quinta-feira, 18 de setembro de 2008

O que são e para que servem as “MANDALAS”

Ninguém deu por isso, mas estive ausente deste blog durante algum tempo, vantagens da escrita a três mãozinhas! A minha ausência foi parcial, pois sempre ajudei um pouco na edição dos textos e imagens das minhas parceiras. Mas considero que elas trabalharam muito…e eu preguicei.
Aqui estou e, desta vez, para partilhar conhecimentos de outra área, uma mistura de expressão plástica e religiosa.

O que são “mandalas”?
Mandala é uma palavra que significa simplesmente círculo ou círculo mágico em sânscrito.
A origem das mandalas é tão antiga quanto as mais antigas manifestações de culto da espécie humana.
O círculo é uma forma expressiva que o homem, desde sempre, utilizou para exprimir a sua criatividade, ou para se conectar com a consciência cósmica.
Podemos observar esta forma em tudo o que nos rodeia e é a própria natureza que nos mostra esses círculos (O sol, a lua, os planetas, as flores, sementes, frutos, pedras preciosas e no corpo humano o conjunto da iris e pupila dos olhos, etc…

O homem primitivo construiu círculos onde se realizavam rituais de culto ao Sol e à Lua, inscrições e adornos circulares, gravações em menires …
Lembremos o santuário de Stnoehenge em Inglaterra, os cromeleque de Almendras, no Alentejo, a Pedra de Sol ou calendário asteca, os círculos gravados nas rochas, na Galiza, o Disco de Festo e muitos outros testemunhos históricos.

Mas, para vos aproximar mais da imagem sagrada das mandalas, quero lembrar-vos as rosáceas dos vitrais das igrejas góticas que tiveram um sentido que se perdeu na memória dos povos, elas não eram apenas um elemento decorativo na arquitectura da época.
Algumas foram construídas em tempos de pragas e de guerras, para serem um símbolo da iluminação do espírito humano. Sentando-se no escuro e contemplando a luz que atravessa os desenhos proporcionavam uma experiência poderosa e reveladora.
Também a maioria dos rituais religiosos começa, normalmente, com um círculo sagrado. Então, qual é a função das mandalas no Mundo de Hoje?
Irei falar-vos das mandalas modernas, acessíveis a todos nós para, depois, falarmos das mandalas tradicionais, ligadas ao budismo.
As mandalas são representações geométricas da dinâmica entre o homem e o cosmos e a
estrutura da mandala onde, em torno de um CENTRO, se podem inscrever círculos, quadrados, triângulos, desenhos,…simboliza a união de um plano espiritual com um plano material. Organizam visões religiosas do mundo e sistemas cósmicos e são canais de energia que ajudam a equilibrar o organismo, enviando mensagens para a mente.
São ainda instrumentos de pensamento com funções terapêuticas – as mandalas são objectos em que projectamos a nossa mente, encontrando caminhos de reconciliação. (Jung)
Podem ser formas de trabalhar o nosso universo interior de um modo criativo, ajudam a reunir energias dispersas e a melhorar a nossa concentração, induzindo ao estado de relaxamento. Por isso utilizadas para meditação.


Diz a tradição oriental que o CENTRO DA MANDALA representa a força espiritual misteriosa, origem e essência de tudo, de onde brota a energia que irradia em direcção à periferia do círculo, para depois retornar ao centro.
Muito mais do que mente e corpo, nós somos ENERGIA em contacto com o resto do Universo. Para o tibetano, uma mandala usada durante a MEDITAÇÃO pode abrir as portas da PERCEPÇÃO.
Meditando com PAZ e SERENIDADE, com a ajuda da mandala, podemos ter acesso aos outros “eus” mais profundos, atingindo, nessa vivência, um momento verdadeiramente mágico.
O exercício da meditação permite desacelerar um pouco a mente. E quando a nossa mente se silencia, conseguimos perceber outras vibrações inerentes ao nosso ser.
Aprendemos a redireccionar o nosso caminho no sentido da nossa evolução como seres humanos.
Continuarei esta partilha nos próximos dias, explicarei a construção de uma mandala , falarei das mandalas budistas e mais tarde sobre o pouco que sei da geometria sagrada.

1 comentário:

goiaba disse...

É bom que partilhes estes temas para equilibrar com as realidades que de uma forma ou outra se impõem e nos pesam.
Quanto ao "trabalhar" menos ... isto é "tempo livre" não uma obrigação.
Beijinhos