domingo, 10 de julho de 2011

Boas Notícias de Novo 35

-A Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) declarou as Berlengas e o concelho de Santana, na Madeira, como Reserva Mundial da Biosfera . Portugal passa assim a ter sete áreas com esta classificação : ilhas do Corvo, Graciosa e Flores ; reserva natural de Paul de Boquilobo, Parque Internacional Luso-Galaico Gerês/Xurês, Berlengas e Santana.

A distinção é atribuída a “sítios do planeta inabitados ou não mas onde a presença do homem já se tenha verificado e, mesmo assim, tenha respeitado a natureza da sua formação “.

Por outro lado nas Berlengas e em Santana salienta-se a riqueza da fauna e flora endémicas, sobretudo quanto a ecossistemas marinhos (Berlengas) e à floresta Laurissilva ( Santana)

- Foi certificada a árvore mais velha de Portugal ( até ao momento, claro). Fica em Santa Iria da Azóia ( concelho de Loures) e foi um trabalho desenvolvido ao longo de dois anos pela Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro.

É uma oliveira e tem 2850 anos! Tem um pouco mais de 10 metros de perímetro de base e 4,40m de altura. O mais estranho desta notícia é pensar que, quando germinou, a Europa estava na Idade do Ferro e o actual território português era habitado por célticos , lusitanos, … . A oliveira teria perto de 800 anos quando os Romanos chegaram à Peninsula e Jesus nasceu uns anitos depois …

Se pudéssemos falar com ela, quanta história seria contada para se rever a História!

sexta-feira, 8 de julho de 2011

SABES O QUE É UM HANG?

Se sabes fico contente, pois para mim foi uma novidade.

Desde muito jovem que tenho uma atracção muito forte por instrumentos musicais, embora não saiba nada de música. Assim fui acumulando vários instrumentos, desde a tradicional guitarra, bandolim, violino, cavaquinho, flautas de vários tipos, tambores, gaitas, xilofones, taças tibetanas, etc, etc…

Esta semana fui a casa de uma amiga que me mostrou um filme que tinha montado, o filme tinha um fundo musical  muito agradável que não reconheci .Normalmente tenho facilidade em descobrir os instrumentos que produzem os sons. Curiosa, quis saber que musica era aquela. Mostrou-me o disco; tinha-o comprado a um músico de rua em Barcelona.
Na capa um instrumento que não conhecia: parecia uma das nossas “campânulas” algarvias utilizadas nos cozinhados. Curiosa - vim para casa e fiz uma pesquisa. Além disso pedi uma cópia do disco para ouvir em casa.
Vou então partilhar este conhecimento com os curiosos destas coisas, como eu.


“Para começar vou começar por descrever que tipo de instrumento é.
Handpan é uma família de instrumentos parecidos com o steel drum mas tocados com as mãos.
Exemplos: Hang, Halo, Bells, Caisa, Hang SPB, Space Drum, Hapi, Zen Tambour, Bali Steel Dum, Milltone, Eclipse Drum, etc.



Estes instrumentos surgiram com mais força a partir do ano 2000 que foi quando surgiu o Hang, que foi inventado pelos senhores Felix Rohner e Sabina Schärer que criaram uma instituição (eles não gostam que chamem empresa) que se chama PANART em Bern, Suiça.

O Hang surgiu depois de uma pesquisa de 15 anos, pois as pesquisas começaram em 1985. Nesses 15 anos testaram vários tipos de metais porque se queriam livrar o metal que era utilizado nos steel drums. O metal que é usado para o fabrico dos Hangs chama-se Pang que é um aço nitretado, muito resistente e não oxida.”


“O Hang não foi criado como instrumento musical, mas sim para meditação. Também é usado por curandeiros.

O Hang é composto pelo lado Ding que é o lado onde tem uma nota central e em seu redor pode ter 7 ou 8 notas e o outro lado é o lado Gu que tem um orificio que pode ser usado como Udu. É completamente oco por dentro. O Halo e o Bells têm o mesmo formato.

lado Ding                                                   
lado Gu
Os Hanghang têm vindo a crescer bastante em popularidade sendo que, actualmente, é muito difícil comprar um, uma vez que continuam a ser feitos à mão pelos próprios inventores e estão sujeitos a uma lista de espera de vários meses.”

Agora vamos ouvir este belo som num video, poderão pesquisar outros...
 

quinta-feira, 7 de julho de 2011

Maria José Nogueira Pinto

Longe das suas opções políticas, menos longe dos seus objectivos, se calhar perto de alguns valores que defendeu. Há pessoas que morrem cedo demais, que tinham ainda muito para fazer. Tenho pena.

Li a sua última crónica, mandada para o jornal duas horas antes de morrer quando julgava que ainda podia viver ! Aí está:

“Acho que descobri a política - como amor da cidade e do seu bem - em casa. Nasci numa família com convicções políticas, com sentido do amor e do serviço de Deus e da Pátria. O meu Avô, Eduardo Pinto da Cunha, adolescente, foi combatente monárquico e depois emigrado, com a família, por causa disso. O meu Pai, Luís, era um patriota que adorava a África portuguesa e aí passava as férias a visitar os filiados do LAG. A minha Mãe, Maria José, lia-nos a mim e às minhas irmãs a Mensagem de Pessoa, quando eu tinha sete anos. A minha Tia e madrinha, a Tia Mimi, quando a guerra de África começou, ofereceu-se para acompanhar pelos sítios mais recônditos de Angola, em teco-tecos, os jornalistas estrangeiros. Aprendi, desde cedo, o dever de não ignorar o que via, ouvia e lia.

Aos dezassete anos, no primeiro ano da Faculdade, furei uma greve associativa. Fi-lo mais por rebeldia contra uma ordem imposta arbitrariamente (mesmo que alternativa) que por qualquer outra coisa. Foi por isso que conheci o Jaime e mudámos as nossas vidas, ficando sempre juntos. Fizemos desde então uma família, com os nossos filhos - o Eduardo, a Catarina, a Teresinha - e com os filhos deles. Há quase quarenta anos.

Procurei, procurámos, sempre viver de acordo com os princípios que tinham a ver com valores ditos tradicionais - Deus e a Pátria -, mas também com a justiça e com a solidariedade em que sempre acreditei e acredito. Tenho tentado deles dar testemunho na vida política e no serviço público. Sem transigências, sem abdicações, sem meter no bolso ideias e convicções.

Convicções que partem de uma fé profunda no amor de Cristo, que sempre nos diz - como repetiu João Paulo II - "não tenhais medo". Graças a Deus nunca tive medo. Nem das fugas, nem dos exílios, nem da perseguição, nem da incerteza. Nem da vida, nem na morte. Suportei as rodas baixas da fortuna, partilhei a humilhação da diáspora dos portugueses de África, conheci o exílio no Brasil e em Espanha. Aprendi a levar a pátria na sola dos sapatos.

Como no salmo, o Senhor foi sempre o meu pastor e por isso nada me faltou -mesmo quando faltava tudo.

Regressada a Portugal, concluí o meu curso e iniciei uma actividade profissional em que procurei sempre servir o Estado e a comunidade com lealdade e com coerência.

Gostei de trabalhar no serviço público, quer em funções de aconselhamento ou assessoria quer como responsável de grandes organizações. Procurei fazer o melhor pelas instituições e pelos que nelas trabalhavam, cuidando dos que por elas eram assistidos. Nunca critérios do sectarismo político moveram ou influenciaram os meus juízos na escolha de colaboradores ou na sua avaliação.

Combatendo ideias e políticas que considerei erradas ou nocivas para o bem comum, sempre respeitei, como pessoas, os seus defensores por convicção, os meus adversários.

A política activa, partidária, também foi importante para mim. Vivi-a com racionalidade, mas também com emoção e até com paixão. Tentei subordiná-la a valores e crenças superiores. E seguir regras éticas também nos meios. Fui deputada, líder parlamentar e vereadora por Lisboa pelo CDS-PP, e depois eleita por duas vezes deputada independente nas listas do PSD.

Também aqui servi o melhor que soube e pude. Bati-me por causas cívicas, umas vitoriosas, outras derrotadas, desde a defesa da unidade do país contra regionalismos centrífugos, até à defesa da vida e dos mais fracos entre os fracos. Foi em nome deles e das causas em que acredito que, além do combate político directo na representação popular, intervim com regularidade na televisão, rádio, jornais, como aqui no DN.

Nas fraquezas e limites da condição humana, tentei travar esse bom combate de que fala o apóstolo Paulo. E guardei a Fé.

Tem sido bom viver estes tempos felizes e difíceis, porque uma vida boa não é uma boa vida. Estou agora num combate mais pessoal, contra um inimigo subtil, silencioso, traiçoeiro. Neste combate conto com a ciência dos homens e com a graça de Deus, Pai de nós todos, para não ter medo. E também com a família e com os amigos. Esperando o pior, mas confiando no melhor.

Seja qual for o desfecho, como o Senhor é meu pastor, nada me faltará.”

quarta-feira, 6 de julho de 2011

Saramago de novo!

Nas últimas semanas andei de novo com Saramago, através da “História do Cerco de Lisboa”, da “Biografia José Saramago” ( João Marques Lopes) e da “Viagem a Portugal”. Como sempre fico enfeitiçada pela sua forma de escrever dizeres do quotidiano com um humor de quem vê e se revê em ditos e provérbios populares, pelas associações e considerações de natureza social e política que deixa passar de mansinho , pela forma como se deixa conhecer.

A “História do Cerco de Lisboa” nasceu de uma ideia travessa . É a história do revisor tipográfico Raimundo Silva que um dia, ao rever as provas de um livro sobre a história do cerco de Lisboa e ao chegar ao ponto em que os Cruzados dizem “sim” ao convite de Afonso Henriques para ajudar no cerco e conquista da cidade, substitui o “sim” por um “NÃO” …

E é esse gesto impulsivo, inexplicável, imperdoável para quem é o melhor revisor da editora que transforma um homem solitário, simples e monótono num homem que aprende a ser feliz! Entretanto interroga-se : porquê esse “não”? Talvez porque “é um homem vulgar que só se distingue da maioria por acreditar que todas as coisas têm o seu lado invisível e que não saberemos nada delas enquanto não lhes tivermos dado a volta completa”.

E depois teve sorte … obteve o perdão do historiador que “corrigiu” , encontrou quem acreditasse nas suas capacidades como escritor e o estimulasse com um desafio : escrever a “História do Cerco de Lisboa” sem a ajuda dos Cruzados!

Os entretantos, só lendo …



A Biografia acompanhou a distribuição da “Visão” e do “Expresso” e, embora já tenha lido outras, achei esta muito bem feita.

Para além do percurso do “menino pobre” que nasce na Azinhaga em 1922 até à sua morte, passa em revista diferentes períodos da sua vida, quer no que se refere à sua aprendizagem formal e informal, quer às suas diversas actividades e interesses ( serralheiro mecânico, empregado administrativo, escriturário, jornalista, editor, tradutor, escritor!). É também um percurso pelo tempo em que a censura e a militância política marcavam os dias, explicações sobre os vários incidentes em que esteve envolvido pós-25 de Abril e ainda algumas notas esclarecedoras sobre a génese de cada um dos seus livros e como se preparava para os escrever . E também alguns apontamentos sobre a sua vida pessoal , as suas preferências literárias, o seu amor por Portugal e por Lanzarote.

Vale a pena ler. Ainda está nas bancas de jornais.
A “Viagem a Portugal” ainda não acabei. Foi escrito antes daquela inspiração que o pôs “a escrever assim : interligando, interunindo o discurso directo e indirecto, saltando por cima de todas as regras sintácticas ou sobre muitas delas!” ( Saramago, citado na Biografia). Não é no “estilo saramaguiano” mas é com todas as outras particularidades do seu discurso. São mais de 600 páginas e estou a ler como se duma viagem se tratasse … depois conto.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Mais um Presépio

Na minha visita à Exposição de Artesanato da FIL deste ano, ganhei um presépio de presente o que me deixou muito contente e contribuiu para aumentar a minha colecção de presépios. Sempre gostei desta forma de artesanato, sempre me interessei pela forma como diferentes artistas e diferentes materiais dão forma a esta sagrada família que tanto nos continua a enternecer, independentemente das nossas crenças religiosas.


O meu presente

Quando visitávamos o pavilhão português, este ano maior e mais moderno, cheio de novos artistas muito criativos, deparámos com um artista que usa o xisto, a madeira e o ferro como matéria-prima para as suas esculturas. Chama-se Luís Alenquer e pelo que nos foi dado ver e ler no catálogo tem sido muito bem recebido pelo público e pala crítica que lhe tecem os maiores elogios e depositam nele grandes esperanças na escultura nacional.

É natural de São João dos Montes, Vila Franca de Xira e actualmente reside e trabalha com xistos da região de Sintra. Já expôs em várias galerias, individualmente ou em mostras colectivas, já recebeu muitos prémios de escultura e em cada obra escreve poemas à vida e aos sentimentos mais íntimos do ser humano.

Ficam alguns exemplos dos seus presépios para poder partilhar um pouco do que vi na Feira deste ano. São olhares diferentes, semdúvida!

domingo, 3 de julho de 2011

Boas Notícias de Novo 34

Em semana de anúncio de má notícia que desagrada a todos, aí vão algumas Boas Notícias para disfarçar :

- Siza Vieira foi agraciado com a comenda das Artes e das letras Francesas, a mais alta condecoração atribuída pelo Governo Francês “aos que se distinguem pelas criações artísticas ou literárias”. O mesmo grau de comendador já fora atribuído a Amália Rodrigues, António Lobo Antunes , Agustina Bessa-Luís, Júlio Pomar, Manoel de Oliveira, João Bénard da Costa, Miguel Torga e António Coimbra Martins ( dirigiu o Centro Cultural Português da Fundação Gulbenkian, em Paris)

- Foi criada há três meses a Associação Passeio Público com o objectivo de “dinamizar a Avenida da Liberdade e voltar a fazer da avenida o passeio público tradicional”. A sua presidente é Maria João Baía que anuncia vários eventos nos próximos meses, tais como feiras artesanais, exposições de alfarrabistas, concertos, teatro ao ar livre e exposições de arte. E também a abertura das lojas depois das 19h … (dado que a maior parte das lojas é de difícil acesso para quem tem cortes nos salários ou está desempregado, faz de conta que é boa notícia …)
- Em Viseu está quase a ser inaugurado o Museu do Quartzo. Começou a ser construído em 2006 no Monte de Santa Luzia no local onde durante décadas existiu uma exploração de quartzo. Finalmente abrirá portas em Setembro ou Outubro. Levou tempo mas deve valer a pena!

sexta-feira, 1 de julho de 2011

Feira Internacional do Artesanato

Decorre em Lisboa, no Parque das Nações, até domingo. Realiza-se todos os anos e nós lá vamos em “peregrinação” obrigatória, uma ou duas vezes.

Este ano pareceu-nos melhor organizada e com um maior cuidado na apresentação dos pavilhões dos países convidados e do Pavilhão Nacional.



Das muitas(!!!) horas de deambulação seguindo escrupulosamente as 7 filas de cada um dos 3 pavilhões, ficaram os olhos cheios de objectos africanos, asiáticos e sul americanos, de gentes de todas as cores e indumentárias mas, desta vez, também nos encheu de orgulho o artesanato nacional. Será que não tínhamos visto bem nos anos anteriores? Será que a mostra é realmente melhor?

Gostámos de ver um monge tibetano construindo uma mandala de areia colorida – começou no início da Feira, vai interrompendo quando solicitado por isto e aquilo e irá terminá-la no domingo. Depois , como manda a tradição, irá destruí-la – tudo na vida é impermanente…



Do artesanato português gostámos de aspectos inovadores e originais em matéria de mobiliário ( em cartão prensado, cortiça, troncos; embutidos em madeira, …) mas também algumas originalidades em pequenos objectos como os presépios de xisto, por exemplo.






Ainda dá tempo : se nos lerem e estiverem perto, vão até lá. Com sorte até podem lanchar ou jantar no Pavilhão 4 … apesar da crise, estava repleto!