de que tudo está a passar rápido demais não é ilusória,mas teria base real nesse transtorno da ressonância Schumann.

Não pretendo reforçar esse tipo de leitura. Apenas enfatizo a tese recorrente entre grandes cientistas e biólogos de que a Terra é, efectivamente, um superorganismo vivo, de que Terra e humanidade foram feitos para estarem sempre em harmonia, como os astronautas testemunham a partir das suas naves espaciais. Nós, seres humanos, precisamos da Terra que é a nossa casa e que amamos. Porquê? Segundo a teoria de Schumann, possuímos a mesma natureza bioeléctrica e estamos envoltos pelas mesmas ondas ressonantes Schumann.” (Leonardo Bolf)

Mas volto à questão do viver o presente. Tenho constatado que muitas pessoas da minha idade vivem das angústias do passado, das raivas, das perdas ou o inverso, demasiadas recordações de momentos de paixão, deslumbramento, etc… e olham o futuro como se ele não tivesse mais beleza, paixão, criatividade. Aquela ideia antiga, da geração dos nossos pais que, chegada a reforma , se ia abriando o caminho para os médicos, as solidões , a velhice.

Ao contrário, penso que há ainda muita vida para viver e existem muitas ajudas, teóricas e práticas, para nos mantermos sempre jovens.

Li, recentemente, um livro de Deepak Chopra que me ajudou a fundamentar muito da intuição que eu vinha sentindo há algum tempo. Aqui vos deixo a capa do livro.