terça-feira, 4 de agosto de 2009

Externato Educação Popular –carta aberta a uma professora

Ana, finalmente chegaram as férias e em boa hora porque achamos que não ias aguentar mais todo o sofrimento que nestes sete meses de “cativeiro” te foi infligido.
Não temos palavras para classificar a tua coragem. Foste humilhada quanto baste, abandonada horas e horas numa sala de 2.70x 2m com uma tarefa inglória porque depois de entregue irá provavelmente para o caixote do lixo.
E no final destes 7 meses querem novamente despedir-te, desta vez porque acham que 15 anos de ensino é nada, que as tuas habilitações não servem e como contra proposta oferecem-te a vaga de “trabalhador auxiliar de serviços gerais” que segundo a referência do Diário da Republica tem as seguintes tarefas “ procede à limpeza e à arrumação das instalações; assegura o transporte de alimentos e outros artigos; serve refeições em refeitórios; desempenha funções de estafeta …” nem tenho coragem de escrever o resto… Não por desprestigiar tal profissão, mas pela tentativa de humilhação feita a uma professora que tem sido vítima constante de uma Direcção bastante esquisita, que tem prazer em magoar e ofender . E sobretudo, insiste em fazer o que lhe apetece, atropelando leis e direitos, sem qualquer preocupação em conhecer os seus limites. É que tu tens direito a continuar docente daquele Colégio.

Também te quero contar outro episódio triste, o do dia 30, quando 4 dos teus ex-colegas foram demitidos de sócios da Associação Educação Popular por terem relatado a tua história neste blogue e feito comentários na notícia do Expresso on-line. Sim porque, todas as intervenções que internamente foram tendo, no sentido de pedir esclarecimentos sobre gestão financeira e pedagógica, se desvalorizam. Importante foi “ a divulgação” ! …
Pois é Ana, vivemos numa sociedade cheia de episódios estranhos em que se jogam interesses individuais e se esquece o colectivo. Os mesmos que se têm comportado contigo ( e com outros professores) de forma tão injusta e desrespeitadora das leis gerais a que todos estão obrigados, ainda não estavam satisfeitos, ainda era preciso castigar quem escreve sobre os seus procedimentos incorrectos , quem faz perguntas e quer respostas, quem põe em duvida a sua “honorabilidade”, como eles dizem. E foi assim que propuseram à Assembleia da Educação Popular, a nossa demissão.
Neste entretanto foram entrando novos associados, alguns não nos conhecem, de outros até fomos, em tempos, portadores de queixas e dúvidas …
Reunida a Assembleia, no dia 30, foi apresentada a proposta de demissão dos 4 sócios, sem que fosse dada resposta às questões gravosas de que fôramos acusados , sem apresentar factos que sustentassem as frases escritas na “nota de culpa”, sem permitir que cada um de nós tivesse direito a defesa perante os sócios que iriam votar. Limpinho!... Até o António foi demitido, ele que tanto deu de si a esta Associação, ele que ajudou a implementar o 2º e 3º ciclo no Externato, que foi o “braço direito” da direcção de então. Tudo isto com o maior despudor, na presença da fundadora do Externato, senhora desgastada de tristeza , por verificar como todo o seu sacrifício e dedicação é esquecido e como são tratadas as pessoas que a ajudaram e que lutaram por um Projecto Educativo digno e uma Administração transparente.
E facto lamentável: pessoas que nós ouvimos criticar tão severamente várias Direcções Executivas sempre com o mesmo Presidente, que nos “encheram os ouvidos” e nos pediram para apresentar na Assembleia os seus problemas, estão agora na posição privilegiada de pessoas de máxima confiança, votando a exclusão de sócios que incomodam porque muitas das questões que colocavam antes permanecem relativamente a outros professores. A Direcção da Congregação Amor de Deus ouve, vê e cala. Salvam-se algumas irmãs que sem poderem fazer nada lamentam concerteza o desfecho desta longa luta pela justiça.
É de arrepiar, mas é verdade.

Deixamos hoje esta carta porque é um momento de pausa.
Não vamos calar, não vamos deixar de estar atentos a atitudes de prepotência, irresponsabilidade e falta de transparência.
Já não somos sócios mas aquela Instituição é uma IPSS – todos contribuímos, temos obrigações. E lá há muitos funcionários e professores que merecem que a nossa voz não se cale.

Desejamos-te umas boas férias – BEM AS MERECESTE!

4 comentários:

Isa disse...

É uma afronta à dignidade de um ser humano.
Estou a perceber mal,ou trata-se de um colégio religioso?
Estou enganada,certamente.
Uma carta,neste momento quente,à Ministra da Educação? Que tal?
À Assembleia da República?
Pois,o país está de férias...
Força. Beijos. Em que data estamos?
isa.

Rosa dos Ventos disse...

E ainda dizem mal do ensino público!
Isto seria impensável neste nível de ensino...
Atenção - não quero com isto dizer que alguma vez neste blogue se disse mal do ensino público!
Força para esta docente perseguida e injustiçada!

Abraço

Idalina disse...

yaNa verdade faltam-nos as palavras
para classificar o inqualificável comportamento das pessoas responsáveis pela educação num colégio religioso,que antes de qualquer outra escola deveria pugnar por tornar-se um modelo de justiça e virtude. Estamos solidárias com todos os injustiçados.
Um abraço para as três mãos de MARQUESICES.
Idalina e Irene

Sonhando disse...

Deixem-me abusar do vosso espaço e transcrever uma fábula:

OS DOIS VIAJANTES

Dois viajantes perderam‐se no caminho, e depois de muito terem andado,
chegaram a uma terra desconhecida. Os guardas da fronteira os prenderam e levaram à presença do rei. Guardas, rei, todos na terra eram macacos. O que vos parece de mim e do meu povo? perguntou‐lhes o rei depois dos primeiros cortejos. ‐ Senhor, disse um dos viajantes, facilmente se vê que sois o magnânimo rei de um povo generoso e ilustrado. O rei sorriu‐se benigno. Senhor, disse o outro, basta ter olhos
para ver que vosso povo se compõe de monos, e tudo, até esse feio rabo que ali se enrosca detrás de vosso trono, diz que também sois mono. Tanto bastou para que os guardas do rei caíssem sobre o indiscreto, e o esquartejassem; o outro foi muito agasalhado, e retirou‐se cheio de presentes.

MORALIDADE. ‐ A verdade irrita os maus, a mentira é por eles bem acolhida.

E ainda dois pensamentos:

"Há favores tão grandes que só podem ser pagos com a ingratidão." Autor: Dumas , Alexandre


"A ingratidão provém, com certeza, da impossibilidade de pagamento da dívida."
Autor: Honoré de Balzac